A recuperação judicial da Oi pode entrar em uma nova etapa nas próximas semanas. O administrador judicial da companhia solicitou à 7ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro autorização para realizar uma segunda rodada do leilão da Unidade Produtiva Isolada (UPI) Oi Soluções com preço mínimo reduzido para R$ 700 milhões, equivalente a 50% do valor inicialmente estipulado.
Nova etapa do leilão da Oi Soluções prevê desconto de até 50%
Após leilão sem propostas, Oi poderá vender Oi Soluções por R$ 700 milhões em nova rodada para acelerar recuperação judicial.
O pedido foi apresentado após o primeiro leilão, realizado em 17 de junho, terminar sem o recebimento de propostas. Na ocasião, o ativo foi ofertado por R$ 1,4 bilhão, mas nenhum dos potenciais interessados apresentou oferta formal.
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Por que o preço da Oi Soluções pode cair para R$ 700 milhões?

A redução segue o procedimento previsto na Lei de Recuperação Judicial e Falências (Lei nº 11.101/2005). De acordo com o artigo 142, §3º-A, quando um ativo colocado à venda não recebe propostas em uma primeira tentativa pelo valor integral de avaliação, uma nova rodada deve ser realizada em até 15 dias, aceitando ofertas a partir de 50% do valor originalmente definido.
Na prática, isso significa que a Oi Soluções poderá ser negociada por pelo menos R$ 700 milhões na próxima disputa.
Caso a segunda rodada também não atraia interessados, a legislação permite a realização de uma terceira tentativa, igualmente em até 15 dias, sem exigência de preço mínimo.
O que é a Oi Soluções?
A Oi Soluções é a divisão corporativa da Oi voltada para o atendimento de empresas e órgãos públicos. A unidade oferece serviços de conectividade, transmissão de dados, infraestrutura digital, segurança cibernética, computação em nuvem e telecomunicações corporativas.
Trata-se de um dos ativos considerados estratégicos dentro do processo de reestruturação da operadora, justamente por atender clientes empresariais e contratos governamentais de grande relevância.
Serviços considerados essenciais
Segundo a manifestação apresentada pelo administrador judicial, a Oi Soluções participa de operações críticas para o funcionamento de diversos serviços públicos e privados no Brasil.
Entre os exemplos citados estão:
- Transmissão de dados para casas lotéricas;
- Serviços utilizados pela Justiça Eleitoral;
- Infraestrutura de programas sociais federais, incluindo o Bolsa Família;
- Soluções de conectividade para órgãos públicos e grandes empresas.
A continuidade desses serviços é apontada como um dos motivos para acelerar a venda da unidade.
Quem demonstrou interesse na compra?
Apesar da ausência de propostas no primeiro leilão, o administrador judicial destacou que houve movimentação relevante do mercado.
Cinco empresas solicitaram habilitação para participar do processo competitivo:
- Claro;
- Sercomtel;
- Telefônica Brasil;
- TIM;
- V.tal.
A Sercomtel desistiu do processo antes mesmo de acessar os documentos disponibilizados aos interessados. As demais empresas permaneceram avaliando os ativos, o que indica que o mercado continua acompanhando a operação.
Especialistas do setor avaliam que fatores como condições macroeconômicas, expectativa de retorno financeiro e complexidade operacional podem influenciar a decisão final dos potenciais compradores.
Por que a venda é importante para a recuperação judicial da Oi?
A alienação da Oi Soluções é considerada uma peça importante na estratégia de geração de caixa da companhia.
Desde sua entrada em recuperação judicial, a Oi vem promovendo a venda de ativos para reduzir dívidas e cumprir compromissos assumidos com credores. O processo inclui a alienação de diferentes unidades de negócio consideradas não essenciais para o futuro da empresa.
Segundo o administrador judicial, a venda da Oi Soluções ajudaria a:
Acelerar a entrada de recursos
A operação permitiria reforçar o caixa da companhia em um momento considerado decisivo para o cumprimento do plano de recuperação.
Maximizar o retorno aos credores
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O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro já reconheceu, em decisões anteriores, que a liquidação organizada dos ativos pode representar a alternativa mais eficiente para preservar valor e ampliar a recuperação dos créditos.
Garantir continuidade operacional
A definição rápida de um comprador também reduz incertezas para clientes corporativos e órgãos públicos que dependem dos serviços prestados pela unidade.
O que acontece se o segundo leilão fracassar?
Antecipando essa possibilidade, o administrador judicial pediu autorização para que sejam elaborados simultaneamente os editais da segunda e da terceira rodadas.
A estratégia busca evitar atrasos processuais e permitir que uma eventual terceira tentativa seja lançada imediatamente caso a nova disputa também termine sem ofertas.
Dessa forma, a Justiça precisaria apenas autorizar a publicação do edital correspondente, sem necessidade de reiniciar toda a tramitação administrativa.
O que o mercado espera agora?

A expectativa gira em torno da decisão da 7ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro sobre o pedido apresentado pelo administrador judicial.
Caso a autorização seja concedida, o novo leilão poderá ocorrer nas próximas semanas com valor mínimo de R$ 700 milhões. A redução significativa do preço tende a aumentar a atratividade do ativo para grupos que já analisaram a operação.
O resultado será acompanhado de perto pelo mercado de telecomunicações, pelos credores da Oi e pelos clientes corporativos atendidos pela Oi Soluções, já que a venda representa um dos movimentos mais relevantes da atual fase da recuperação judicial da companhia.
Conclusão
Após o fracasso da primeira tentativa de venda, a Oi busca uma solução prevista na legislação para destravar a negociação da Oi Soluções. A redução do preço mínimo de R$ 1,4 bilhão para R$ 700 milhões tem como objetivo ampliar o interesse dos investidores e acelerar a geração de recursos para a recuperação judicial da empresa.
Se confirmada pela Justiça, a nova rodada poderá definir o futuro de uma unidade estratégica para o setor de telecomunicações e para serviços essenciais que dependem de sua infraestrutura tecnológica em todo o país.
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