Um novo projeto de lei em tramitação na Câmara dos Deputados pode mudar significativamente a remuneração de milhões de trabalhadores do comércio no Brasil. A proposta estabelece um piso salarial nacional de R$ 2.500 para profissionais do setor de comércio de bens, serviços e turismo.
Novo piso salarial: saiba se o salário de R$ 2.500 para o comércio será aprovado
Projeto de lei propõe piso salarial de R$ 2.500 para trabalhadores do comércio. Entenda como funcionará o reajuste e quem pode receber mais.
O Projeto de Lei 6508/25 também cria um segundo nível de remuneração para quem comprovar qualificação profissional, elevando o salário para R$ 2.750. A iniciativa faz parte da chamada Política Nacional de Valorização do Comerciário, que busca incentivar capacitação e melhorar a renda da categoria.
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o comércio emprega mais de 10 milhões de trabalhadores no país, sendo um dos setores mais importantes da economia brasileira. Apesar disso, a remuneração média ainda é considerada baixa em comparação com a relevância econômica da área.
Como funcionará o novo piso salarial?
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O projeto prevê dois níveis salariais para uma jornada padrão de 40 horas semanais.
Piso salarial base
O valor mínimo proposto é de:
- R$ 2.500 por mês para trabalhadores do comércio de bens, serviços e turismo.
Esse valor funcionaria como piso nacional para a categoria, semelhante ao que já ocorre em algumas profissões regulamentadas.
Na prática, isso significa que empresas não poderiam pagar menos que esse valor para funcionários enquadrados nas atividades do setor, salvo em casos específicos definidos em convenções coletivas ou contratos especiais previstos em lei.
Piso salarial qualificado
A proposta também cria um incentivo financeiro para trabalhadores que investirem em formação profissional.
Quem comprovar ao menos 160 horas de cursos de qualificação, aperfeiçoamento ou formação técnica poderá receber um piso maior:
- R$ 2.750 por mês
Os cursos aceitos deverão ser oferecidos por instituições reconhecidas oficialmente.
Entre elas estão:
- Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac)
- Instituições de ensino reconhecidas pelo Ministério da Educação (MEC)
Esse modelo busca estimular a capacitação contínua dentro do setor.
Objetivo da política de valorização do comerciário
A proposta faz parte de uma política mais ampla voltada à valorização dos trabalhadores do comércio.
O objetivo é criar um ciclo positivo no setor:
- trabalhadores mais qualificados
- aumento da produtividade
- crescimento das empresas
- melhoria nos salários
O comércio tem papel central na economia brasileira, sendo responsável por uma parcela significativa da geração de empregos formais.
No entanto, muitos profissionais da área ainda recebem salários próximos ao mínimo nacional, o que limita o poder de compra e a estabilidade financeira dessas famílias.
A criação de um piso nacional busca reduzir essas desigualdades.
Como funcionará o reajuste anual do piso?
Outro ponto importante do projeto é a criação de uma regra automática de reajuste anual para o piso salarial.
O texto prevê que a atualização dos valores ocorra sempre em 1º de janeiro.
Fórmula de reajuste
O aumento será calculado com base em dois fatores:
- inflação medida pelo INPC
- crescimento real do setor de comércio
A fórmula proposta funciona da seguinte forma:
INPC + 50% do crescimento real da receita do comércio registrado no ano anterior pelo IBGE.
Esse mecanismo busca garantir aumento real sempre que o setor apresentar crescimento.
Reajuste em caso de crise econômica
Caso o setor de comércio registre estagnação ou queda de receita, o reajuste será feito apenas pela inflação.
Isso significa que:
- o salário não perde poder de compra
- mas também não haverá aumento real naquele ano
A medida tenta equilibrar os interesses dos trabalhadores e das empresas.
Quantos trabalhadores podem ser impactados?
Dados recentes do IBGE indicam que mais de 10,6 milhões de brasileiros trabalham na área, incluindo:
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- vendedores
- atendentes
- operadores de caixa
- gerentes de loja
- trabalhadores do comércio eletrônico
- profissionais ligados ao turismo e serviços
Se aprovado, o projeto poderá impactar diretamente a renda desses trabalhadores.
Em muitas cidades brasileiras, especialmente em regiões de menor renda, salários do comércio ainda giram em torno do salário mínimo ou pouco acima dele.
Por isso, o piso de R$ 2.500 representaria um aumento relevante para parte da categoria.
O que motivou a criação do projeto?
A proposta foi apresentada com o objetivo de corrigir uma distorção histórica no mercado de trabalho brasileiro.
O comércio tem grande importância estratégica para a economia nacional, movimentando bilhões de reais todos os anos e gerando milhões de empregos.
Mesmo assim, muitos profissionais do setor enfrentam remuneração considerada baixa em comparação com a produtividade e o volume de negócios gerado.
A ideia do projeto é aproximar a valorização salarial da importância econômica da atividade.
Além disso, o incentivo à qualificação profissional pode ajudar empresas a melhorar atendimento, gestão e competitividade.
Etapas do projeto
O projeto ainda não foi aprovado.
Atualmente, ele tramita na Câmara dos Deputados em caráter conclusivo.
Isso significa que a proposta será analisada inicialmente por comissões temáticas antes de seguir para votação final.
Somente após aprovação nas duas casas legislativas e sanção presidencial o novo piso salarial poderá entrar em vigor.
Considerações finais
O projeto que estabelece um piso salarial de R$ 2.500 para trabalhadores do comércio representa uma tentativa de valorizar uma das maiores categorias profissionais do Brasil.
A proposta também introduz um modelo que estimula a qualificação profissional, oferecendo remuneração maior para quem investir em capacitação.
Apesar de ainda estar em fase de análise no Congresso Nacional, o tema já mobiliza debates sobre salários, produtividade e valorização do trabalho no setor de comércio.
Se aprovado, o projeto poderá impactar milhões de trabalhadores e modificar a estrutura salarial de uma das áreas mais importantes da economia brasileira.
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