Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

Combate às fake news paralisa aprovação do código eleitoral no Senado

Proposta de novo Código Eleitoral é adiada no Senado por embate sobre conteúdo falso e regras eleitorais.

Fernanda RamosPor Fernanda Ramos4 min de leitura
Bolsa Família MDS

O Senado adiou a votação do novo Código Eleitoral, em meio a embate intenso sobre dispositivos que visam combater fake news. O projeto, que unifica sete legislações, ficou paralisado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) após pressão da oposição, que enxergou restrições à liberdade de expressão nas normas propostas.

O tema central envolve estabelecer limites claros entre regulação do discurso eleitoral e a garantia da democracia.

Leia mais: Fake news: governo desmente benefício extra de R$ 300 e faz alerta

Tensão entre regulação e liberdade de expressão

fake news golpes
Imagem: McLittle Stock / shutterstock.com

O cerne do atrito está nos artigos que definem punições para quem divulgar conteúdos falsos durante campanhas. Essas medidas, com previsão de até quatro anos de prisão e multa, enfrentaram resistência de senadores ligados à oposição e ao ex-presidente Bolsonaro, que criticam o texto como forma disfarçada de censura.

O senador Rogério Marinho (PL-RN) resumiu esse temor:

“Você está criminalizando a crítica, está restringindo o debate público, está imputando penas às pessoas pela simples discordância.”

Em contrapartida, o relator Marcelo Castro (MDB-PI) defende que a norma não visa silenciar opiniões, mas proteger o processo eleitoral:

“A democracia tem que ter mecanismos para se defender. As pessoas têm que julgar baseado em fatos reais, e não em mentiras.”

Fake news: ponto de ataque

Entre as medidas mais simbólicas estão:

  • Art. 368 §4º — proíbe uso de recursos públicos para “propagação de mensagens falsas” ou discurso de ódio.
  • Art. 454 — veta difusão de “fatos sabidamente inverídicos” que possam influenciar votos, intimidar eleitores ou prejudicar candidatos de forma desigual. O dispositivo também considera ilegal incitar violência, atacar a forma democrática de governo ou promover discursos misóginos.

Estas regras têm peso prático: violá-las pode resultar em prisão de 1 a 4 anos, pelo uso de “fatos inverídicos para causar atentado grave à igualdade” e promover desconfiança nas urnas.

O senador Mecias de Jesus (Republicanos-RR) alertou que a norma abriria espaço a censura prévia:

“Se criticar o sistema eleitoral, o cara vai preso, perde o mandato.”

O relator rebateu alegando que apenas se enquadram penalizações às condutas que buscam desacreditar o pleito de forma cínica, e não às críticas legítimas.

Segurança da urna e quarentena para certos servidores

Sistemas blindados

Além das fake news, o projeto trata das regras técnicas sobre a segurança da urna eletrônica, ponto de preocupação crescente desde o pleito de 2022.

Regras para candidatos ocupantes de cargos públicos

Outra inovação é a exigência de afastamento prévio de agentes públicos — juízes, promotores, policiais e militares — por até dois anos antes da candidatura, evitando o uso de influência institucional durante a disputa. Castro inicialmente propôs quatro anos, mas reduziu para atender a sensibilidades políticas.

O ex-juiz e senador Sérgio Moro (União-PR) externou dúvidas sobre o rigor da quarentena, considerando-a excessiva.

Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.

+311 mil seguidores

Seguir no Google

Cotas de gênero: avanços e críticas

O texto ainda propõe que candidatas mulheres ocupem pelo menos 20% das vagas parlamentares, desde que tenham obtido no mínimo 10% do quociente eleitoral. O argumento é ampliar a participação feminina no Legislativo.

Críticos como Eduardo Girão (PL-CE) consideram a medida injusta e discriminatória, enquanto apoiadores, como Eliziane Gama (PSD-MA), defendem que sem cotas levaria cem anos para alcançar igualdade real na política.

Próximos passos e flexibilidade política

pessoa espalhando fake news pelo computador
Código Penal já possui punições para quem espalha fake news | Reprodução/ Frank Peters – Shutterstock

Diante da forte resistência, a CCJ do Senado decidiu por adiar a votação para 9 de julho. O relator, em negociação com partidos, liberou prazo até 2 de julho para apresentação de emendas que possam ajustar o texto, criando espaço para acordos e concessões.

A abrangência do PLP 112/2021

O novo Código Eleitoral reúne normas sobre:

  1. Prestação de contas de campanha
  2. Fiscalização das urnas eletrônicas
  3. Propaganda eleitoral online
  4. Punições por fake news
  5. Inelegibilidade de até 8 anos (Lei da Ficha Limpa)
  6. Regras sobre candidaturas de servidores públicos
  7. Representação mínima de mulheres

Com quase 900 artigos, o projeto representa uma reforma profunda no regime eleitoral brasileiro, com mudanças em múltiplas frentes.

Com informações de: Agência Brasil

Fernanda Ramos

Autor

Fernanda Ramos

Fernanda é graduanda em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com sólida formação em língua portuguesa. Atua na estruturação, revisão e aprimoramento textual dos conteúdos do portal Seu Crédito Digital, garantindo clareza, coesão e qualidade editorial. Apaixonada por comunicação, tem como missão facilitar o acesso à informação com linguagem acessível e confiável.

Topicos relacionados