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NuCel pode derrubar preços e mudar a lógica da telefonia no Brasil

Crescimento do NuCel, operadora do Nubank, impulsiona a Claro e altera a dinâmica do setor móvel, com perdas relevantes para TIM e Vivo.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes6 min de leitura
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O crescimento acelerado do NuCel, operadora virtual do Nubank, começa a provocar efeitos visíveis no mercado brasileiro de telecomunicações. A avaliação consta em relatório recente da XP Investimentos, que aponta mudanças relevantes na dinâmica de portabilidade numérica, com destaque para o fortalecimento da Claro e perdas expressivas para TIM e Vivo. A operadora do Nubank passou a ser liberada gradualmente no aplicativo do banco digital, ampliando sua presença junto à base de clientes da instituição financeira.

O movimento reforça uma tendência já observada em outros mercados: a entrada de grandes plataformas digitais em setores tradicionais, utilizando modelos mais leves, digitais e integrados ao ecossistema financeiro e de serviços. No caso do Nubank, a aposta em telecomunicações amplia o relacionamento com o cliente e adiciona uma nova frente de receita.

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O que é o NuCel e como funciona a operadora do Nubank

O NuCel opera no modelo de MVNO, sigla para Mobile Virtual Network Operator, ou operadora móvel virtual. Isso significa que a empresa não possui rede própria de antenas, utilizando a infraestrutura de uma operadora tradicional para prestar o serviço.

Parceria com a Claro e uso da rede 5G

No Brasil, o NuCel utiliza a rede da Claro, incluindo cobertura 5G. A contratação, gestão do plano, pagamentos e atendimento são realizados de forma totalmente digital, diretamente pelo aplicativo do Nubank, o que reduz custos operacionais e melhora a experiência do usuário.

Esse modelo permite ao Nubank oferecer planos simplificados, com preços competitivos e integração com outros produtos financeiros, como conta digital e cartão de crédito, criando um pacote de serviços difícil de ser replicado pelas operadoras tradicionais no curto prazo.

Portabilidade numérica como termômetro da competição

A portabilidade numérica, que permite ao consumidor trocar de operadora mantendo o mesmo número de telefone, é um dos principais indicadores de competitividade no setor de telecomunicações. Segundo a XP Investimentos, os dados mais recentes mostram uma mudança relevante nesse fluxo.

Claro lidera ganhos líquidos de clientes

Nos últimos 12 meses, a Claro se manteve como a maior receptora líquida de portabilidades no país. O saldo positivo foi de 731 mil clientes, número que se intensificou especialmente nos dois meses mais recentes do levantamento.

Em outubro e novembro, a Claro adicionou 104 mil e 98 mil clientes líquidos via portabilidade, respectivamente. Esse ritmo representa uma aceleração de cerca de 50 mil clientes por mês em relação à média registrada entre outubro de 2024 e setembro de 2025.

De acordo com a XP, o timing dessa aceleração coincide com o aumento dos esforços do NuCel, incluindo campanhas de marketing mais agressivas e o início da distribuição de chips físicos, o que ampliou o alcance da operadora virtual.

Qual é o papel do NuCel nesse movimento

Embora os dados oficiais de portabilidade sejam divulgados por operadora tradicional, sem discriminar clientes de MVNOs, a XP avalia que a magnitude e o momento da aceleração sugerem que o NuCel tem participação relevante nesse resultado.

Marketing, base de clientes e efeito rede

O Nubank conta com uma base de dezenas de milhões de clientes no Brasil, além de forte capacidade de comunicação direta pelo aplicativo. Isso permite campanhas altamente segmentadas, com custos menores do que os praticados pelas operadoras tradicionais em mídia de massa.

Além disso, a confiança construída pela marca no setor financeiro tende a reduzir a barreira de entrada para novos serviços, como telefonia móvel. Para muitos consumidores, contratar um plano de celular dentro do app do banco representa conveniência e segurança.

Vivo sente deterioração recente nos indicadores

Enquanto a Claro avança, a Vivo apresenta sinais de enfraquecimento no balanço recente de portabilidade. Nos últimos 12 meses, a operadora ainda registra saldo positivo de 156 mil portabilidades, mas a tendência mudou nos meses mais recentes.

De ganhos consistentes a perdas mensais

Entre outubro de 2024 e setembro de 2025, a Vivo acumulava ganho médio de 16 mil clientes por mês. Já em outubro e novembro, o cenário se inverteu, com perda líquida média de 5 mil clientes mensais.

A XP avalia que esse movimento indica aumento da pressão competitiva, especialmente nos segmentos mais sensíveis a preço e experiência digital, onde modelos como o do NuCel tendem a ganhar tração mais rapidamente.

TIM lidera perdas e acende alerta no mercado

O caso mais preocupante, segundo o relatório, é o da TIM. A operadora foi a maior doadora líquida de clientes nos últimos 12 meses, com saldo negativo de 1,33 milhão de portabilidades.

Aceleração das perdas nos últimos meses

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Nos dois meses mais recentes, a doação líquida média mensal da TIM subiu para 134 mil clientes, ante uma média de 106 mil por mês no período anterior. Isso representa uma deterioração de cerca de 28 mil clientes mensais.

Se essa tendência se mantiver ao longo de um ano, a XP estima que a TIM poderia perder até 336 mil clientes adicionais, o equivalente a aproximadamente 1,3% da sua base pós-paga, com impacto potencial relevante na receita e na rentabilidade.

Impactos estratégicos para o setor de telecomunicações

A entrada e expansão do NuCel reforçam um cenário de transformação estrutural no setor de telecomunicações brasileiro, que já enfrenta desafios como alta concorrência, necessidade de investimentos constantes em infraestrutura e pressão sobre margens.

Pressão sobre preços e fidelização

Operadoras tradicionais podem ser forçadas a rever estratégias de preços, planos e relacionamento com o cliente. A integração entre serviços financeiros e telecomunicações cria um diferencial competitivo relevante, especialmente para consumidores que valorizam simplicidade e gestão centralizada.

Risco de commoditização do serviço

Outro ponto de atenção é o risco de commoditização da telefonia móvel. Com planos cada vez mais semelhantes em termos de dados e cobertura, a diferenciação passa a ocorrer na experiência do usuário, no atendimento e na integração com outros serviços digitais.

Nubank amplia ecossistema e fortalece estratégia de longo prazo

Do ponto de vista do Nubank, o NuCel se encaixa em uma estratégia mais ampla de ampliação de ecossistema. Ao adicionar telecomunicações ao portfólio, a empresa aumenta o tempo de uso do aplicativo, coleta mais dados sobre o comportamento do cliente e cria oportunidades de cross-sell.

Potencial de monetização e retenção

Mesmo que a margem direta da operação de telecom seja menor, o ganho indireto pode ser significativo. Clientes que concentram mais serviços em uma única plataforma tendem a apresentar maior retenção e maior valor ao longo do tempo.

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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