O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) anunciou nesta semana uma medida que promete aliviar o endividamento de milhões de brasileiros com carteira assinada. Agora, será possível unificar até nove dívidas — incluindo empréstimos consignados e créditos pessoais — em um único contrato de consignado privado, desde que o total das parcelas não ultrapasse 35% do salário líquido do trabalhador.
Empréstimo consignado: unifique até nove dívidas com a nova regra
Governo permite que trabalhadores CLT unifiquem até nove dívidas em novo consignado com portabilidade e uso do FGTS como garantia.
A novidade faz parte do programa Crédito do Trabalhador e já está disponível graças à integração da funcionalidade no sistema da Dataprev, responsável pela gestão da base de dados dos trabalhadores do setor privado. A expectativa do governo é que essa medida amplie o acesso a crédito com melhores condições e promova mais concorrência bancária, especialmente em um momento de juros elevados e aumento do custo de vida.
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Como funciona o novo modelo de consignado
Unificação de dívidas
Antes da nova medida, os trabalhadores da iniciativa privada estavam limitados a um contrato de consignado ativo por vínculo empregatício. Agora, com a mudança, eles poderão reunir até nove dívidas em um único contrato, o que inclui empréstimos antigos com taxas mais altas e créditos pessoais com prazos curtos e parcelas pesadas.
A principal exigência continua sendo que o valor total das parcelas não ultrapasse 35% do salário líquido, mantendo assim o compromisso de preservar a renda do trabalhador para outras despesas essenciais.
Exemplos de dívidas que podem ser consolidadas
- Empréstimos consignados antigos;
- Créditos pessoais não consignados;
- Financiamentos de curto prazo;
- Dívidas bancárias parceladas com taxas elevadas.
Com a consolidação, o trabalhador pode renegociar prazos e taxas com melhores condições, reduzindo o valor total mensal a pagar e evitando atrasos e inadimplência.
Portabilidade entre bancos e renegociação
Outra inovação significativa é a possibilidade de portabilidade entre instituições financeiras, com manutenção do desconto diretamente na folha de pagamento, mesmo em caso de troca de emprego. Isso significa que, mesmo se o trabalhador mudar de empresa, o desconto continuará ocorrendo automaticamente no novo contracheque, sem necessidade de novo contrato.
A nova regra também permite que os contratos antigos sejam migrados para outras instituições, o que aumenta a concorrência bancária e pode resultar em melhores taxas e prazos.
Vantagens da portabilidade:
- Redução de juros;
- Alongamento de prazos;
- Facilidade no pagamento;
- Continuidade do desconto em nova empresa.
Quantos contratos podem ser unificados?
Segundo o MTE, a funcionalidade permite a unificação de até nove contratos de crédito em uma única operação consignada. No entanto, só é permitido um contrato ativo por vínculo empregatício — ou seja, o trabalhador pode consolidar várias dívidas em um único consignado, mas não pode ter vários consignados ativos simultaneamente com a mesma empresa.
Essa unificação traz mais transparência, controle e previsibilidade financeira para quem está sobrecarregado com múltiplas parcelas de valores e prazos diferentes.
O impacto potencial: mais de R$ 40 bilhões em contratos antigos
Dados apresentados pelo governo mostram que cerca de 3,8 milhões de contratos antigos ainda estão ativos, somando aproximadamente R$ 40 bilhões em dívidas do setor privado. Com a nova funcionalidade da Dataprev, todos esses contratos podem ser elegíveis para migração e consolidação.
Essa movimentação não apenas oferece alívio financeiro imediato para o trabalhador, como também representa uma oportunidade para os bancos refinanciarem operações com garantia de desconto em folha — modelo historicamente mais seguro.
FGTS como garantia: medida ainda não plenamente implementada

Uma das principais apostas do governo para reduzir as taxas de juros do consignado privado é o uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) como garantia complementar dos contratos. A medida, porém, ainda não foi completamente implementada até abril de 2025.
Como deve funcionar o uso do FGTS:
- Até 10% do saldo disponível do FGTS pode ser usado como garantia;
- 100% da multa rescisória de 40% também pode ser incluída como garantia adicional;
- O objetivo é oferecer mais segurança para os bancos, o que permitiria a redução dos juros cobrados.
O Banco Central acredita que, quando o modelo estiver 100% funcional, ele terá impacto direto nas taxas de inadimplência, o que tende a baratear o crédito para o trabalhador da iniciativa privada.
Juros do consignado privado ainda estão altos
Apesar das vantagens oferecidas pela unificação e portabilidade, os juros do consignado privado permanecem elevados. Segundo o Banco Central, a taxa média atingiu 59,1% ao ano em abril de 2025, o maior patamar em 13 anos.
Esse índice reflete o risco de inadimplência mais alto associado aos trabalhadores da iniciativa privada, que podem ser demitidos sem estabilidade. Em comparação, servidores públicos e beneficiários do INSS têm acesso a consignados com taxas mais baixas, pois seus rendimentos são considerados mais estáveis pelas instituições financeiras.
Comparativo de taxas (abril/2025):
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- Consignado privado (trabalhador CLT): 59,1% ao ano
- Consignado INSS: 26,5% ao ano
- Consignado para servidores públicos: 20,9% ao ano
Ainda assim, o novo modelo de unificação pode ajudar a reduzir o impacto dessas taxas, sobretudo para quem renegocia dívidas com juros maiores, como cartões de crédito e empréstimos pessoais, cujas taxas podem ultrapassar os 200% ao ano.
Quem pode solicitar a unificação de dívidas?
A nova modalidade está disponível para trabalhadores formais com carteira assinada (CLT), vinculados ao setor privado. Para acessar o benefício, é necessário:
- Estar empregado formalmente;
- Ter margem consignável disponível (até 35% da renda líquida);
- Ter um contrato ativo ou múltiplos contratos passíveis de migração;
- Negociar a operação com bancos ou instituições financeiras autorizadas.
Como contratar a unificação
O processo de unificação e portabilidade pode ser feito diretamente com o banco ou instituição financeira que oferece o consignado privado. É importante:
- Consultar o extrato da margem consignável, disponível em sistemas integrados com a Dataprev;
- Solicitar a portabilidade de contratos antigos com juros mais altos;
- Negociar novas condições com o banco desejado;
- Autorizar o desconto em folha por meio do empregador ou sistema integrado.
Dica: Compare propostas
Diferentes instituições oferecem taxas e prazos variados. O ideal é comparar as condições entre bancos antes de consolidar todas as dívidas em um único contrato.
Expectativas do governo com o programa Crédito do Trabalhador

O programa Crédito do Trabalhador foi desenvolvido para ampliar o acesso ao crédito de forma mais estruturada e com menor risco. Com 46 milhões de brasileiros com carteira assinada, o potencial de transformação financeira é expressivo.
O governo espera:
- Reduzir a inadimplência;
- Ampliar a educação financeira;
- Estimular a portabilidade;
- Ampliar o uso consciente do crédito.
Além disso, com a inclusão do FGTS como garantia e a transparência da Dataprev, espera-se mais segurança para os bancos e mais justiça para os trabalhadores.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
