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Nubank vai ter agência física em 2026 após nova regra do Banco Central?

Nubank iniciou o processo para obter licença bancária no Brasil após nova regra do BC. Entenda impactos, impostos, crédito e se haverá agências físicas.

Melissa BarbosaPor Melissa Barbosa7 min de leitura
Nubank

O Nubank anunciou que está em processo para obter licença bancária no Brasil, movimento que ganhou destaque após uma nova regulamentação do Banco Central (BC) restringir o uso do termo “banco” por instituições que não possuem autorização formal. A decisão marca mais um capítulo na trajetória da maior fintech da América Latina e reacendeu dúvidas importantes entre clientes, investidores e analistas de mercado.

Entre as principais perguntas levantadas está a possibilidade de o Nubank ser obrigado a abrir agências físicas a partir de 2026. A resposta, segundo especialistas em regulação financeira e as próprias normas do BC, é direta: não há essa exigência legal. Mesmo com o novo enquadramento, o modelo digital permanece plenamente permitido no sistema financeiro brasileiro.

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O que muda com a nova regra do Banco Central

A mudança regulatória que impulsionou a decisão do Nubank foi publicada pelo Banco Central em conjunto com o Conselho Monetário Nacional (CMN) no fim de novembro. A norma proíbe que instituições que não sejam bancos utilizem em sua comunicação termos como “banco” ou “bank”.

Restrição ao uso da palavra “banco”

Pela resolução, empresas enquadradas como instituições de pagamento terão até um ano para adequar nome, marca e comunicação ao público. Além disso, será obrigatório apresentar ao BC um plano de adaptação em até 120 dias, detalhando como será feita a transição.

Esse ponto foi crucial para o Nubank. A marca “roxinho”, amplamente associada à ideia de banco digital, poderia enfrentar restrições relevantes caso optasse por não buscar a licença bancária.

Confirmação oficial do Nubank

Na quarta-feira (3), o Nubank confirmou publicamente que está trabalhando para obter a licença bancária no Brasil. O objetivo é manter a marca, alinhar sua comunicação ao enquadramento regulatório e ampliar sua atuação dentro das regras do sistema financeiro nacional.

Como o Nubank opera hoje no sistema financeiro

Atualmente, o Nubank não é formalmente um banco no Brasil. Sua operação está estruturada como instituição de pagamento e como Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento (SCFI).

Instituição de pagamento e SCFI

Como instituição de pagamento, o Nubank pode oferecer contas de pagamento, cartões e serviços de movimentação financeira. Já como SCFI, pode conceder crédito, mas com uma limitação importante: os recursos utilizados precisam ser próprios, de acionistas ou captados no mercado financeiro.

Esse modelo permitiu um crescimento acelerado da base de clientes, mas impõe barreiras regulatórias que não existem para bancos tradicionais.

Diferença entre fintech e banco

A principal distinção está na intermediação financeira. Bancos podem captar depósitos do público e emprestar esses recursos, enquanto fintechs de crédito operam com fontes mais restritas. A obtenção da licença bancária elimina essa limitação.

Nubank terá que abrir agências físicas?

Uma das maiores preocupações de clientes e investidores é se a mudança obrigará o Nubank a abrir agências físicas espalhadas pelo país. A resposta é negativa.

O que diz a legislação brasileira

A legislação brasileira não exige que bancos mantenham agências físicas. As exigências regulatórias se concentram em capital mínimo, governança, compliance, controles internos e solidez financeira.

Desde a consolidação dos bancos digitais, o Banco Central reconhece que a prestação de serviços pode ocorrer de forma integralmente online, desde que os requisitos prudenciais sejam cumpridos.

Modelo digital continua permitido

Mesmo como banco, o Nubank poderá continuar operando com atendimento digital, aplicativos e canais remotos. Não há qualquer obrigação de inaugurar pontos físicos de atendimento a partir de 2026 ou em outro prazo.

Impactos tributários da transição para banco

Se por um lado a licença bancária amplia as possibilidades de atuação, por outro ela traz custos maiores, especialmente no campo tributário.

Aumento da CSLL

A principal mudança prática ocorre na Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Atualmente, fintechs pagam uma alíquota de 9%. Bancos, por sua vez, estão sujeitos a uma alíquota de 20%.

Esse aumento representa um impacto direto sobre a rentabilidade e exige ajustes no planejamento financeiro da instituição.

Mudanças no PIS e Cofins

Outra alteração relevante envolve o PIS/Cofins. Fintechs podem optar entre o regime cumulativo e o não cumulativo. Já os bancos são obrigados a adotar o regime cumulativo, com alíquota de 4,65%.

