A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) desencadeou nesta segunda-feira (26 de maio de 2025) uma operação nacional de combate à comercialização de eletrônicos piratas no Brasil.
Pirataria digital: Anatel confisca drones e eletrônicos falsificados em Amazon e Mercado Livre
Confira como a Anatel apreendeu drones e celulares piratas em marketplaces. Saiba o que muda para os consumidores!
A ação, que integra o Plano de Ação de Combate à Pirataria (PACP), teve como foco depósitos da Amazon, Mercado Livre e Shopee em seis estados brasileiros. Sendo assim, acompanhe a leitura deste artigo a seguir para entender mais sobre a operação ocorrida nesta última semana.
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Onde a operação aconteceu?

As ações de fiscalização ocorreram simultaneamente em depósitos de marketplaces que lideram o comércio eletrônico nacional. Veja os locais alvos da operação:
- São Paulo: Amazon (São Paulo capital) e Mercado Livre (Cajamar);
- Rio de Janeiro: Shopee (São João de Meriti);
- Minas Gerais: Shopee (Betim) e Mercado Livre (Contagem);
- Santa Catarina: Mercado Livre (Governador Celso Ramos);
- Goiás: Shopee (Hidrolândia);
- Bahia: Mercado Livre (Lauro de Freitas).
Balanço parcial da Anatel: mais de 1.400 produtos apreendidos
A Anatel informou que, até o momento, mais de 1,4 mil produtos eletrônicos não homologados foram apreendidos. Entre os itens confiscados estão drones, celulares, rádios e outros dispositivos de telecomunicação que não atendem aos padrões exigidos pela legislação brasileira.
Detalhamento por empresa e estado:
Amazon (Cajamar, SP):
- 1.000 produtos irregulares apreendidos;
- 400 eram drones.
Mercado Livre (Governador Celso Ramos, SC):
- 466 produtos, todos drones.
Mercado Livre (Lauro de Freitas, BA):
- 21 drones.
A Shopee, embora alvo da operação, ainda não teve seus números divulgados pela Anatel até o fechamento deste texto.
Por que a Anatel está apreendendo eletrônicos?
Desde 2023, a agência intensificou sua vigilância sobre anúncios de produtos eletrônicos piratas em marketplaces. O principal objetivo é coibir a venda de dispositivos sem homologação, que podem colocar o consumidor em risco por não seguirem normas técnicas e de segurança.
O conselheiro da Anatel, Alexandre Freire, afirmou que o momento atual exige ações mais incisivas:
“Assim como qualquer outro setor do comércio, os marketplaces não podem postergar a adoção de medidas efetivas para combater a comercialização de produtos de telecomunicações não homologados.”
Marketplaces foram notificados anteriormente
Antes da operação, Amazon, Mercado Livre e Shopee já haviam sido notificadas oficialmente sobre a presença de produtos piratas em seus ambientes virtuais.
Como essas empresas operam como marketplaces — permitindo que terceiros vendam por meio de suas plataformas —, a responsabilidade é compartilhada.
A Anatel solicitou que anúncios irregulares fossem removidos e que os vendedores fossem suspensos, mas as vendas continuaram, o que motivou a operação física.
O que dizem Amazon, Mercado Livre e Shopee?
Até o momento da publicação, Shopee e Mercado Livre não se pronunciaram.
Já a Amazon respondeu em nota:
“A Amazon combate a venda de aparelhos celulares não homologados em seu marketplace, atuando em total conformidade com as legislações locais.”
A empresa também declarou que mantém cooperação com a Anatel desde 2023 e que realiza monitoramento contínuo para detectar e remover produtos irregulares. Posteriormente, a Amazon atualizou a nota para esclarecer que:
- Não houve apreensões em seu centro de distribuição de São João de Meriti (RJ);
- Em Cajamar (SP), vai revisar a lista de produtos apreendidos;
- Celulares apreendidos não foram encontrados em suas unidades.
Quais os riscos de comprar produtos piratas?
Dispositivos não homologados:
- Não passam por testes de segurança elétrica e interferência de sinal;
- Podem oferecer risco de incêndio, explosões ou falhas de comunicação;
- Não têm garantia de funcionamento ou assistência técnica legal no Brasil.
Prejuízo ao consumidor:
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- Perda de garantia;
- Dificuldade para reparos;
- Eventual responsabilidade civil por danos causados.
O que muda para o consumidor e para os marketplaces?
A operação da Anatel inaugura uma nova fase na fiscalização do comércio eletrônico. As plataformas digitais terão de investir mais em inteligência de dados, auditoria interna e bloqueio automatizado de anúncios irregulares.
Para o consumidor, a recomendação é clara: verificar se o produto possui homologação da Anatel antes de realizar a compra. O selo pode ser conferido:
- Na embalagem do produto;
- No manual do usuário;
- No site da Anatel, informando o número do modelo.
Como verificar se um produto é homologado?
Passo a passo no site da Anatel:
- Acesse: https://sistemas.anatel.gov.br/sch;
- Clique em Consulta Pública de Produtos Homologados;
- Insira o nome do produto, marca ou número do modelo;
- Verifique o status da homologação.
Legislação: o que diz a lei?
A comercialização de produtos não homologados viola a Lei Geral de Telecomunicações (Lei nº 9.472/1997). As empresas e indivíduos envolvidos podem sofrer:
- Multas administrativas;
- Apreensão de mercadorias;
- Processos por crime contra o consumidor.
Panorama: pirataria digital cresce no Brasil

A popularização de marketplaces e a facilidade de importação direta — principalmente da China — colaboraram para o aumento da circulação de produtos piratas de tecnologia no país.
Em 2024, segundo levantamento da própria Anatel, mais de 7 mil denúncias sobre vendas irregulares foram recebidas em seus canais de atendimento.
Conclusão
A operação da Anatel é um sinal claro de que a era da fiscalização passiva chegou ao fim. O foco agora está na responsabilização direta dos marketplaces e na proteção ativa do consumidor.
Consumidores devem ficar atentos aos produtos adquiridos online, enquanto empresas precisarão melhorar seus sistemas de verificação interna para evitar novos embaraços legais e danos à reputação.
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