O Nubank começou 2026 com resultados acima das expectativas do mercado financeiro. A fintech registrou lucro líquido de US$ 871 milhões no primeiro trimestre do ano, consolidando uma trajetória de crescimento acelerado baseada na expansão do crédito, aumento da base de clientes e maior eficiência operacional.
Nubank alcança US$ 871 milhões de lucro no começo de 2026
Nubank registra lucro recorde no 1º trimestre de 2026, amplia carteira de crédito e aposta em inteligência artificial para crescer.
O resultado representa um avanço de 41% em comparação com o mesmo período de 2025, desconsiderando os efeitos cambiais. Além do lucro recorde, a empresa também ultrapassou pela primeira vez a marca de US$ 5 bilhões em receita trimestral, reforçando sua posição entre os maiores bancos digitais do mundo.
O desempenho chama atenção em um cenário econômico ainda marcado por juros elevados, aumento da cautela no consumo e maior pressão sobre a inadimplência no setor financeiro.
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Lucro do Nubank cresce com expansão da carteira de crédito
Grande parte do crescimento veio da operação de crédito, considerada atualmente o principal motor de receita do banco digital. A carteira total chegou a US$ 37,2 bilhões ao fim de março de 2026, com crescimento de 40% em relação aos últimos 12 meses.
Os cartões de crédito continuam sendo o carro-chefe da instituição, somando US$ 24,3 bilhões da carteira total. Já o crédito pessoal sem garantia alcançou aproximadamente US$ 10 bilhões.
As operações com garantia, incluindo modalidades com menor risco para o banco, também avançaram e já representam cerca de US$ 3 bilhões.
O avanço da carteira reforça uma tendência observada nos últimos anos: o Nubank deixou de ser apenas uma fintech focada em cartões e passou a atuar como um banco digital completo, ampliando receitas com empréstimos, investimentos, seguros e serviços financeiros.
Inteligência artificial ganha espaço nas decisões de crédito
Durante a divulgação do balanço, o fundador e CEO da companhia, David Vélez, destacou que o uso de inteligência artificial vem desempenhando papel importante na expansão sustentável do crédito.
Segundo o executivo, os sistemas automatizados ajudam o banco a analisar risco de forma mais precisa, permitindo ampliar limites para clientes com maior segurança.
Na prática, o uso de IA no setor bancário vem transformando processos como:
Análise de perfil financeiro
Os algoritmos conseguem identificar padrões de comportamento financeiro, histórico de pagamentos e risco de inadimplência em poucos segundos.
Aprovação mais rápida de crédito
Com sistemas automatizados, o tempo de análise diminui consideravelmente, permitindo liberações quase instantâneas para cartões e empréstimos.
Controle de risco mais eficiente
A tecnologia também ajuda a reduzir perdas financeiras, ajustando limites e ofertas de crédito conforme o comportamento do consumidor.
O movimento acompanha uma tendência global no setor financeiro. Grandes bancos e fintechs vêm investindo bilhões em inteligência artificial para reduzir custos, aumentar receitas e melhorar a experiência do cliente.
Receita do banco digital supera US$ 5 bilhões
Outro dado relevante do trimestre foi o avanço das receitas da fintech.
A receita líquida de juros alcançou US$ 3,25 bilhões, maior patamar já registrado pela empresa. O resultado representa crescimento de 12% em relação ao trimestre anterior.
Já a margem líquida de juros, indicador conhecido no mercado como NIM, chegou a 21,1%.
Esse índice mede basicamente o ganho obtido pelos bancos com operações de crédito após descontar custos de captação. Quanto maior o indicador, maior costuma ser a rentabilidade da instituição financeira.
Rentabilidade do Nubank segue entre as maiores do setor
O retorno sobre patrimônio líquido, conhecido como ROE, atingiu 29% no primeiro trimestre de 2026.
Embora o número tenha ficado abaixo dos 33% registrados no trimestre anterior, ele permaneceu acima do observado um ano antes, quando estava em 27%.
No sistema bancário, um ROE acima de 20% já costuma ser considerado elevado. Por isso, o desempenho do Nubank segue chamando atenção de investidores e analistas.
O indicador mostra a capacidade da empresa de gerar lucro utilizando o capital dos acionistas.
Inadimplência permanece sob controle
Mesmo com a forte expansão do crédito, os índices de inadimplência permaneceram relativamente estáveis.
O percentual de atrasos acima de 90 dias ficou em 6,5%, enquanto os atrasos de curto prazo encerraram março em 5%.
Apesar da estabilidade, o banco aumentou significativamente suas provisões para perdas com crédito, que chegaram a US$ 1,79 bilhão no trimestre.
Segundo o diretor financeiro Guilherme Lago, a alta ocorreu principalmente por fatores como:
- Crescimento acelerado da carteira;
- Sazonalidade do período;
- Mudança na composição dos produtos financeiros.
O executivo afirmou que o aumento não representa deterioração da qualidade do crédito, mas sim uma postura mais conservadora diante das incertezas econômicas.
Nubank amplia presença internacional
A base global de clientes do banco digital chegou a 135,2 milhões de usuários ao fim do trimestre, avanço anual de 14%.
O Brasil continua sendo o principal mercado da fintech, com aproximadamente 115 milhões de clientes.
No entanto, a expansão internacional também vem ganhando força.
México ultrapassa 15 milhões de clientes
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+311 mil seguidores
A operação mexicana se consolidou como uma das apostas mais relevantes do grupo fora do Brasil.
O país já soma mais de 15 milhões de usuários e vem apresentando crescimento acelerado nos últimos anos.
Colômbia se aproxima de 5 milhões de usuários
Na Colômbia, o Nubank também continua ampliando presença e já se aproxima da marca de 5 milhões de clientes.
A estratégia internacional é vista pelo mercado como um dos principais fatores de crescimento da companhia no médio e longo prazo.
Eficiência operacional melhora em 2026
Outro indicador importante divulgado pelo Nubank foi a taxa de eficiência operacional.
O índice caiu de 21,4% para 17,6% em um ano, demonstrando redução proporcional dos custos operacionais em relação às receitas.
Na prática, isso significa que o banco conseguiu crescer mantendo controle sobre despesas administrativas e operacionais.
Esse tipo de eficiência costuma ser um diferencial importante das fintechs em comparação aos bancos tradicionais, que normalmente possuem estruturas físicas maiores e custos operacionais mais elevados.
O que explica o crescimento do Nubank
Especialistas do mercado financeiro apontam alguns fatores principais para explicar o avanço da fintech:
Forte digitalização bancária no Brasil
O consumidor brasileiro passou a utilizar cada vez mais serviços financeiros digitais nos últimos anos.
Transferências instantâneas, pagamentos via Pix, abertura online de contas e empréstimos digitais ajudaram a acelerar esse movimento.
Crescimento da oferta de crédito
O banco Nubank ampliou significativamente sua capacidade de oferecer empréstimos e cartões para diferentes perfis de clientes.
Uso intensivo de tecnologia pelo Nubank
A inteligência artificial e os sistemas automatizados permitiram ganho de escala com menor aumento proporcional de custos.
Expansão internacional
México e Colômbia se tornaram mercados estratégicos para ampliar receitas fora do Brasil.
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