O governo federal anunciou uma alteração significativa nas alíquotas do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) aplicadas em transações internacionais.
A medida afeta diretamente brasileiros que planejam viajar para o exterior, especialmente aqueles que utilizam cartões internacionais, compram moeda estrangeira ou transferem recursos para contas próprias no exterior. Antes, o IOF variava de acordo com o tipo de operação.
A compra de papel-moeda tinha a menor alíquota (1,1%), enquanto o uso do cartão de crédito era o mais oneroso, com IOF de até 6,38% nos anos anteriores. A nova regra estabelece uma alíquota única de 3,5% para praticamente todos os meios de pagamento usados por turistas.
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IOF igualado entre diferentes formas de pagamento

Comparativo: antes e depois da mudança
| Meio de pagamento | IOF anterior | IOF atual |
|---|---|---|
| Papel-moeda (compra em espécie) | 1,1% | 3,5% |
| Cartão pré-pago internacional | 3,38% | 3,5% |
| Cartão de crédito ou débito internacional | 3,38% | 3,5% |
| Transferência para conta internacional de mesma titularidade | 1,1% | 3,5% |
Por que isso importa?
Antes da mudança, comprar moeda em espécie era considerado a melhor alternativa para economizar no IOF. Agora, com a equalização das taxas, essa vantagem desapareceu. Isso força o viajante a avaliar outros fatores, como o câmbio aplicado pelas instituições financeiras.
E o câmbio? O novo fator determinante do custo da viagem
Como funciona o câmbio na prática
Com o IOF unificado, o fator mais relevante na escolha do meio de pagamento passa a ser o câmbio. Bancos, corretoras e casas de câmbio praticam diferentes taxas, com variações chamadas de spread — a diferença entre o dólar comercial e o dólar turismo.
Além disso, transações com cartões de crédito passaram a considerar o câmbio do dia da compra, e não mais o do fechamento da fatura. Isso ajuda a reduzir a imprevisibilidade do valor final gasto no exterior, mas ainda exige atenção do viajante.
“O papel-moeda e a conta global perdem atratividade com as novas regras”, destaca Diego Costa, especialista da B&T XP.
Compras online internacionais continuam com IOF
O que muda nas compras em sites como Shein e AliExpress?
De acordo com o governo, nada muda para compras realizadas diretamente em sites internacionais. Contudo, se o consumidor optar por pagar com um cartão de crédito internacional, o novo IOF de 3,5% será aplicado. Essa alíquota substitui a antiga de 3,38%, trazendo um pequeno aumento no custo final dessas compras.
Qual será o impacto na sua viagem?
Viagens mais caras
Segundo especialistas, a mudança afeta de forma direta os custos totais da viagem. O novo IOF aumenta o valor pago em moeda estrangeira, reduz o atrativo das alternativas antes mais econômicas e pode impactar o orçamento do turista que não se planejou com antecedência.
“A mudança do IOF tem um impacto direto e relevante para os turistas brasileiros”, afirma Jeff Patzlaff, planejador financeiro.
Como se proteger e economizar mesmo com o novo IOF
Estratégias recomendadas por especialistas
1. Antecipe a compra de moeda estrangeira
Comprar dólares ou euros o quanto antes pode ser uma boa estratégia para travar uma taxa de câmbio mais favorável. Mesmo com o IOF fixo, o câmbio é volátil e tende a oscilar em momentos de mudanças tributárias.
2. Compare o câmbio em diferentes instituições
Faça uma pesquisa entre bancos, corretoras e casas de câmbio. O spread varia significativamente e pode representar uma economia maior do que a diferença de IOF anteriormente observada.
3. Utilize cartões com benefícios em viagens
Cartões com programas de milhas, cashback internacional ou que oferecem seguros gratuitos podem compensar parte dos custos do IOF. Avalie o custo-benefício antes de escolher seu meio de pagamento.
4. Planeje os gastos e use cartões com controle de câmbio
Evite surpresas. Dê preferência a cartões que permitem travar o câmbio no momento da compra, o que garante previsibilidade e evita prejuízos com variações inesperadas.
O que dizem os especialistas sobre a medida?

Antonio Pontes, sócio da The Hill Capital, acredita que a estratégia ideal é agir com antecedência.
“Aconselho quem for viajar a comprar moeda ou enviar recursos agora. Assim, garante uma taxa de câmbio já fixada e reduz riscos com surpresas.”
Já Patzlaff alerta para o novo cenário tributário:
“A mudança cria um ambiente menos vantajoso para o turista. Planejamento e pesquisa se tornam essenciais.”
Conclusão: viajar exige ainda mais planejamento
O novo IOF não inviabiliza viagens internacionais, mas aumenta a necessidade de organização e conhecimento sobre como o dinheiro será usado no exterior. A igualdade entre os meios de pagamento torna a comparação de câmbio e a antecipação de despesas elementos decisivos para evitar prejuízos.
Com um imposto padronizado em 3,5%, o viajante deve focar em minimizar o impacto do câmbio, evitar taxas bancárias desnecessárias e utilizar ferramentas que tragam previsibilidade ao orçamento.
Imagem: Canva
