Milhões de brasileiros utilizam diariamente medicamentos para aliviar sintomas de gastrite, refluxo e úlceras. Entre os mais conhecidos estão omeprazol, pantoprazol, lansoprazol e esomeprazol — todos pertencentes à classe dos Inibidores da Bomba de Prótons (IBPs).
Esses medicamentos aumentam o risco de demência? Estudo revela dados preocupantes
Estudo liga este medicamento à demência. Saiba os riscos e alternativas. Fale com seu médico! Confira agora.
Apesar de sua eficácia, um novo estudo científico publicado na renomada revista Neurology acende um alerta importante: o uso prolongado desses remédios pode aumentar significativamente o risco de demência.
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O que são os Inibidores de Bomba de Prótons?

Como agem esses medicamentos?
Os IBPs atuam inibindo a produção de ácido no estômago, aliviando sintomas como azia, queimação e dor epigástrica. São indicados para tratar condições como:
- Doença do refluxo gastroesofágico (DRGE);
- Gastrite crônica;
- Úlceras gástricas e duodenais;
- Síndrome de Zollinger-Ellison.
Esses medicamentos são amplamente prescritos por médicos e, em muitos casos, vendidos sem necessidade de receita no Brasil.
Quais os nomes comerciais mais comuns?
Entre os nomes mais conhecidos estão:
- Omeprazol (ex: Losec, Mepral, Gastrozol);
- Pantoprazol (ex: Pantozol, Pantocal);
- Esomeprazol (ex: Nexium);
- Lansoprazol (ex: Prevacid).
Estudo que ligou IBPs à demência
Detalhes da pesquisa
A pesquisa, conduzida por cientistas da Universidade de Minnesota, nos Estados Unidos, avaliou 5.712 pacientes ao longo de quatro anos e meio. O foco foi observar a relação entre o uso prolongado dos IBPs e o desenvolvimento de demência.
O achado mais alarmante foi que o uso contínuo por mais de quatro anos aumentou em 33% o risco de demência em comparação a quem não utilizava esses medicamentos.
O que dizem os pesquisadores?
Segundo a professora Kamakshi Lakshminarayan, neurologista envolvida no estudo:
“Mais pesquisa é necessária para confirmar nossos achados e explorar as razões para essa correlação. Não recomendamos que ninguém interrompa seu tratamento sem orientação médica.”
Risco está no uso prolongado
Importante destacar que o risco não foi observado em pacientes que usaram os medicamentos por curtos períodos, o que reforça a necessidade de vigilância médica contínua e individualizada.
Por que os IBPs podem causar esse efeito?
Embora a causa exata da associação entre IBPs e demência ainda esteja sendo estudada, algumas hipóteses têm sido levantadas:
Deficiência de vitamina B12
O uso prolongado dos IBPs pode dificultar a absorção da vitamina B12, essencial para a função neurológica adequada. A deficiência dessa vitamina tem sido ligada a problemas cognitivos, como perda de memória e confusão mental.
Alterações na microbiota intestinal
Estudos indicam que a redução da acidez estomacal altera a flora intestinal, o que pode impactar negativamente a função cerebral. A chamada “eixo intestino-cérebro” é uma área emergente da neurociência.
Inflamação sistêmica
Outra teoria sugere que os IBPs podem desencadear processos inflamatórios no organismo, o que também está associado a doenças neurodegenerativas, como Alzheimer.
Especialistas fazem alerta: não pare de tomar por conta própria
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Apesar dos dados preocupantes, especialistas são unânimes: interromper o tratamento sem acompanhamento médico pode ser perigoso.
O que fazer se você usa omeprazol ou similares?
- Converse com seu médico. Ele poderá avaliar se há necessidade de continuar com o IBP ou se é possível substituí-lo.
- Reavalie a duração do uso. Muitos pacientes tomam omeprazol por anos, mesmo sem sintomas — algo que deve ser evitado.
- Considere alternativas. Em casos leves de refluxo, por exemplo, mudanças na dieta e no estilo de vida podem ser eficazes.
Alternativas ao uso prolongado de IBPs
Mudanças no estilo de vida
- Evite refeições pesadas e próximas da hora de dormir
- Reduza o consumo de álcool, café e alimentos gordurosos
- Eleve a cabeceira da cama
- Mantenha um peso saudável
Outras opções terapêuticas
- Antiácidos simples: como hidróxido de magnésio e alumínio, usados ocasionalmente
- Bloqueadores H2: como ranitidina ou famotidina (em alguns países)
- Terapias não medicamentosas: acupuntura e fitoterapia, com orientação profissional
O que diz a legislação brasileira sobre esses medicamentos?

No Brasil, medicamentos como omeprazol são vendidos sem necessidade de receita médica, o que pode contribuir para o uso indiscriminado. Em 2020, a Anvisa reforçou alertas sobre os riscos do uso prolongado sem supervisão.
Médicos e farmacêuticos defendem maior rigor no controle de venda e mais campanhas de conscientização.
Conclusão
O estudo publicado na Neurology traz um alerta valioso sobre o uso contínuo de medicamentos da classe dos IBPs. O omeprazol, embora eficaz no tratamento de problemas gástricos, pode estar associado a um risco 33% maior de demência quando usado por períodos prolongados.
O recado é claro: não se trata de pânico, mas de cautela. Reavaliar o uso, buscar orientação médica e adotar mudanças no estilo de vida podem ser atitudes decisivas para preservar tanto a saúde digestiva quanto a cognitiva.
Imagem: Myriams-Fotos / Pixabay
