O Nubank (ROXO34) apresentou nesta semana o balanço do primeiro trimestre de 2025 e trouxe um cenário misto para o mercado. Apesar de ter registrado um lucro líquido de US$ 557 milhões, com alta de 47% em relação ao 1T24, o número veio abaixo das projeções dos analistas de grandes bancos, o que provocou reações contraditórias entre investidores e corretores.
Nubank vê alta na originação de crédito, mas margens financeiras caem
Nubank reporta lucro de US$ 557 milhões no 1T25, alta de 47%, mas abaixo das projeções. Analistas divergem sobre desempenho, com destaque para PIX parcelado.
As ações do banco digital chegaram a recuar 4% no pré-mercado dos Estados Unidos, mas ensaiaram recuperação durante o pregão, operando com alta de 2% na abertura. Na B3, os BDRs do Nubank registraram queda de cerca de 2%.
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Lucro cresce, mas com efeito não recorrente

Segundo análise do Safra e do Bradesco BBI, o resultado ficou aquém do esperado quando desconsiderado o efeito positivo da reavaliação de ativo fiscal diferido (DTA). O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) também decepcionou, atingindo 27%, abaixo da estimativa de 28,7%.
O Bradesco BBI adotou um tom mais cauteloso, afirmando que a rentabilidade do banco se deteriorou no trimestre, apesar dos avanços nos indicadores de crédito. O BTG Pactual, por outro lado, teve uma leitura otimista, destacando que o resultado marca uma retomada do crescimento após a desaceleração no 3T24.
Destaques positivos: crédito pessoal e PIX parcelado
Recuperação do crédito pessoal
Um dos principais motores da alta no lucro foi o avanço na originação de crédito pessoal não garantido, que cresceu 11% na comparação com o trimestre anterior. Para os analistas do BTG, essa retomada foi crucial para sustentar os ganhos no início de 2025.
Retorno do financiamento via PIX
Após a pausa no segundo semestre de 2024, o Nubank retomou com força o produto de PIX parcelado. Em março, a originação mensal cresceu 21%, e a penetração entre usuários com cartão de crédito passou de 38% para 43%. O produto, que oferece margens elevadas, voltou a ser destaque no portfólio do banco digital.
No entanto, o Banco Safra alertou para a dependência crescente em linhas de crédito de alto retorno, algo que pode se tornar arriscado diante de um cenário de juros elevados e endividamento crescente da população.
Receita e margens: sinais de alerta

Queda na receita total e margens pressionadas
Mesmo com o aumento do lucro, a receita total ficou abaixo das projeções: 3% menor segundo o Safra e 6,6% inferior à expectativa do BTG Pactual. A principal razão foi a queda de 8,5% na margem financeira líquida (NII), impactada pelos custos de captação nos mercados internacionais.
Expansão internacional pressiona resultado consolidado
O Nubank tem investido fortemente em expansão internacional, sobretudo no México e na Colômbia, o que tem pressionado os custos. Enquanto o NIM no Brasil subiu 70 pontos-base, alcançando 21,8%, o NIM consolidado caiu 20 pontos-base.
Apesar disso, o Safra destacou que a qualidade dos ativos foi melhor do que o esperado, com inadimplência controlada e risco de crédito dentro dos padrões do setor.
Expansão internacional: números robustos fora do Brasil
O banco segue com crescimento acelerado na América Latina:
- México: 11 milhões de clientes (12% da população adulta)
- Colômbia: 3 milhões de clientes (8%)
- Brasil: 104,6 milhões de clientes ativos, com 2,8 milhões de novas contas no 1T25
A presença internacional reforça a estratégia do Nubank de diversificação de receita e penetração em mercados com baixa bancarização, apesar das margens mais apertadas nesses países.
Índices operacionais mostram melhora
Apesar da pressão nas receitas, o índice de eficiência recorrente caiu para 26,7%, uma melhora de 3,2 pontos percentuais em relação ao trimestre anterior. O lucro ajustado foi de US$ 606 milhões, superando as estimativas do BTG Pactual.
Esse desempenho reforça a imagem do Nubank como uma instituição altamente eficiente, mesmo em cenários adversos.
Visões de mercado divididas
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BTG Pactual: recomendação neutra
O BTG Pactual manteve a recomendação neutra para o papel, com preço-alvo de US$ 11,50, abaixo da cotação atual de US$ 13,14. O banco reconheceu os avanços operacionais, mas alertou para as pressões internacionais e margens apertadas.
Citi: recomendação de venda
O Citi foi mais crítico: apesar de reconhecer melhora na qualidade dos ativos, apontou problemas operacionais e queda de 10% na originação de crédito no trimestre. O banco norte-americano recomenda venda, com preço-alvo de US$ 9,00.
Bradesco BBI e Safra: alerta para rentabilidade
Ambos os bancos destacaram que a rentabilidade piorou, mesmo com o crescimento do lucro. Para os analistas, o efeito do DTA distorce o resultado e camufla os desafios operacionais enfrentados pela companhia.
Nubank aposta em crescimento com crédito consignado privado

Em coletiva, a diretoria do Nubank afirmou que está pronta para expandir sua atuação no crédito consignado privado, considerado um dos nichos com maior potencial de crescimento e risco controlado. Essa estratégia pode ser decisiva para a diversificação da carteira e redução da dependência de produtos como o PIX parcelado.
A entrada nesse segmento pode fortalecer o portfólio da fintech em um momento de juros ainda elevados, mas que começa a sinalizar possíveis cortes nos próximos trimestres.
Considerações finais
O balanço do primeiro trimestre de 2025 do Nubank mostra um banco em crescimento e transformação, mas que enfrenta desafios significativos. O lucro líquido subiu 47% e os números indicam retomada após o baque do 3T24. No entanto, os resultados ficaram abaixo do esperado por boa parte dos analistas, principalmente por conta de fatores não recorrentes e margens pressionadas no exterior.
A recuperação do crédito pessoal e a reintrodução do PIX parcelado são pontos positivos, mas também levantam alertas sobre risco de inadimplência futura. A eficiência operacional continua sendo uma das grandes fortalezas da fintech, mas a expansão internacional exige cautela, dado o impacto nos resultados consolidados.
Com visões divididas entre os grandes bancos e investidores monitorando de perto os próximos movimentos, o Nubank caminha para uma nova fase de maturidade, em que a busca por rentabilidade sustentável será cada vez mais essencial para manter sua valorização no mercado.
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