O governo federal está prestes a implementar uma das maiores reformulações do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) desde sua criação, em 1976. O anúncio das mudanças está previsto para outubro de 2025 e deve transformar a forma como o vale-alimentação e o vale-refeição funcionam no Brasil, afetando trabalhadores, empresas operadoras, bares, restaurantes e supermercados.
Reforma no vale-alimentação promete beneficiar trabalhadores e comerciantes; veja como
Governo anuncia mudanças no vale-alimentação e refeição com limite nas taxas e repasse mais rápido.
As principais alterações miram a transparência nas operações, a justiça nas cobranças e o fortalecimento do poder de compra do trabalhador — pilares que ganharam força no contexto da reestruturação das políticas sociais do governo.
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O que está por vir: resumo das principais mudanças
Limite nas taxas cobradas por operadoras (MDR)
A proposta mais significativa envolve o teto para a Merchant Discount Rate (MDR), nome técnico das taxas cobradas pelas operadoras de cartões de vale-alimentação/refeição nos estabelecimentos. Hoje, essas tarifas chegam a até 7%, impactando o faturamento dos comerciantes.
Com a nova regulação, o governo pretende limitar esses percentuais, tornando-os mais compatíveis com as taxas do setor de crédito e débito tradicional, que giram em torno de 1% a 2%. Essa mudança promete:
- Reduzir custos operacionais para bares, restaurantes e mercados
- Evitar o repasse desses custos aos consumidores
- Estimular a aceitação dos vales em mais pontos comerciais
Repasse mais rápido dos valores aos comerciantes
Outra medida fundamental é a redução no prazo de repasse dos valores pagos com os vales. Atualmente, os estabelecimentos podem esperar até 30 dias para receber o valor gasto pelos clientes com vale-alimentação ou refeição. Com a mudança, o prazo deverá ser reduzido para algo mais próximo das operações via cartão de débito ou crédito, que levam de 1 a 2 dias úteis.
A melhoria trará maior previsibilidade no fluxo de caixa, especialmente para pequenos e médios empreendedores do setor alimentício.
Declarações do governo e articulação ministerial
O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, confirmou a proposta e disse que as alterações serão formalizadas em ato conjunto com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já teria dado sinal verde para a medida.
Segundo Marinho, o objetivo é realizar as mudanças por meio de acordos e pactuações com o setor privado, evitando disputas judiciais. A abordagem visa proteger tanto os direitos dos trabalhadores quanto a viabilidade econômica dos estabelecimentos comerciais.
Impacto para os trabalhadores: mais poder de compra e aceitação ampla
Combate ao encarecimento dos alimentos
Limitar as taxas cobradas pelas operadoras evita que os estabelecimentos repassem o custo para os consumidores finais. Assim, trabalhadores beneficiados com o vale terão maior capacidade de compra, sem sofrer com inflação embutida em função das tarifas dos cartões.
Mais lugares aceitando vale
A perspectiva é de que, com custos menores para o comerciante, mais estabelecimentos aceitem os vales alimentação e refeição. Isso amplia a rede de acesso à alimentação de qualidade, especialmente em regiões afastadas dos centros urbanos, onde a aceitação ainda é limitada.
O papel social e econômico do PAT em 2025

O Programa de Alimentação do Trabalhador, criado há quase 50 anos, segue sendo essencial para garantir o acesso a refeições e alimentos aos trabalhadores de baixa renda. Os incentivos fiscais para as empresas que aderem ao programa tornam o PAT uma ferramenta de impacto econômico e social.
Com a modernização anunciada, o governo quer dar ao PAT características compatíveis com o mercado digital atual, incluindo:
- Portabilidade entre operadoras: possibilidade de migrar saldos de uma operadora para outra
- Integração com máquinas de cartões convencionais: o objetivo é permitir que os benefícios sejam usados em qualquer maquininha de cartão, reduzindo a dependência de terminais específicos
- Transparência nas operações: com obrigações de clareza para operadoras quanto às taxas e prazos de repasse
Como funciona o sistema atual e por que ele será reformulado
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Atualmente, os cartões de alimentação e refeição operam como moedas paralelas com regras próprias, onde:
- O trabalhador só pode utilizar o benefício em estabelecimentos conveniados
- As operadoras dominam o sistema de repasses e aceitação
- Pequenos comércios muitas vezes recusam o vale devido às altas taxas e burocracias na habilitação
Problemas identificados pelo governo e por especialistas
- Taxas elevadas (até 7%)
- Longos prazos de recebimento (até 30 dias)
- Falta de concorrência entre operadoras
- Dificuldade de portabilidade
- Baixa capilaridade em regiões periféricas
Reação do setor e expectativa de negociação
Entidades do setor de alimentação, como Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes) e redes supermercadistas, já vinham pressionando por mudanças. A redução das taxas e a maior agilidade nos repasses são vistas como vitórias esperadas há anos.
As empresas operadoras, como Alelo, Sodexo, Ticket e VR Benefícios, deverão ser chamadas para rodadas de negociação. O governo deve usar o argumento de equilíbrio de mercado e interesse público para fundamentar a limitação das taxas.
Modernização e concorrência: o fim dos monopólios no PAT?

A intenção do governo é estimular a concorrência no setor de benefícios alimentares, permitindo que fintechs e bancos também ofereçam produtos vinculados ao PAT, de forma competitiva e integrada com sistemas de pagamento já existentes.
Medidas em estudo para etapas futuras incluem:
- Inclusão do benefício em wallets digitais, como Pix e aplicativos bancários
- Ampliação do uso do vale em feiras livres e mercados populares
- Integração com programas sociais, como o Bolsa Família, para complementação alimentar
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
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