Desde a última sexta-feira (25), trabalhadores com carteira assinada têm acesso a uma nova ferramenta para reorganizar sua vida financeira: o consignado CLT, uma modalidade de crédito que permite substituir dívidas caras por empréstimos com juros mais acessíveis.
Novo consignado CLT permite substituir dívidas caras por empréstimos com taxas reduzidas
Novo consignado CLT permite substituir empréstimos caros por dívidas com juros reduzidos. Saiba como funciona e quem pode se beneficiar.
O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) confirmou que 70 instituições financeiras já estão aptas a operar com a linha de crédito, e a expectativa do governo é que a iniciativa reduza significativamente o endividamento da população.
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Como funciona o novo consignado CLT

Desconto direto na folha com limite de comprometimento
O crédito consignado CLT funciona com o desconto automático das parcelas diretamente na folha de pagamento do trabalhador. De acordo com a regulamentação atual, o valor das prestações não pode ultrapassar 35% do salário mensal.
Essa modalidade oferece juros mais baixos por contar com maior segurança para os bancos, que veem menor risco de inadimplência quando o pagamento é garantido diretamente pelo salário do trabalhador.
Propostas agora podem ser feitas diretamente nos bancos
A principal novidade é que, além do aplicativo CTPS Digital, agora os bancos também estão autorizados a oferecer propostas diretamente por seus canais — como aplicativos, agências físicas ou atendimento telefônico. Isso facilita a adesão dos clientes, que podem comparar simulações, negociar taxas e contratar o empréstimo com mais praticidade.
Troca de dívidas caras por taxas mais baixas
CDCs e outros empréstimos com juros altos podem ser substituídos
Segundo o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, a ideia é migrar parte dos atuais R$ 120 bilhões em empréstimos pessoais e Créditos Diretos ao Consumidor (CDCs) para o consignado CLT. “O CDC, hoje, tem uma taxa de juros muito alta, em torno de 7% a 8% ao mês, e o trabalhador poderá renegociar sua dívida com juros inferiores à metade desse valor”, afirmou o ministro.
Qual a taxa de juros do consignado CLT?
Embora o MTE ainda não tenha divulgado a média oficial, estimativas iniciais do Ministério da Fazenda apontam que as taxas do novo consignado estão em torno de 3% ao mês. A diferença é significativa para quem busca substituir empréstimos com juros superiores, como os do cartão de crédito ou do cheque especial.
Vale a pena para outros tipos de dívida?
Cartão de crédito e cheque especial também podem ser quitados
Mesmo quem não possui dívidas em CDCs ou empréstimos consignados pode aproveitar o novo crédito. É possível usar o consignado CLT para quitar débitos em modalidades como cartão de crédito ou cheque especial, cujos juros ultrapassam facilmente os 10% ao mês.
No entanto, o Ministério do Trabalho alerta: é fundamental evitar o acúmulo de novas dívidas após a quitação. Antes de contratar o empréstimo, o ideal é negociar diretamente a dívida em aberto com a instituição financeira e usar o novo crédito como alternativa apenas se as condições forem realmente mais vantajosas.
Garantias em caso de demissão
FGTS como parte da garantia do empréstimo
Uma das grandes dúvidas dos trabalhadores gira em torno da continuidade do pagamento em caso de demissão. A regulamentação permite que o cliente utilize até 10% do saldo do FGTS e a totalidade da multa rescisória como garantias para o empréstimo.
Essa medida busca dar mais segurança aos bancos e, ao mesmo tempo, não inviabilizar o acesso ao crédito mesmo diante de possíveis rupturas no contrato de trabalho.
Portabilidade deve ampliar competitividade

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Em breve, será possível levar a dívida para outro banco
O governo federal planeja lançar, nos próximos meses, uma plataforma de portabilidade de dívidas. Isso permitirá que trabalhadores levem seus contratos de empréstimo para instituições com condições mais atrativas, promovendo uma maior concorrência bancária.
Segundo o ministro Luiz Marinho, isso forçará os bancos a reduzirem suas taxas para não perderem clientes: “A instituição financeira poderá perder o empréstimo do CDC para outro banco caso não ofereça condições de juros mais competitivas.”
Essa operação será mediada pela Dataprev, estatal vinculada ao Ministério da Gestão e Inovação, que já administra as operações do consignado CLT via CTPS Digital.
Resultados iniciais indicam grande adesão
Mais de R$ 8 bilhões já foram liberados
Até o dia 23 de abril, o MTE informou que R$ 8 bilhões foram liberados por meio de 1,47 milhão de contratos. A média emprestada por trabalhador foi de R$ 5.502,02, com prestações médias de R$ 337,14.
Os Estados com maior número de contratações foram São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraná.
Conclusão
A criação do consignado CLT surge como uma resposta direta à necessidade urgente de reestruturação do crédito no Brasil. Com juros mais baixos, garantia por FGTS e possibilidade de portabilidade futura, o novo modelo oferece alternativas reais para milhões de brasileiros saírem do ciclo de endividamento.
Contudo, é preciso cautela: trocar uma dívida por outra só faz sentido quando há planejamento financeiro e disciplina. Em um país onde o cartão de crédito e o cheque especial ainda são vilões das finanças pessoais, o consignado CLT pode ser a chave para uma recuperação sustentável da economia familiar.
Imagem: Julio Ricco / Shutterstock.com