Essa obrigatoriedade reduz a flexibilidade tributária e limita estratégias de compensação de créditos fiscais.

Licença bancária amplia atuação no crédito

Apesar dos custos maiores, a licença bancária oferece vantagens estratégicas relevantes, especialmente na concessão de crédito.

Captação de depósitos

Como banco, o Nubank poderá captar depósitos do público e utilizar esses recursos para conceder empréstimos. Isso reduz a dependência de capital próprio ou de estruturas paralelas de funding.

Expansão da oferta de produtos

A mudança também permite centralizar operações que hoje dependem de diferentes enquadramentos regulatórios. Na prática, o Nubank poderá ampliar linhas de crédito, ajustar prazos, taxas e desenvolver novos produtos financeiros.

Competição mais direta com bancos tradicionais

Com a licença, o Nubank passa a competir em igualdade regulatória com grandes bancos, o que pode pressionar o mercado por taxas mais competitivas e serviços mais eficientes.

Exigências de capital e regras prudenciais

A obtenção da licença bancária não é automática e envolve uma série de exigências de capital e governança.

Patrimônio de Referência e Basileia

As regras do Banco Central seguem os parâmetros do Acordo de Basileia, que estabelece requisitos mínimos de capital para garantir a estabilidade do sistema financeiro.

O Nubank precisará comprovar Patrimônio de Referência (PR) compatível com suas operações e manter índices de capital adequados ao risco assumido.

Nova resolução de capital de 2025

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Em 2025, o Banco Central atualizou as normas de capital por meio da Resolução Conjunta nº 14. De acordo com a regra, apenas o uso do termo “Banco” na marca já implica um adicional de cerca de R$ 30 milhões em capital regulatório.

Além disso, há exigências específicas conforme a atividade exercida, como aproximadamente R$ 7 milhões para concessão de crédito e R$ 5 milhões para intermediação financeira.

Reação do mercado e dos investidores

O anúncio do Nubank foi acompanhado de perto pelo mercado financeiro. Analistas avaliam que a decisão é estratégica e alinhada à maturidade da empresa.

Visão de longo prazo

Embora o impacto tributário seja negativo no curto prazo, a ampliação da atuação no crédito e a consolidação da marca como banco tendem a fortalecer a posição do Nubank no longo prazo.

Confiança regulatória

A obtenção da licença também reforça a percepção de solidez e compromisso com as regras do sistema financeiro, fator relevante para investidores institucionais e grandes clientes.

O que muda para os clientes do Nubank

Para o usuário final, as mudanças devem ser graduais e pouco perceptíveis no curto prazo.

Continuidade dos serviços

Contas, cartões e aplicativos continuam funcionando normalmente, sem necessidade de adaptação por parte dos clientes.

Possíveis novidades no futuro

Com maior liberdade regulatória, o Nubank pode lançar novos produtos de crédito, poupança e investimentos, ampliando o ecossistema financeiro já existente.

Nubank e o futuro do sistema bancário digital

O movimento do Nubank reflete uma transformação mais ampla no sistema financeiro brasileiro, que passa a reconhecer definitivamente os bancos digitais como parte central do mercado.

Digitalização sem retorno

A ausência de exigência de agências físicas confirma que o modelo digital veio para ficar. A regulação busca equilíbrio entre inovação, concorrência e segurança do sistema.

Precedente para outras fintechs

A decisão do Nubank pode servir de referência para outras fintechs que utilizam termos associados a bancos e avaliam seguir o mesmo caminho regulatório.

Conclusão

A busca do Nubank pela licença bancária no Brasil é uma resposta direta à nova regulamentação do Banco Central e representa um passo estratégico na consolidação da empresa como instituição financeira completa. Apesar do aumento de impostos e das exigências de capital, a mudança amplia a atuação no crédito, fortalece a marca e não impõe qualquer obrigação de abertura de agências físicas. Para clientes, o impacto imediato é mínimo, enquanto o potencial de novos produtos e serviços cresce no médio e longo prazo.

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Melissa Barbosa

Autor

Melissa Barbosa

Melissa Barbosa é Redatora SEO e Designer no portal Seu Crédito Digital. Estudante de Jornalismo, possui sólida experiência em Marketing de Conteúdo, com foco em estratégias de SEO, comunicação digital e identidade visual. Apaixonada pelo universo da informação e da criatividade, une técnica e sensibilidade para transformar dados e tendências em conteúdos relevantes, que ajudam o público a entender melhor o cenário econômico, os benefícios sociais e os serviços digitais que impactam o dia a dia do brasileiro.

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