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Nubank confirma demissão de 12 funcionários após polêmica com home office

Nubank confirma demissão de 12 funcionários após conflito interno sobre mudanças no modelo de trabalho híbrido até 2027.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto6 min de leitura
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O Nubank, uma das maiores fintechs da América Latina, confirmou nesta sexta-feira (7) a demissão de 12 funcionários após uma reunião interna marcada por tensão e críticas sobre a nova política de trabalho híbrido da empresa.

O episódio, que ganhou destaque nas redes e nos bastidores corporativos, revelou o impacto da decisão do banco digital de encerrar, gradualmente, o modelo de home office total adotado durante e após a pandemia.

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Mudança gradual no modelo de trabalho

De acordo com o comunicado oficial do Nubank, o novo modelo prevê que, até 1º de julho de 2026, os funcionários passem a trabalhar dois dias presenciais por semana. A partir de 1º de janeiro de 2027, o regime será de três dias presenciais, completando a transição para o formato híbrido.

Atualmente, os cerca de 9.500 colaboradores da fintech são obrigados a comparecer aos escritórios apenas uma semana por trimestre. A mudança, portanto, representa uma transformação significativa na rotina e na cultura de trabalho da empresa, que construiu parte de sua reputação como uma organização moderna e flexível.

O CEO e cofundador David Vélez, em mensagem enviada por e-mail aos colaboradores, reconheceu que a nova política poderia causar “disrupção para parte dos funcionários”, mas defendeu que o retorno presencial é fundamental para fortalecer a colaboração, a criatividade e o senso de pertencimento.

Reunião tensa e reações internas

A tensão se instalou durante o tradicional encontro interno conhecido como Coffee Break, no qual os funcionários têm a oportunidade de conversar diretamente com a liderança. A reunião desta quinta-feira (6) foi acompanhada por cerca de 7.000 empregados, de forma presencial e online, e acabou se transformando em um espaço de confronto.

Segundo relatos publicados pela Folha de S.Paulo, alguns participantes reagiram de forma agressiva à explicação de Vélez, questionando a coerência da medida e o impacto nas equipes que vivem longe dos escritórios da fintech, concentrados majoritariamente em São Paulo.

Os debates foram marcados por insultos e tom beligerante, conforme relatos de presentes. A situação levou a direção da empresa a avaliar o comportamento de parte dos funcionários e, após análise do conselho de conduta interno, foi decidida a demissão por justa causa de 12 deles. Outros colaboradores receberão advertências formais.

Declaração oficial e política de conduta

Em nota, o Nubank declarou que não comenta casos individuais de desligamento, mas reforçou seu compromisso com o diálogo e o respeito no ambiente corporativo.

“Trabalhamos para preservar canais e rituais abertos para o livre debate entre os funcionários, mas não toleramos desrespeito e violações de conduta”, afirmou a empresa em comunicado.

O novo e-mail enviado por Vélez na manhã desta sexta-feira (7) detalhou que as demissões foram uma “decisão difícil”, mas necessária para manter os valores e os limites de respeito dentro da organização.

Fórum de discussão e divergências regionais

A transição para o modelo híbrido também abriu espaço para um intenso debate entre os colaboradores em um site interno de perguntas e respostas criado pelo Nubank. O espaço, que se tornou um verdadeiro fórum de opiniões, já reúne centenas de comentários, incluindo críticas à falta de representatividade regional e preocupações logísticas.

Funcionários que moram fora dos grandes centros urbanos alegam que a medida afeta desproporcionalmente quem vive longe dos escritórios, especialmente aqueles de fora do Sudeste. Muitos relatam ter estruturado suas vidas em função da política remota, com mudanças de cidade e até de país.

Outros comentários apontam que a medida parece contraditória diante do fato de que o próprio CEO, David Vélez, vive atualmente no Uruguai, embora tenha afirmado que se mudará para um dos países onde o Nubank mantém escritórios para acompanhar de perto a transição.

Expansão internacional e novos escritórios

A empresa, que atualmente mantém unidades em São Paulo (Pinheiros e Vila Leopoldina), Cidade do México e Bogotá, planeja ampliar sua presença física em várias regiões para atender à nova demanda presencial.

Estão previstas novas instalações em Campinas (SP), Belo Horizonte (MG), Rio de Janeiro (RJ), Buenos Aires (Argentina) e em cidades dos Estados Unidos, como Miami, Palo Alto e na região metropolitana de Washington.

Além disso, o Nubank mantém hubs de talentos voltados para networking e capacitação em Montevidéu (Uruguai), Berlim (Alemanha) e Durham (EUA).

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Essas expansões fazem parte de um esforço para oferecer mais opções de escritórios aos colaboradores e, ao mesmo tempo, reforçar a estratégia de internacionalização da marca, que já conta com mais de 100 milhões de clientes na América Latina.

Impacto cultural e reflexo no mercado de tecnologia

Especialistas em gestão corporativa avaliam que o episódio pode servir de alerta para outras empresas de tecnologia que também vêm revendo suas políticas de trabalho remoto. Após a pandemia, o setor enfrentou uma transformação profunda — com muitas companhias optando pelo modelo híbrido, mas enfrentando resistência de funcionários acostumados à flexibilidade total.

Para o Nubank, que construiu sua cultura sob os pilares da autonomia e da inovação, a decisão marca um momento de reavaliação dos valores internos e do equilíbrio entre produtividade e convivência.

Analistas do mercado financeiro destacam que a empresa deve monitorar de perto o impacto da medida na retenção de talentos e na imagem empregadora, já que o Nubank é reconhecido por atrair profissionais qualificados de várias partes do mundo.

Repercussão e próximos passos

Apesar das demissões e da repercussão negativa inicial, o Nubank pretende seguir com o cronograma de retorno presencial. O site interno criado por Vélez continuará recebendo dúvidas e sugestões dos colaboradores, numa tentativa de reduzir o clima de insatisfação e restabelecer o diálogo.

A fintech também se comprometeu a investir em infraestrutura e transporte corporativo para amenizar as dificuldades logísticas enfrentadas por parte dos trabalhadores.

Com isso, a empresa busca equilibrar o desejo de manter sua identidade inovadora com a necessidade de fortalecer laços presenciais e garantir um ambiente de trabalho saudável e colaborativo — um desafio que reflete, em escala global, o novo dilema das empresas de tecnologia no pós-pandemia.

Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

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Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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