O Nubank, maior banco digital da América Latina, volta a ser protagonista no cenário de fusões e aquisições regionais, impulsionado por um balanço surpreendente no segundo trimestre de 2025. Segundo relatório divulgado por analistas do BTG Pactual, o banco estaria avaliando uma reentrada no mercado argentino, possivelmente por meio da aquisição do Brubank, fintech local com cerca de 4 milhões de clientes. Apesar de o Nubank não confirmar oficialmente a operação, os rumores ganham força no setor financeiro.
Nubank avalia reentrada na Argentina após saída do país
Nubank avalia voltar à Argentina comprando o Brubank, desafiando o Mercado Pago e ampliando presença regional.
A estratégia marcaria o retorno do banco ao país vizinho, de onde havia recuado em 2020, e ampliaria sua presença na América Latina, onde já mantém operações relevantes no México e Colômbia.
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O que motivou a nova estratégia internacional?
Resultados sólidos no 2T25 animam mercado
A movimentação ocorre no embalo de um forte desempenho trimestral do Nubank, que surpreendeu analistas e levou casas como BTG Pactual, Itaú BBA e Citi a reiterarem recomendação de compra para as ações da fintech na Bolsa de Nova York (NYSE). No acumulado de 2025, os papéis já subiram 39,3%, elevando o valor de mercado da companhia para US$ 69,15 bilhões.
O relatório assinado pelos analistas Eduardo Rosman, Ricardo Buchpiguel e Thiago Paura, do BTG, reforça que o momento é favorável para uma estratégia de expansão geográfica, ainda que com cautela.
“O Nubank já demonstra capacidade de escalar operações com solidez. É natural que busque novos mercados, sobretudo diante de mudanças políticas e regulatórias que favorecem a competição”, aponta o relatório.
Retorno à Argentina: aquisição do Brubank em análise
Histórico do Nubank no país vizinho
A fintech brasileira teve uma breve atuação na Argentina em 2019, com a abertura de um escritório em Buenos Aires e oferta de cartões de crédito. No entanto, a operação foi suspensa pouco depois, diante da instabilidade macroeconômica e política.
Desde então, o banco concentrou esforços no Brasil, México e Colômbia. Agora, com novos ventos liberais no governo de Javier Milei, o país volta ao radar como um possível destino de investimentos estratégicos.
Brubank: o alvo da vez
Segundo o site argentino iProUP, especializado em fintechs e inovação, o Nubank estaria em processo de due diligence para adquirir o Brubank, um banco digital sem agências físicas, com cerca de 4 milhões de usuários.
Fontes ouvidas pelo NeoFeed confirmaram que as conversas realmente ocorreram, mas que não houve conclusão até o momento. Ainda assim, o interesse permanece vivo, especialmente por se tratar de uma fintech que já opera com:
- Licença bancária local;
- Sistema de transferências e pagamentos por QR Code;
- Produtos como fundos, empréstimos e contas digitais;
- Modelo totalmente app-first, similar ao do Nubank.
BTG: aquisição aceleraria entrada e rivalizaria com Mercado Pago
No relatório, os analistas do BTG ressaltam que uma eventual aquisição do Brubank daria ao Nubank vantagem competitiva significativa:
“Se concluída, a aquisição do Brubank poderia dar ao NU uma licença local, base de clientes e infraestrutura (transferências, QR, fundos, empréstimos) alinhadas ao modelo app-first do NU, permitindo tempo de entrada mais rápido no mercado e um desafio crível ao ecossistema de pagamentos do Mercado Pago”, avalia o banco.
Competição intensa: Mercado Pago e Revolut se movem

Mercado Livre lança cartão de crédito próprio
O Mercado Pago, braço financeiro do Mercado Livre, é hoje o principal player no setor de pagamentos digitais na Argentina. Em resposta à possível chegada do Nubank, a empresa anunciou o lançamento de seu primeiro cartão de crédito físico e virtual, sem tarifa de emissão ou manutenção.
O produto será integrado ao app do Mercado Pago e permitirá parcelamentos em até três vezes sem juros, inclusive fora do marketplace, usando QR code.
Revolut também chega com aquisições
Em junho, a fintech britânica Revolut anunciou a compra da Cetelem Argentina, operação local do grupo BNP Paribas. A movimentação amplia a concorrência no setor bancário digital argentino e mostra que o país voltou ao radar das grandes fintechs globais.
O que falta para o Nubank voltar à Argentina?
Entraves regulatórios
Caso o Nubank opte por adquirir uma operação local, como o Brubank, será necessário passar por:
- Aprovação do Banco Central da República Argentina (BCRA);
- Verificação de conformidade com normas locais;
- Definição do escopo da integração (marca, produtos, contas, etc.).
Decisão ainda está em aberto
Em entrevista ao jornal O Globo em outubro de 2024, o CEO do Nubank, David Vélez, já havia mencionado a Argentina como uma possibilidade futura:
“Estamos olhando para Argentina, é impossível ignorar o que Milei está fazendo. Ainda é cedo para tomar uma decisão, e vamos ver o que vai acontecer em 12, 24 meses.”
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A declaração reforça que o banco adota uma postura estratégica de observação antes de retomar operações efetivas no país.
Enquanto isso, expansão no México se acelera
Mudança de comando
O relatório do BTG também destaca uma troca de liderança na operação mexicana do Nubank, que pode sinalizar a transição para uma nova fase de crescimento.
A partir de 2 de setembro, Armando Herrera assumirá como novo CEO no lugar de Iván Canales, que liderava desde o início da operação. A transição será supervisionada por Guilherme Lago, CFO global do Nubank e presidente do conselho da unidade mexicana.
Números impressionam
A operação do Nubank no México já conta com:
- 12 milhões de clientes;
- Presença em 98% dos municípios (13% da população adulta);
- US$ 6,7 bilhões em depósitos;
- US$ 700 milhões em carteira de crédito ativa;
- Mais de US$ 1,4 bilhão investido no país desde o início da operação.
Segundo os analistas do BTG:
“O NU México está passando da fase de ‘construção’ para a de ‘escala’. O México parece finalmente ter encontrado seu ritmo.”
Impacto no mercado e perspectivas para investidores

A possibilidade de retorno à Argentina e a aceleração no México acontecem em um cenário favorável para a fintech brasileira, que tem se destacado por sua capacidade de crescimento, controle de inadimplência e expansão da base de produtos.
Com os bons resultados financeiros, analistas reforçam que o Nubank está preparado para consolidar sua liderança regional, disputando mercado com grandes instituições e desafiando gigantes como Mercado Pago e bancos tradicionais.
Na NYSE, os investidores reagem positivamente:
- Valorização de 39,3% no ano até agosto;
- Avaliação de mercado de US$ 69,15 bilhões;
- Expectativa de novos anúncios de crescimento até o fim de 2025.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
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