A história da inteligência artificial moderna é marcada por grandes avanços tecnológicos, inovações disruptivas e colaborações estratégicas. Entre essas parcerias, uma das mais influentes — embora pouco conhecida até recentemente — é a que uniu a OpenAI e a Nvidia anos antes do surgimento do ChatGPT.
OpenAI e Nvidia: a parceria que começou antes do ChatGPT
Entenda como a Nvidia apoiou a OpenAI antes mesmo do ChatGPT e como essa aliança moldou o futuro da IA com supercomputação e inovação.
Muito antes da inteligência artificial se tornar o fenômeno global que é hoje, duas empresas com perfis distintos já estavam moldando o futuro juntas.
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Em 2016, a OpenAI ainda era uma organização sem fins lucrativos pouco conhecida fora do Vale do Silício. Seu objetivo era ambicioso: desenvolver uma inteligência artificial segura e acessível à humanidade.
Já a Nvidia, então reconhecida principalmente por suas placas de vídeo voltadas a jogos, vislumbrava o potencial de suas GPUs para além do entretenimento.
Foi nesse contexto que engenheiros da OpenAI bateram à porta da Nvidia.
Segundo Marcio Aguiar, diretor-geral da Nvidia para a América Latina, eles buscavam algo que ainda não existia no mercado convencional: uma máquina capaz de treinar redes neurais profundas com desempenho até então inalcançável.
O nascimento do DGX-1 e o início da revolução
A resposta da Nvidia à demanda da OpenAI foi a criação do DGX-1, um supercomputador com oito GPUs interconectadas, projetado para funcionar como uma única unidade de processamento massiva.
Jensen Huang, CEO da Nvidia, decidiu apostar na visão da OpenAI e doou a primeira unidade da máquina à organização, mesmo diante da incerteza sobre seu retorno.
Segundo Aguiar, a confiança mútua foi determinante: “Nosso CEO desenhou o primeiro supercomputador de IA e pensou: ‘eu tenho uma demanda computacional que está por vir’. Quando a OpenAI pediu, ele acreditou na palavra dos engenheiros.”
Essa decisão seria, anos depois, vista como um dos pontos de inflexão na história da IA.
Como a tecnologia da Nvidia impulsionou o desenvolvimento do ChatGPT
As GPUs e a transformação da IA
O grande diferencial da Nvidia está na arquitetura de suas GPUs, que oferecem altíssimo paralelismo computacional — ideal para treinar modelos de linguagem como os usados pela OpenAI.
Enquanto CPUs tradicionais processam tarefas em sequência, as GPUs da Nvidia lidam com milhares de operações simultaneamente, acelerando o aprendizado de máquinas.
Com o DGX-1, a OpenAI começou a treinar versões iniciais de seus modelos de linguagem natural, o que culminaria, anos depois, na criação do ChatGPT. O modelo só foi possível graças a esse salto de poder computacional.
ChatGPT: um filho indireto da colaboração
O ChatGPT, lançado em novembro de 2022, se tornou um marco popular na adoção massiva da inteligência artificial.
Mas sua origem remonta àquela primeira parceria entre Nvidia e OpenAI. O que o público vê como um “produto final” é, na verdade, o resultado de anos de investimentos em infraestrutura e P&D (pesquisa e desenvolvimento).
Nvidia: de fornecedora de placas para líder da revolução em IA
O crescimento exponencial e o domínio do mercado
Em 2025, a Nvidia é avaliada em mais de US$ 3,5 trilhões, tendo ultrapassado empresas como Apple, Microsoft e Amazon em valor de mercado.
Essa ascensão meteórica se deve, em grande parte, à sua liderança em IA e à sua capacidade de atender demandas críticas de computação para modelos cada vez mais complexos.
A empresa se consolidou como a principal fornecedora de chips para IA em todas as Big Techs, incluindo Google, Meta, Amazon, Microsoft — e, claro, OpenAI.
A filosofia por trás do negócio: não é só vender chips
Embora seus produtos mais famosos, como o H100 — um chip de IA que pode custar entre US$ 30 mil e US$ 40 mil — sejam muito procurados, a Nvidia adota uma abordagem consultiva.
Antes de fechar qualquer venda, orienta os clientes sobre a melhor solução para suas necessidades, seja uma GPU física ou uma instância virtual na nuvem.
Como explica Marcio Aguiar: “Nosso trabalho é orientar e entender a necessidade do cliente. Não é simplesmente vender uma peça e acabou.”
O caso do “modelo aberto”: IA não é para qualquer um
Em uma postura surpreendente, a Nvidia até compartilha arquiteturas com outras empresas que desejam fabricar seus próprios chips. “Quer copiar? Toma aqui o modelo”, diz Aguiar.
Isso porque a Nvidia sabe que reproduzir um ecossistema tão complexo exige bilhões em investimentos e dezenas de parceiros globais. Mesmo com os projetos em mãos, poucas empresas conseguem replicar o que a Nvidia já construiu.
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Supercomputadores e a democratização da IA: é possível?
A IA para todos ou para poucos?
Embora a Nvidia tenha facilitado o acesso a supercomputadores como o DGX-1, a pergunta permanece: a IA pode ser realmente democratizada? Produzir hardware de ponta é extremamente caro e técnico. Isso faz com que apenas grandes organizações ou governos consigam, por enquanto, operar nesse nível.
Por isso, a Nvidia também aposta em soluções baseadas em nuvem, permitindo que pesquisadores, startups e universidades tenham acesso ao poder computacional necessário sem adquirir infraestrutura própria.
O papel da nuvem e os modelos como serviço
Serviços como DGX Cloud oferecem ambientes de desenvolvimento de IA por assinatura. A ideia é permitir que qualquer desenvolvedor — com orçamento e orientação técnica — possa construir soluções com base em modelos avançados sem a necessidade de comprar chips caros.
Essa abordagem “as a service” é uma das apostas da Nvidia para popularizar o uso da IA sem comprometer sua qualidade.
O impacto no Brasil: data centers, chips e planos futuros

O Brasil como hub de processamento?
O governo brasileiro tem discutido a concessão de incentivos fiscais para atrair data centers internacionais, com o objetivo de transformar o país em um polo de processamento de dados.
A Nvidia vê esse movimento com bons olhos, mas alerta que a construção de um ecossistema sólido vai muito além de benefícios fiscais.
Precisa de mais do que isenção
Segundo Aguiar, “a gente não tem condições de fazer tudo sozinho”. A fabricação de chips exige cadeias globais de suprimento, além de infraestrutura robusta, segurança energética e mão de obra especializada. Embora o Brasil esteja em movimento, ainda há um longo caminho a ser percorrido.
Considerações finais: uma parceria que reescreveu o futuro da tecnologia
O que começou com uma conversa entre engenheiros e um gesto de confiança se transformou em uma das maiores revoluções tecnológicas do século. A parceria entre OpenAI e Nvidia não apenas antecedeu o ChatGPT, como criou as bases para a nova era da inteligência artificial.
Se hoje vemos modelos de linguagem transformando educação, saúde, trabalho e cultura, muito disso se deve à visão ousada de duas empresas que, quando ainda eram ilustres desconhecidas fora de seus nichos, decidiram caminhar juntas rumo ao desconhecido.
E como o próprio CEO da Nvidia afirmou: “IA não é para todo mundo” — mas, graças a essa parceria, ela está cada vez mais perto de ser.
