A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) emitiu um alerta nesta semana sobre os impactos das mudanças no Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) anunciadas pelo governo federal. Segundo a entidade, o aumento pode elevar em até 40% o custo efetivo do crédito, prejudicando especialmente micro, pequenas e médias empresas.
Febraban estima aumento de até 40% no custo efetivo do crédito com novo IOF
A Febraban alerta que o novo aumento do IOF anunciado pelo governo pode elevar o custo efetivo do crédito em até 40%. Confira!
O presidente da Febraban, Isaac Sidney, afirmou que o setor bancário está preocupado e já iniciou diálogo com o Ministério da Fazenda para buscar alternativas ao aumento. Em reunião realizada em Brasília com o ministro Fernando Haddad, dirigentes dos principais bancos do país também expressaram inquietação com os efeitos da medida sobre o crédito, a produção e o investimento.
Entenda o que mudou no IOF

O Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) é um tributo federal cobrado sobre operações de crédito, câmbio, seguros e operações relacionadas a títulos ou valores mobiliários.
Leia mais: Governo abre possibilidade de revisar aumento do IOF após diálogo com bancos
Quais mudanças foram anunciadas?
Na última quinta-feira (22), o governo federal anunciou aumento das alíquotas de IOF para operações empresariais, câmbio e alguns planos de seguro utilizados como investimentos. O objetivo é reforçar o caixa da União diante do desafio fiscal.
| Mudanças no IOF | Descrição |
|---|---|
| Operações empresariais | Elevação das alíquotas incidentes sobre empréstimos |
| Câmbio | Aumento de imposto nas operações de compra e venda |
| Planos de seguro usados como investimento | Tributação mais pesada para contratos de longo prazo |
Segundo a equipe econômica, a medida pode gerar uma arrecadação adicional de R$ 61 bilhões em dois anos: R$ 20 bilhões em 2025 e R$ 41 bilhões em 2026.
O impacto para micro, pequenas e médias empresas
Segundo avaliação de Isaac Sidney, presidente da Febraban, o impacto mais pesado do aumento no custo do crédito recairá sobre as micro, pequenas e médias empresas (MPMEs), que dependem fortemente de financiamentos para manter suas atividades operacionais. Isso ocorre porque elas dependem fortemente de empréstimos de curto prazo para financiar capital de giro, pagar fornecedores e manter as operações.
Sidney destacou que, em uma operação de curto prazo, a variação no custo efetivo total pode ficar entre 14,5% e 40% em termos de taxas de juros. De acordo com ele, esse aumento representa um impacto substancial que pode comprometer a saúde financeira de negócios já pressionados por margens apertadas.
Alternativas em estudo pelo governo e bancos
O que propõe a Febraban?
A Febraban apresentou ao Ministério da Fazenda um conjunto de alternativas para aumentar a arrecadação sem recorrer ao aumento do IOF. Segundo a entidade, essas propostas envolvem novas fontes de receita e cortes de despesas. No entanto, os detalhes ainda não foram divulgados, pois dependem de discussões técnicas com a equipe econômica.
Como o governo respondeu?
Após a reunião com os dirigentes bancários, o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, informou que a equipe econômica analisará cuidadosamente as propostas da Febraban e do ministério para definir as alternativas mais adequadas ao cenário atual do país.
Por que o governo aumentou o IOF?
Com um cenário fiscal desafiador, o governo busca fontes imediatas para equilibrar as contas sem aumentar ainda mais o déficit.
A arrecadação esperada, segundo cálculos oficiais, seria distribuída da seguinte forma:
| Ano | Arrecadação esperada com IOF |
|---|---|
| 2025 | R$ 20 bilhões |
| 2026 | R$ 41 bilhões |
Consequências para o mercado financeiro

Bancos pressionados
Os principais bancos do país – Itaú, Bradesco, Santander e BTG Pactual – manifestaram preocupação com os impactos das mudanças. Durante a reunião com Haddad, os presidentes das instituições alertaram para o risco de retração no crédito, caso o aumento do IOF não seja revisto.
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FAQ
Quem será mais afetado pelo aumento do IOF?
Segundo a Febraban, micro, pequenas e médias empresas serão as mais prejudicadas, já que dependem intensamente de crédito bancário para manter suas operações.
Qual o impacto estimado no custo do crédito?
A Febraban estima que o custo efetivo total do crédito pode aumentar entre 14,5% e 40%, dependendo do tipo e prazo da operação.
O governo pode rever o aumento do IOF?
Sim. O Ministério da Fazenda afirmou que está analisando alternativas apresentadas pelos bancos para substituir o aumento do IOF.
Considerações finais
O aumento do IOF anunciado pelo governo federal tem gerado apreensão no setor financeiro e empresarial. Com potencial para elevar significativamente o custo do crédito, a medida ameaça especialmente micro, pequenas e médias empresas, que já enfrentam desafios para acessar financiamento.
Enquanto o Ministério da Fazenda sinaliza disposição para dialogar e avaliar alternativas, o setor produtivo acompanha atento os próximos passos. O desfecho dessas negociações será crucial para definir os rumos do crédito, da produção e dos investimentos no Brasil nos próximos anos.
