O Banco Central do Brasil está preparando o lançamento de uma nova versão do Mecanismo Especial de Devolução (MED) do Pix, com o objetivo de tornar mais ágil e eficaz a recuperação de valores transferidos indevidamente por meio do sistema de pagamentos instantâneos. A atualização promete reforçar a segurança contra golpes financeiros, especialmente em um momento em que o Pix se consolidou como o principal meio de pagamento entre os brasileiros.
Golpes no Pix terão resposta mais rápida com novo recurso do Banco Central
Nova versão do Mecanismo de Devolução do Pix será lançada para acelerar recuperação de valores em casos de golpe, aumentando a segurança.
O anúncio oficial foi feito em junho de 2025 e marca mais uma etapa na estratégia do Banco Central para combater fraudes e ampliar a confiabilidade do Pix, que movimenta bilhões de reais diariamente no país.
O que é o Mecanismo Especial de Devolução (MED)?
Criado em novembro de 2021, o MED é um recurso do sistema Pix que permite a devolução de valores enviados de forma fraudulenta ou por erro operacional. A funcionalidade pode ser acionada tanto pelas instituições financeiras quanto pelos próprios usuários, desde que comprovada a irregularidade da transação.
Esse mecanismo foi um marco importante para oferecer maior segurança às operações via Pix, mas sua aplicação ainda enfrenta críticas quanto à lentidão, baixa taxa de efetividade e excesso de burocracia nos pedidos de devolução. Com a nova versão, o Banco Central pretende enfrentar essas limitações e tornar o MED mais eficiente.
Por que o Banco Central está atualizando o MED?
Com o crescimento acelerado do uso do Pix no Brasil, também aumentaram as tentativas de fraude. Segundo dados do próprio Banco Central, o número de golpes envolvendo Pix subiu 74% em 2024 em relação ao ano anterior, especialmente fraudes envolvendo engenharia social, como falsos atendentes, QR codes maliciosos, clonagem de WhatsApp e sequestros-relâmpago.
A nova versão do MED visa responder a essas ameaças com:
- Melhor detecção automatizada de fraudes
- Redução no tempo de resposta das instituições financeiras
- Padronização dos procedimentos de contestação
- Maior transparência nas etapas da solicitação de devolução
- Aplicação de punições a instituições que não respeitarem os prazos
Como será a nova versão do MED do Pix?
Monitoramento em tempo real
Uma das principais novidades será a integração do MED com sistemas de inteligência artificial e machine learning para detectar padrões suspeitos de comportamento em tempo real. Assim que o sistema identificar uma operação potencialmente fraudulenta, poderá acionar o congelamento preventivo dos valores em questão.
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Automatização da análise
Outra mudança significativa será a automatização das análises preliminares, que permitirá uma triagem rápida dos pedidos de devolução. Com isso, casos evidentes de golpe poderão ser resolvidos em poucas horas, sem depender da análise manual de cada instituição.
Prazos mais rígidos
O Banco Central também anunciou que reduzirá os prazos máximos para resposta das instituições envolvidas em transações contestadas. Atualmente, o tempo para a conclusão de um pedido pode levar até 7 dias úteis. Com a nova versão, esse prazo será reduzido para 48 horas úteis nos casos com evidências claras de fraude.
Canal direto com o usuário
A nova versão contará com a implementação de um painel de acompanhamento para o usuário dentro dos aplicativos bancários, onde será possível acompanhar o status da solicitação de devolução em tempo real, desde a abertura até a conclusão do processo.
Sanções por descumprimento
O Banco Central poderá aplicar multas e sanções administrativas às instituições que descumprirem as novas regras de resposta aos pedidos de devolução. A meta é coibir o descaso ou a negligência com os usuários prejudicados.
Quando a nova versão será lançada?
Segundo o cronograma divulgado, a nova versão do MED será implementada de forma gradual entre setembro e novembro de 2025, com testes obrigatórios para todos os bancos, fintechs e instituições participantes do Pix. A expectativa é que o sistema esteja plenamente funcional até o fim do ano, integrando os novos padrões de segurança ao sistema já existente.
Durante o período de transição, as duas versões — atual e nova — funcionarão em paralelo. Ao final da migração, a antiga será desativada.
O que muda para os usuários do Pix?
Para os usuários, o novo MED trará mais rapidez e transparência no processo de devolução, além de aumentar as chances de recuperar o dinheiro perdido em fraudes. A iniciativa atende a uma demanda crescente da população por mais segurança nos meios digitais de pagamento.
Com a modernização, espera-se que os usuários possam:
- Solicitar devoluções de forma mais simples e intuitiva
- Ter mais informações sobre o andamento do pedido
- Receber o valor de volta em até 2 dias úteis, em casos confirmados
- Contar com proteção mesmo em transações fora do horário comercial
Quais golpes serão cobertos pelo novo MED?
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A devolução de valores por meio do novo MED continuará condicionada à comprovação da fraude, mas com mais agilidade para os seguintes casos:
- Engenharia social (fraudes com falsos atendentes ou links maliciosos)
- Clonagem de contas em aplicativos bancários ou de mensagem
- Roubo ou sequestro-relâmpago com uso forçado do Pix
- Erro operacional grave, como digitação incorreta de chave Pix
- Fraude em serviços não entregues, desde que comprovada a má-fé do recebedor
Importante destacar que conflitos comerciais legítimos, como disputas entre comprador e vendedor sem indícios de crime, não estão cobertos pelo MED.
O que dizem os especialistas?
Especialistas em segurança cibernética e direito do consumidor avaliam positivamente a medida. Segundo Tatiana Monteiro, advogada especialista em LGPD e direito digital, “o novo MED representa um avanço importante na defesa dos consumidores, mas ainda será necessário investimento em educação digital para reduzir o número de vítimas”.
Já Fernando Nunes, analista de segurança bancária, destaca que a iniciativa deve “pressionar as instituições financeiras a agirem com mais responsabilidade e investir em sistemas preventivos de fraude”.
O impacto da medida no sistema financeiro
Com a nova versão do MED, o Banco Central espera que a confiança dos usuários no Pix aumente ainda mais, consolidando o sistema como o meio de pagamento preferido dos brasileiros. Além disso, a medida deve forçar a modernização dos sistemas antifraude dos bancos, elevando o padrão de proteção no setor.
Por outro lado, algumas fintechs expressaram preocupação com os custos operacionais da nova versão, principalmente aquelas de menor porte que ainda não têm estrutura automatizada de contestação. O Banco Central afirma que dará suporte técnico durante a transição.
Como se proteger de golpes no Pix

Apesar dos avanços tecnológicos, a prevenção continua sendo a melhor defesa contra fraudes. Veja algumas orientações:
- Nunca compartilhe sua senha ou código de verificação com terceiros
- Desconfie de mensagens que peçam transferências urgentes
- Ative a validação em duas etapas em seus aplicativos bancários
- Use limites diários e noturnos no Pix
- Denuncie imediatamente qualquer transação suspeita à sua instituição financeira
Conclusão
A nova versão do Mecanismo Especial de Devolução do Pix surge como uma resposta do Banco Central à crescente sofisticação dos golpes digitais. Com ferramentas mais ágeis, prazos mais curtos e uso de tecnologia de ponta, o sistema pretende reduzir significativamente as perdas financeiras dos usuários e restaurar a confiança no ambiente digital.
Embora a medida não elimine os riscos, ela fortalece a responsabilidade das instituições financeiras e dá mais poder ao cidadão na defesa de seu patrimônio. A era do Pix mais seguro está prestes a começar — e a participação ativa do usuário será fundamental nesse processo.
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