O Nubank, uma das maiores fintechs do mundo e símbolo da revolução bancária digital na América Latina, deu mais um passo rumo à sua expansão internacional. O cofundador e CEO, David Vélez, revelou em entrevista recente que o processo de entrada do Nubank nos Estados Unidos será longo e complexo, podendo levar vários anos até que as operações estejam efetivamente em funcionamento.
Nubank inicia licença nos EUA, mas David Vélez alerta: ‘pode levar anos’
O CEO David Vélez afirmou que a chegada do Nubank aos EUA pode demorar anos. Entenda os desafios regulatórios, planos na Colômbia e novos produtos de crédito.
O comentário foi feito durante um encontro com jornalistas em Bogotá, na Colômbia, onde o banco também apresentou novos produtos e estratégias para ampliar sua presença no mercado local. A fala do executivo reforça a cautela da instituição em sua expansão global, priorizando sustentabilidade e adaptação regulatória em vez de velocidade.
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Por que a chegada do Nubank aos EUA pode demorar

Segundo David Vélez, o Nubank já iniciou o processo de obtenção da licença bancária nos Estados Unidos — uma exigência crucial para que possa operar no país de forma independente. No entanto, esse procedimento envolve diversas etapas regulatórias e auditorias, o que pode prolongar significativamente o cronograma de lançamento.
O CEO destacou que “esse é um processo que pode levar vários meses ou até mesmo alguns anos”, evidenciando que o banco não pretende apressar etapas em um dos mercados mais competitivos e regulados do mundo.
Desafios regulatórios e operacionais
O sistema financeiro norte-americano possui uma das legislações mais rigorosas do planeta, especialmente no que diz respeito à concessão de licenças bancárias, compliance e combate à lavagem de dinheiro.
Além disso, cada estado norte-americano tem suas próprias regras de operação bancária, o que aumenta a complexidade da entrada de uma instituição estrangeira.
Para o Nubank, isso significa enfrentar um cenário completamente diferente do que encontrou no Brasil, México e Colômbia — países em que a regulamentação é menos fragmentada e mais adaptada à realidade das fintechs.
A importância estratégica do mercado americano
Apesar dos obstáculos, o mercado dos Estados Unidos representa uma oportunidade enorme. Com mais de 330 milhões de habitantes e um ecossistema financeiro altamente digitalizado, o país é visto como o próximo grande passo para consolidar o Nubank como um player global de tecnologia financeira.
Mas, conforme afirmou Vélez, o banco não quer apenas “entrar” no mercado norte-americano — ele quer chegar preparado. Isso significa entender o comportamento do consumidor, desenvolver produtos adequados e garantir que a experiência do cliente, marca registrada da fintech, seja mantida.
Operações na Colômbia: crescimento e novos produtos
Enquanto a chegada aos EUA ainda é uma meta de longo prazo, o Nubank na Colômbia está em plena expansão. O país natal de David Vélez tem sido uma das apostas mais promissoras da fintech nos últimos anos. Desde sua entrada, o banco vem conquistando clientes com uma proposta simples: oferecer serviços bancários acessíveis, digitais e sem tarifas abusivas.
Em sua fala, Vélez destacou o lançamento de um novo produto voltado para clientes sem histórico de crédito, permitindo que essas pessoas comecem a construir sua pontuação financeira. Essa estratégia é vista como uma maneira de ampliar a inclusão bancária e consolidar a presença do Nubank em um mercado onde o acesso ao crédito ainda é limitado.
Crédito livre e inclusão financeira
De acordo com Marcela Torres, general manager do Nubank na Colômbia, o banco lançou uma solução de crédito livre — sem destinação específica — de até 45 milhões de pesos colombianos (equivalente a cerca de R$ 63 mil).
A taxa de juros aplicada será de aproximadamente 24% ao ano, alinhada à taxa de usura vigente no país.
A iniciativa busca atender um público que muitas vezes não consegue acesso a empréstimos tradicionais devido à falta de histórico financeiro. Com isso, o Nubank pretende formar uma base sólida de clientes de longo prazo, estimulando o uso consciente do crédito e fortalecendo a economia local.
A polêmica da “taxa de usura” na Colômbia
Durante a entrevista, David Vélez também opinou sobre a polêmica “taxa de usura”, que define o limite máximo de juros que os bancos podem cobrar no país. Segundo ele, essa regra, embora criada para proteger os consumidores, acaba tendo o efeito contrário ao restringir o acesso ao crédito formal.
O executivo defendeu que a eliminação da taxa poderia beneficiar milhões de colombianos, evitando que recorressem ao chamado “crédito gota a gota”, um sistema informal de empréstimos com juros exorbitantes que podem ultrapassar 500% a 1.000% ao ano.
Uma questão política e social
A proposta, no entanto, enfrenta resistência no Congresso colombiano, onde ainda não há apoio suficiente para revogar o teto de juros. Vélez reconheceu que a discussão é sensível e muitas vezes vista como um “favor aos bancos”, mas ressaltou que a medida poderia ser crucial para ampliar o acesso ao crédito responsável.
Ele acredita que a discussão poderá ser retomada após as eleições legislativas de 2026, com uma nova composição parlamentar mais aberta à modernização do sistema financeiro.
Expansão regional e próximos passos do Nubank
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Com operações consolidadas no Brasil, México e Colômbia, o Nubank segue sua trajetória como uma das fintechs mais valiosas do mundo. Sua expansão é guiada por três pilares principais: inovação tecnológica, inclusão financeira e sustentabilidade regulatória.
Novos produtos e inovação constante
Nos últimos anos, o Nubank tem investido pesadamente em inteligência artificial, segurança digital e experiência do usuário. A fintech lançou produtos como NuInvest, NuCrédito e seguros personalizados, ampliando o ecossistema de serviços oferecidos aos clientes.
A estratégia é manter a simplicidade e transparência que caracterizam o banco desde sua fundação, enquanto diversifica suas fontes de receita.
Crescimento sustentável
Ao contrário de muitas startups financeiras que priorizam expansão acelerada, o Nubank tem adotado uma abordagem gradual e sustentável.
Para David Vélez, o crescimento orgânico e o fortalecimento da base de clientes são prioridades mais importantes do que a simples conquista de novos mercados.
O papel do Nubank no futuro das finanças digitais

O sucesso do Nubank na América Latina o coloca como uma das fintechs mais influentes do planeta. A empresa representa não apenas uma revolução tecnológica, mas também uma mudança cultural no modo como os consumidores se relacionam com o dinheiro.
A entrada futura nos Estados Unidos simboliza um novo capítulo dessa trajetória — um passo estratégico que poderá colocar o banco brasileiro entre as instituições financeiras mais inovadoras do mundo.
Mas, conforme alertou Vélez, a expansão será feita com paciência e planejamento. “Queremos garantir que cada mercado seja explorado de forma responsável e eficiente”, afirmou o executivo.
A fala de David Vélez reforça que o Nubank não busca apenas crescer em território, mas também consolidar sua presença como referência em inovação, inclusão e responsabilidade financeira.
Enquanto a chegada aos Estados Unidos ainda é uma meta distante, a fintech segue fortalecendo suas bases na América Latina, expandindo produtos e defendendo reformas que democratizam o crédito.
O futuro do Nubank é ambicioso — e, ao que tudo indica, será construído com a mesma filosofia que o tornou gigante: colocar o cliente no centro e inovar sem perder a essência.
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