O Senado adiou a votação do novo Código Eleitoral, em meio a embate intenso sobre dispositivos que visam combater fake news. O projeto, que unifica sete legislações, ficou paralisado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) após pressão da oposição, que enxergou restrições à liberdade de expressão nas normas propostas.
Combate às fake news paralisa aprovação do código eleitoral no Senado
Proposta de novo Código Eleitoral é adiada no Senado por embate sobre conteúdo falso e regras eleitorais.
O tema central envolve estabelecer limites claros entre regulação do discurso eleitoral e a garantia da democracia.
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Tensão entre regulação e liberdade de expressão

O cerne do atrito está nos artigos que definem punições para quem divulgar conteúdos falsos durante campanhas. Essas medidas, com previsão de até quatro anos de prisão e multa, enfrentaram resistência de senadores ligados à oposição e ao ex-presidente Bolsonaro, que criticam o texto como forma disfarçada de censura.
O senador Rogério Marinho (PL-RN) resumiu esse temor:
“Você está criminalizando a crítica, está restringindo o debate público, está imputando penas às pessoas pela simples discordância.”
Em contrapartida, o relator Marcelo Castro (MDB-PI) defende que a norma não visa silenciar opiniões, mas proteger o processo eleitoral:
“A democracia tem que ter mecanismos para se defender. As pessoas têm que julgar baseado em fatos reais, e não em mentiras.”
Fake news: ponto de ataque
Entre as medidas mais simbólicas estão:
- Art. 368 §4º — proíbe uso de recursos públicos para “propagação de mensagens falsas” ou discurso de ódio.
- Art. 454 — veta difusão de “fatos sabidamente inverídicos” que possam influenciar votos, intimidar eleitores ou prejudicar candidatos de forma desigual. O dispositivo também considera ilegal incitar violência, atacar a forma democrática de governo ou promover discursos misóginos.
Estas regras têm peso prático: violá-las pode resultar em prisão de 1 a 4 anos, pelo uso de “fatos inverídicos para causar atentado grave à igualdade” e promover desconfiança nas urnas.
O senador Mecias de Jesus (Republicanos-RR) alertou que a norma abriria espaço a censura prévia:
“Se criticar o sistema eleitoral, o cara vai preso, perde o mandato.”
O relator rebateu alegando que apenas se enquadram penalizações às condutas que buscam desacreditar o pleito de forma cínica, e não às críticas legítimas.
Segurança da urna e quarentena para certos servidores
Sistemas blindados
Além das fake news, o projeto trata das regras técnicas sobre a segurança da urna eletrônica, ponto de preocupação crescente desde o pleito de 2022.
Regras para candidatos ocupantes de cargos públicos
Outra inovação é a exigência de afastamento prévio de agentes públicos — juízes, promotores, policiais e militares — por até dois anos antes da candidatura, evitando o uso de influência institucional durante a disputa. Castro inicialmente propôs quatro anos, mas reduziu para atender a sensibilidades políticas.
O ex-juiz e senador Sérgio Moro (União-PR) externou dúvidas sobre o rigor da quarentena, considerando-a excessiva.
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Cotas de gênero: avanços e críticas
O texto ainda propõe que candidatas mulheres ocupem pelo menos 20% das vagas parlamentares, desde que tenham obtido no mínimo 10% do quociente eleitoral. O argumento é ampliar a participação feminina no Legislativo.
Críticos como Eduardo Girão (PL-CE) consideram a medida injusta e discriminatória, enquanto apoiadores, como Eliziane Gama (PSD-MA), defendem que sem cotas levaria cem anos para alcançar igualdade real na política.
Próximos passos e flexibilidade política

Diante da forte resistência, a CCJ do Senado decidiu por adiar a votação para 9 de julho. O relator, em negociação com partidos, liberou prazo até 2 de julho para apresentação de emendas que possam ajustar o texto, criando espaço para acordos e concessões.
A abrangência do PLP 112/2021
O novo Código Eleitoral reúne normas sobre:
- Prestação de contas de campanha
- Fiscalização das urnas eletrônicas
- Propaganda eleitoral online
- Punições por fake news
- Inelegibilidade de até 8 anos (Lei da Ficha Limpa)
- Regras sobre candidaturas de servidores públicos
- Representação mínima de mulheres
Com quase 900 artigos, o projeto representa uma reforma profunda no regime eleitoral brasileiro, com mudanças em múltiplas frentes.
Com informações de: Agência Brasil
