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Novo selo energético da UE coloca iPads na pior categoria; Apple contesta metodologia

Novo selo energético da UE dá nota G aos iPads e acende alerta sobre durabilidade; Apple rebate metodologia e defende sustentabilidade.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto5 min de leitura
Apple

A União Europeia lançou, em 20 de junho de 2025, uma nova versão do selo energético aplicado a dispositivos eletrônicos portáteis, como celulares e tablets. A medida visa fornecer aos consumidores informações mais precisas sobre a durabilidade, eficiência e reparabilidade dos produtos. Inspirado no selo Procel brasileiro, o novo rótulo europeu apresenta notas que vão de A (excelente) a G (péssima). A iniciativa, no entanto, já provocou tensão entre fabricantes — em especial, com a Apple, após a classificação mais baixa possível ser atribuída a modelos de iPad.

Enquanto os recém-lançados iPhone 16 e 16 Pro receberam inicialmente a nota A, a Apple optou por rebaixar voluntariamente sua avaliação para B, citando incertezas na metodologia aplicada pela União Europeia. Mas o maior ponto de atrito foi a classificação G dada aos tablets iPad Pro de 11 polegadas e iPad Air de 11 polegadas, o que levou a gigante norte-americana a contestar publicamente os critérios do novo sistema europeu.

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Entenda como funciona o novo selo europeu

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Imagem: WinFuture

Classificação ampla e transparente para o consumidor

O novo selo energético da UE visa aumentar a transparência para os consumidores sobre o ciclo de vida de produtos eletrônicos. Para isso, leva em conta não apenas o consumo energético, mas também a resistência a quedas, proteção contra poeira e água, tempo de suporte a atualizações de software, reparabilidade, e principalmente, a durabilidade da bateria — um dos fatores centrais para o prolongamento do uso dos dispositivos.

A UE afirma que o sistema de rotulagem considera testes laboratoriais independentes e critérios técnicos padronizados. A ideia é estimular a adoção de práticas sustentáveis tanto pelos consumidores quanto pelas fabricantes, contribuindo para a meta de neutralidade climática do bloco até 2050.


Apple critica testes e questiona validade da nota G para os iPads

“Não reflete o uso real”, diz empresa sobre os testes de queda

A Apple reagiu duramente à nota G atribuída aos seus tablets mais recentes. Em comunicado, a empresa alegou que os testes de queda, um dos critérios usados para a avaliação da durabilidade, não são representativos do uso real que os consumidores fazem dos iPads.

Além disso, a companhia contestou o fato de a amostra utilizada para os testes ser de apenas cinco dispositivos por modelo, o que, segundo a Apple, não é estatisticamente confiável para avaliações de durabilidade em larga escala. A falta de definições claras sobre os métodos de teste também foi apontada como falha crítica pela fabricante.

“Os critérios adotados pela União Europeia carecem de consistência metodológica. Trabalhamos com rigor em testes internos que se baseiam em milhões de usuários reais e feedback constante do uso cotidiano de nossos produtos”, destacou a nota oficial da Apple.


iPhone 16 tem nota reduzida voluntariamente

Prevenção contra más interpretações

Curiosamente, mesmo com avaliação inicial positiva — nota A —, a Apple optou por reduzir para B a classificação dos modelos iPhone 16 e 16 Pro no novo selo da UE. Segundo a empresa, a decisão foi tomada de forma preventiva, como forma de evitar interpretações divergentes por parte de auditores independentes, já que alguns critérios poderiam ser interpretados de formas distintas devido à linguagem ambígua dos testes.

A atitude evidencia a cautela da empresa diante de um ambiente regulatório europeu que tem se tornado cada vez mais rigoroso em relação à sustentabilidade e à proteção do consumidor.


Sustentabilidade: Apple defende histórico ambiental

Atualizações longas e uso de materiais reciclados

Apesar das críticas ao selo, a Apple ressaltou seu comprometimento com práticas sustentáveis. A empresa citou como exemplos:

  • Suporte a atualizações de software por mais de cinco anos;
  • Uso crescente de materiais reciclados em dispositivos;
  • Produção de baterias com vida útil ampliada;
  • Redução progressiva do uso de plásticos em embalagens.

A companhia também destacou sua meta de se tornar carbono neutra até 2030, abrangendo toda a cadeia de fornecimento e o ciclo de vida dos produtos.

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Ainda assim, especialistas destacam que a classificação G nos iPads pode impactar a imagem da empresa junto ao público europeu, que tem se mostrado cada vez mais atento às questões ambientais e de consumo consciente.


União Europeia ainda não respondeu às críticas

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Imagem: Reprodução

Até o momento, a Comissão Europeia não se pronunciou oficialmente sobre os questionamentos feitos pela Apple. Também não está claro se haverá revisão dos critérios, ajustes metodológicos ou eventuais reclassificações. A tendência, no entanto, é que o novo selo se torne obrigatório para todos os dispositivos vendidos no bloco nos próximos anos.


Impactos para o mercado e o consumidor

Rumo a um novo padrão de consumo?

A adoção de selos energéticos mais abrangentes, como o implementado pela UE, representa uma mudança significativa na forma como o mercado de tecnologia será avaliado e fiscalizado. Mais do que desempenho e inovação, os fabricantes agora enfrentam a pressão regulatória para garantir longevidade, reparabilidade e impacto ambiental reduzido.

Para o consumidor, o selo pode se tornar um importante aliado na hora de decidir qual dispositivo comprar, permitindo comparações objetivas e incentivando práticas mais sustentáveis.


Conclusão

O embate entre a Apple e a União Europeia sobre o novo selo energético evidencia as tensões entre inovação tecnológica e regulamentação ambiental. A nota G atribuída aos iPads pode parecer um golpe à reputação da marca, mas também levanta debates essenciais sobre a transparência nos critérios de avaliação, o uso real dos dispositivos e a responsabilidade das grandes empresas no combate ao desperdício eletrônico.

Com a expansão das políticas ambientais no cenário global, fabricantes que quiserem manter relevância no mercado europeu precisarão adaptar não apenas seus produtos, mas também suas estratégias de comunicação e conformidade. Resta saber se a União Europeia irá ceder às pressões da indústria ou se manterá firme no propósito de transformar a forma como consumimos tecnologia.

Imagem: aPhoenix photographer/Shutterstock.com

Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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