As ações do Nubank (ROXO34) abriram em alta de 0,81% nesta sexta-feira (13), cotadas a R$ 11,25, após uma queda de mais de 5% no pregão anterior. A movimentação ocorre em meio à repercussão do anúncio do governo federal sobre o aumento da alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) para instituições financeiras — medida que provocou reações divergentes no setor e afetou diretamente o desempenho de fintechs na Bolsa.
Ações do Nubank se recuperam e abrem em alta após queda ligada a imposto
Ações do Nubank sobem 0,81% após queda com alta da CSLL. Governo diz que é ajuste; fintechs rebatem e destacam carga maior de tributos.
O recuo nos papéis na véspera foi atribuído ao impacto negativo da Medida Provisória (MP) 1.303/2025, que propõe a reformulação das alíquotas da CSLL. A proposta do Ministério da Fazenda é vista como uma forma de “equalizar” a carga tributária entre os chamados “bancões” e as fintechs, segundo o ministro Fernando Haddad. No entanto, representantes das empresas de tecnologia financeira, como o Nubank, argumentam que a realidade é diferente da narrada pelo governo.
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O que diz a nova Medida Provisória

Entenda as alterações na CSLL
A MP 1.303/2025 tem como objetivo compensar a revogação de um decreto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que aumentaria o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Como forma de equilibrar as contas públicas, o governo optou por elevar as alíquotas da CSLL para algumas categorias do sistema financeiro.
Na prática, a proposta extingue a alíquota mais baixa de 9%, e fixa novos patamares:
- 15% para seguradoras, instituições de pagamento, casas de câmbio e sociedades de crédito imobiliário;
- 20% para bancos de qualquer espécie e sociedades de crédito, financiamento e investimento.
A medida ainda precisa ser avaliada por uma comissão mista do Congresso Nacional, que ainda não foi formada. Em seguida, deverá passar por votação nos plenários da Câmara dos Deputados e do Senado Federal.
Reação do Nubank e do setor de fintechs
Empresa contesta narrativa do governo e mostra números
Em nota divulgada na quinta-feira (12), o Nubank questionou a justificativa apresentada pelo governo para o reajuste das alíquotas. A fintech argumenta que, ao contrário do que foi dito, paga mais impostos de forma efetiva do que muitas instituições tradicionais.
“De acordo com os demonstrativos consolidados das instituições financeiras, a alíquota efetiva do Nubank em 2024 foi de 29,4%, enquanto que a de algumas das maiores instituições tradicionais ficou entre 4,7% e 17,3%”, informou a empresa.
A fintech ressalta ainda que o sistema tributário brasileiro é complexo e que a comparação de alíquotas nominais pode não refletir a real carga tributária das instituições.
“É necessário analisar a realidade integral do cenário tributário brasileiro, incluindo o IRPJ e as estruturas de isenções e compensações adotadas pelos bancos tradicionais”, reforça o comunicado.
Impacto no mercado e avaliação de analistas
Segundo relatório do Itaú BBA, a nova proposta pode afetar significativamente os lucros das fintechs e instituições financeiras menores. A análise estima que, caso o texto seja aprovado como está, os impactos seriam os seguintes:
- B3: queda de até 7% no lucro
- Nubank: recuo de até 6%
- PagSeguro: impacto de 4%
- Stone: redução de 3%
Os analistas ponderam, no entanto, que o projeto ainda está sujeito a mudanças no Congresso e que o impacto final dependerá da versão aprovada.
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A alta das ações nesta sexta: reflexo de oportunidade

A valorização das ações do Nubank nesta sexta-feira reflete uma reação natural do mercado após a forte desvalorização da véspera. Segundo especialistas, investidores aproveitaram o chamado “desconto” nos papéis para comprar ações do banco digital, acreditando em uma possível reversão da tendência negativa ou em uma moderação do texto da medida provisória.
Além disso, a transparência do Nubank ao divulgar sua carga tributária efetiva pode ter contribuído para acalmar os ânimos e reforçar a imagem da empresa como uma organização financeiramente sólida e transparente com o mercado.
Próximos passos: tramitação política será decisiva
Congresso definirá o futuro da medida
A Medida Provisória 1.303/2025 será agora analisada por uma comissão mista no Congresso Nacional. O cenário político é incerto, e a resistência de setores econômicos e parlamentares ligados ao setor financeiro pode influenciar mudanças no texto original.
A tramitação poderá ser acompanhada de perto por investidores e empresas, uma vez que qualquer alteração poderá impactar diretamente os resultados financeiros de diversas companhias listadas na Bolsa.
O governo, por sua vez, defende que a medida é necessária para corrigir distorções e aumentar a arrecadação sem aumentar formalmente a carga tributária. No entanto, críticos apontam que a proposta, ao mirar diretamente em fintechs e instituições de pagamento, pode prejudicar a competitividade e a inovação no setor financeiro.
Imagem: Divulgação/ Nubank
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