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O que diz a CLT sobre a redução da jornada de trabalho? Entenda

Descubra o que a CLT diz sobre a redução da jornada de trabalho e como essa mudança pode impactar empresas e colaboradores. Entenda!

Helena SerpaPor Helena Serpa5 min de leitura
relógio e carteira de trabalho para representar as jornadas de trabalho

A redução da jornada de trabalho é um tema de grande interesse entre trabalhadores e empregadores, especialmente com a recente proposta de emenda à Constituição (PEC) que visa o fim da escala 6×1. Segundo pesquisa da Page Outsourcing e WeWork, 80% dos profissionais brasileiros consideram essa mudança positiva, e 76% afirmam que seriam mais produtivos trabalhando quatro dias por semana.

Mas o que diz a CLT sobre isso? Quais são os impactos dessa mudança? Neste artigo, exploraremos os principais aspectos legais e práticos da redução da jornada de trabalho no Brasil.

O que é a redução?

jornada de trabalho clt
Imagem: Quality Stock Arts/shutterstock.com

A redução da jornada de trabalho refere-se à diminuição do número de horas que um funcionário precisa cumprir dentro de um período determinado. O objetivo principal dessa medida é proporcionar maior equilíbrio entre vida pessoal e profissional, além de aumentar a produtividade dos trabalhadores.

A prática tem sido aplicada em diversos países com resultados positivos. No Reino Unido, por exemplo, um estudo com 61 empresas que adotaram a jornada de quatro dias revelou que 92% delas decidiram manter a mudança devido à melhora na saúde mental e na produtividade dos colaboradores.

CLT e a jornada de trabalho

A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) não apresenta uma norma específica que trate diretamente da redução da jornada de trabalho. No entanto, algumas diretrizes permitem que empresas e empregados negociem essa alteração.

A CLT estabelece:

  • A jornada máxima de trabalho de 8 horas diárias ou 44 horas semanais (artigo 58).
  • A redução da jornada pode ocorrer por meio de acordo individual, convenção ou acordo coletivo (artigo 7º, inciso XIII da Constituição Federal).
  • A jornada de 6 horas diárias é permitida apenas para determinadas categorias, como telefonistas e bancários.
  • O artigo 468 da CLT estabelece que qualquer alteração no contrato de trabalho deve ser feita de comum acordo e não pode causar prejuízo ao trabalhador.

Quando a redução ocorre?

A redução da jornada pode ser aplicada em diferentes cenários, desde crises econômicas até políticas organizacionais voltadas à melhoria da qualidade de vida dos funcionários. Algumas possibilidades incluem:

  1. Crises econômicas ou estado de calamidade pública – Durante a pandemia de Covid-19, por exemplo, o governo criou o Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda (BEm), permitindo a redução proporcional da jornada e do salário.
  2. Acordos sindicais – Empresas podem reduzir a jornada por meio de convenções coletivas, desde que aprovadas pelo sindicato da categoria.
  3. Acordos individuais – Um trabalhador pode solicitar a redução da jornada para conciliar com estudos ou outras necessidades pessoais.
  4. Contratação em jornada reduzida – Algumas empresas já contratam funcionários com carga horária menor do que a tradicional.

Consequências da redução

escala 6x1 - trabalhadores
Imagem: Freepik / Edição: Seu Crédito Digital

A redução da jornada pode trazer diversas consequências para a empresa e seus colaboradores. Entre os principais impactos estão:

Aumento da produtividade

Pesquisas apontam que jornadas menores levam a maior eficiência no trabalho. Com menos horas disponíveis, os funcionários tendem a se concentrar mais nas tarefas e a evitar distrações.

Melhoria na satisfação e retenção de talentos

Colaboradores que têm mais tempo para lazer e descanso apresentam níveis mais altos de satisfação no trabalho, o que reduz a rotatividade e melhora o ambiente corporativo.

Impacto nos custos operacionais

Empresas que adotam a redução da jornada podem reduzir despesas com energia, transporte e até mesmo salários, quando a diminuição da carga horária vem acompanhada de corte proporcional na remuneração.

Aplicação de forma eficaz

Para que a mudança ocorra sem prejuízos para empresa e funcionários, algumas medidas são fundamentais:

1. Planejamento estratégico

A empresa deve avaliar sua estrutura e operações para determinar a melhor forma de implementar a redução da jornada sem comprometer a produtividade.

2. Comunicação clara com os funcionários

Os colaboradores precisam ser informados sobre os motivos da mudança e como ela afetará sua rotina e remuneração.

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3. Uso de tecnologia para gestão do tempo

Ferramentas de controle de ponto e produtividade são essenciais para monitorar o desempenho da equipe e garantir que as metas sejam cumpridas.

Papel do Recursos Humanos (RH)

O setor de Recursos Humanos (RH) tem papel crucial para garantir que a redução da jornada seja implementada de maneira justa e eficiente. Entre suas principais funções estão:

  • Desenvolver diretrizes claras sobre a nova política de jornada reduzida.
  • Orientar gestores sobre a melhor forma de administrar equipes com carga horária menor.
  • Monitorar a produtividade e satisfação dos funcionários para avaliar os impactos da mudança.
  • Garantir conformidade legal, evitando problemas trabalhistas futuros.

Redução da jornada em 2025: Quais as novidades?

Homem olhando para o relógio representando intervalo intrajornada. trabalho justiça
Imagem: katemangostar / Freepik

Em 2025, novas propostas de redução da jornada estão sendo debatidas no Congresso. Entre elas:

  • PEC da deputada Erika Hilton (PSOL-SP): Propõe jornada de 36 horas semanais, distribuídas em quatro dias, sem redução salarial.
  • PEC 221/19: Sugere uma redução gradual da carga horária semanal de 44 para 36 horas ao longo de dez anos.
  • Portaria nº 3.665/2023: A partir de julho de 2025, acordos coletivos serão obrigatórios para definir trabalho em domingos e feriados.

Essas mudanças podem transformar o mercado de trabalho no Brasil e trazer novas oportunidades para empregadores e trabalhadores.

Considerações finais

A redução da jornada de trabalho é uma tendência global e, se bem implementada, pode gerar benefícios tanto para as empresas quanto para os colaboradores. No entanto, para que essa mudança seja bem-sucedida, é necessário planejamento, diálogo entre as partes envolvidas e adaptação às necessidades do mercado.

Com as discussões legislativas em andamento, 2025 pode marcar um novo capítulo para as relações de trabalho no Brasil. Fique atento às mudanças e prepare-se para essa possível transformação!

Helena Serpa

Autor

Helena Serpa

Jornalista mineira, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Apaixonada por linguagem simples e comunicação acessível, atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, onde produz conteúdos sobre finanças pessoais, cidadania, programas sociais, direitos do consumidor e outros temas relevantes para o dia a dia dos brasileiros. Sua escrita busca informar com clareza, contribuir com a inclusão digital e empoderar leitores a tomar decisões mais conscientes sobre dinheiro e serviços públicos.

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