O Nubank divulgou um trimestre marcado por crescimento acelerado da carteira de crédito, aumento da inadimplência e lucro abaixo das expectativas do mercado. Embora o banco digital tenha registrado o maior lucro de sua história para um primeiro trimestre, os investidores reagiram negativamente aos resultados, principalmente por causa da elevação das provisões para perdas com crédito.
Nubank eleva provisões para US$ 1,79 bilhão após crescimento da carteira
Nubank acelerou a carteira de crédito, registrou aumento da inadimplência e maiores provisões. Entenda os resultados do trimestre.
A estratégia adotada pela instituição liderada por David Vélez foi ampliar a oferta de crédito em um cenário econômico mais desafiador. Segundo a diretoria financeira, esse movimento faz parte de um plano para conquistar participação de mercado, mesmo que isso represente maiores despesas contábeis no curto prazo.
O resultado levanta um debate importante para investidores e clientes: o crescimento da inadimplência representa um risco para o banco ou faz parte de uma estratégia planejada de expansão?
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Nubank acelerou o crédito acima do esperado
Um dos principais destaques do balanço foi o forte crescimento da carteira de crédito.
No trimestre, o volume total de crédito chegou a US$ 37,2 bilhões, representando uma alta de 13,7% em relação ao trimestre anterior.
O número superou com folga as projeções de analistas do mercado, que esperavam uma expansão próxima de 8%.
Segundo o diretor financeiro (CFO) Guilherme Lago, o Nubank optou deliberadamente por crescer mais rapidamente do que o previsto.
Na avaliação do executivo, essa estratégia permite ampliar a participação da instituição no mercado financeiro, ainda que implique maiores gastos com provisões para perdas futuras.
Por que as provisões aumentaram tanto?
Sempre que um banco concede mais crédito, ele precisa reservar parte dos recursos para cobrir eventuais calotes futuros.
Essas reservas são chamadas de provisões para perdas de crédito.
No trimestre, as provisões do Nubank chegaram a US$ 1,79 bilhão, crescimento de 33% em comparação com o trimestre anterior.
O percentual ficou muito acima das estimativas do mercado, que projetavam um aumento próximo de 7%.
Segundo a administração do banco, o crescimento das provisões não ocorreu porque a qualidade da carteira piorou significativamente, mas sim porque houve um aumento expressivo na concessão de empréstimos.
Em outras palavras, quanto maior o volume de crédito concedido, maior tende a ser o valor reservado para eventuais inadimplências futuras.
Inadimplência subiu, mas banco aponta fatores sazonais
Outro indicador que chamou atenção foi a inadimplência de curto prazo.
O índice conhecido como NPL de 15 a 90 dias passou de 4,1% para 5% entre um trimestre e outro.
Apesar da alta, o Nubank afirma que boa parte desse aumento ocorreu por fatores considerados normais no setor financeiro.
Entre eles estão:
- maior utilização do cartão de crédito durante as compras de fim de ano;
- vencimento dessas faturas no primeiro trimestre;
- sazonalidade tradicional do mercado de crédito.
Além disso, o banco ampliou a oferta de produtos considerados naturalmente mais arriscados, como o empréstimo pessoal, contribuindo para um aumento esperado na inadimplência.
Inteligência artificial está mudando a análise de crédito
Outro ponto destacado pela diretoria foi o uso crescente de inteligência artificial na concessão de crédito.
Segundo o Nubank, os modelos baseados em IA permitem avaliar com mais precisão o perfil financeiro dos clientes.
Com isso, a instituição afirma conseguir:
- conceder crédito para pessoas que antes não eram aprovadas;
- revisar limites de clientes antigos com maior segurança;
- tornar a análise de risco mais eficiente.
De acordo com a empresa, essa tecnologia permite expandir a carteira mantendo níveis de risco considerados controlados.
Ainda assim, o banco ressalta que acompanha constantemente a evolução da inadimplência para ajustar sua política de crédito caso o cenário econômico se deteriore.
Lucro continua elevado, mas ficou abaixo das expectativas
Apesar das despesas maiores com provisões, o Nubank registrou um resultado financeiro robusto.
O banco encerrou o trimestre com:
- lucro líquido de US$ 871 milhões;
- retorno sobre patrimônio (ROE) de 29%.
Embora represente o maior lucro da história da instituição para um primeiro trimestre, o resultado ficou abaixo da expectativa dos analistas, que projetavam cerca de US$ 918 milhões.
Essa diferença ajudou a explicar a reação negativa dos investidores após a divulgação do balanço.
Mercado reagiu com queda das ações
Após a divulgação dos resultados, as ações do Nubank negociadas na Bolsa de Nova York registraram forte desvalorização no mercado após o fechamento do pregão.
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A principal preocupação dos investidores foi justamente o crescimento das provisões e da inadimplência em um momento em que o mercado financeiro acompanha com atenção a qualidade das carteiras de crédito.
Mesmo assim, a administração da empresa afirmou que permanece confortável com os níveis atuais de risco e destacou que possui mecanismos para reduzir rapidamente a concessão de crédito caso o ambiente econômico se torne mais adverso.
Eficiência operacional continua sendo destaque
Se por um lado o crédito gerou preocupações, por outro o Nubank apresentou melhora significativa em sua eficiência operacional.
O índice de eficiência caiu de 19,9% para 17,6%, considerado um dos melhores entre os grandes bancos da América Latina.
Segundo a diretoria, parte importante desse ganho está relacionada ao uso intensivo de inteligência artificial em praticamente todas as áreas da empresa.
Entre os benefícios apontados estão:
- aumento da produtividade dos funcionários;
- automatização de processos internos;
- maior velocidade no desenvolvimento de soluções tecnológicas;
- redução de custos operacionais.
A equipe de engenharia, por exemplo, estaria produzindo aproximadamente o dobro em relação ao período anterior, mantendo elevados padrões de qualidade.
Operação no México alcança um marco importante
Outro destaque do trimestre foi o desempenho internacional.
A operação mexicana atingiu o breakeven, momento em que as receitas passam a cobrir integralmente os custos operacionais.
Além disso, o Nubank alcançou a marca de 15 milhões de clientes no México, consolidando-se como um dos maiores bancos do país.
A expansão internacional continua sendo um dos principais pilares da estratégia de crescimento da companhia.
Base de clientes continua crescendo

Mesmo em um ambiente econômico mais desafiador, o banco segue ampliando sua presença.
Ao final do trimestre, o Nubank atingiu aproximadamente:
- 135 milhões de clientes;
- crescimento de 4 milhões de novos usuários apenas no período analisado.
Segundo a administração, o banco conquistou mais clientes no Brasil e no México ao longo dos últimos 12 meses do que os principais bancos tradicionais desses mercados.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
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