A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta terça-feira (17), mais uma etapa da Operação Sem Desconto, ação que investiga um amplo esquema de fraudes em aposentadorias e pensões do INSS, por meio de descontos indevidos realizados por sindicatos e associações de classe.
INSS: PF cumpre mandados de prisão na Operação Sem Desconto
Polícia Federal cumpre mandados de prisão e busca na Operação Sem Desconto, que apura fraudes bilionárias em aposentadorias do INSS.
A operação resultou em dois mandados de prisão preventiva e cinco mandados de busca e apreensão, todos autorizados pela 3ª Vara Federal de Sergipe.
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Prisões e apreensões marcam nova fase da operação

As prisões ocorreram nas cidades de Aracaju e Umbaúba, em Sergipe. Já os mandados de busca e apreensão foram cumpridos em cinco endereços nos municípios de Aracaju (2), Cristinápolis (2) e Umbaúba (1).
Além das prisões, a Justiça determinou o sequestro de cinco imóveis pertencentes aos investigados, avaliados em cerca de R$ 12 milhões. A medida busca garantir a reparação aos aposentados e pensionistas lesados pelas fraudes.
Objetivo da operação
A Operação Sem Desconto foi iniciada em abril de 2025 e é coordenada em conjunto pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União (CGU).
O foco principal é desmontar o esquema de cobrança indevida de mensalidades associativas e sindicais diretamente na folha de pagamento de aposentadorias e pensões do INSS.
Entenda o esquema de fraude contra beneficiários do INSS
Entre os anos de 2019 e 2024, entidades sindicais e associações teriam realizado descontos indevidos que somam cerca de R$ 6,3 bilhões, de acordo com relatório da PF. Os valores foram debitados diretamente dos benefícios, sem autorização dos segurados.
A fraude era disfarçada como contribuições associativas e sindicais, muitas vezes simulando consentimento dos beneficiários por meio de documentos falsificados ou sistemas informatizados que não garantiam autenticação adequada.
Sinais ignorados pelo INSS
Segundo relatório da Polícia Federal, o INSS teria ignorado diversos alertas de aposentados e órgãos de controle, como o Tribunal de Contas da União (TCU), que emitiu acórdão solicitando a suspensão desses descontos até a implantação de um sistema com autenticação biométrica.
O documento afirma ainda que o INSS “não sustentou medidas preventivas” e manteve os descontos, mesmo diante do aumento significativo de denúncias registradas por aposentados e pensionistas.
Impacto político e institucional
O escândalo resultou em profundas mudanças na cúpula da Previdência Social. Em abril, Carlos Lupi foi exonerado do cargo de ministro da Previdência, e Alessandro Stefanutto deixou a presidência do INSS.
Ambos foram pressionados politicamente após a revelação de documentos internos que indicavam conhecimento prévio sobre o aumento nos descontos e as queixas de milhares de beneficiários.
Ligações financeiras e bens de luxo
As investigações também revelaram transferências de mais de R$ 17 milhões de intermediários ligados às associações para contas de ex-diretores e servidores públicos do INSS.
Um dos envolvidos, de acordo com a PF, foi beneficiado com um carro de luxo avaliado em mais de R$ 500 mil, evidenciando o enriquecimento ilícito de agentes públicos.
Como funcionava o golpe dos descontos indevidos
O mecanismo de fraude era relativamente simples, mas difícil de detectar em larga escala. Com acesso à base de dados do INSS ou por meio de parcerias com entidades conveniadas, sindicatos cadastravam contribuições em nome dos beneficiários, independentemente de autorização prévia.
Etapas do golpe
- Associações utilizavam cadastros de beneficiários do INSS
- Inseriam descontos sem assinatura ou anuência do aposentado
- Valores variavam entre R$ 10 e R$ 60 por mês
- As cobranças apareciam como “contribuição sindical” ou “mensalidade associativa”
- Reclamações eram ignoradas ou demoravam meses para serem resolvidas
Reação de aposentados e órgãos de defesa
Desde 2023, o número de reclamações no Procon e em plataformas como o Consumidor.gov aumentou exponencialmente. Diversos beneficiários relataram dificuldades em cancelar os descontos e a ausência de canais efetivos de atendimento pelas entidades envolvidas.
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Associações de aposentados, como a COBAP (Confederação Brasileira de Aposentados e Pensionistas), denunciaram que milhares de idosos foram vítimas silenciosas do esquema, muitos dos quais sequer compreendiam os detalhes do desconto.
Medidas de reparação e ressarcimento
Com o avanço das investigações, o governo federal anunciou que os valores descontados indevidamente deverão ser devolvidos aos beneficiários. Para isso, será criado um fundo de ressarcimento judicial, alimentado com os bens bloqueados dos envolvidos.
O que fazer se identificar descontos indevidos
Os aposentados que suspeitarem de descontos não autorizados devem:
- Consultar o extrato de pagamentos do INSS pelo site ou app Meu INSS
- Identificar qualquer contribuição associativa desconhecida
- Registrar denúncia junto ao INSS (telefone 135) e no Procon local
- Apresentar boletim de ocorrência e buscar auxílio jurídico, se necessário
Novas diretrizes do INSS para prevenir fraudes

Após o escândalo, o novo presidente do INSS, nomeado em maio de 2025, anunciou uma revisão completa dos convênios com entidades sindicais. As novas regras incluem:
- Autorização digital com biometria facial para qualquer novo desconto
- Fim do débito automático de mensalidades associativas
- Criação de um portal de transparência para os beneficiários acompanharem todos os descontos em tempo real
Considerações finais
A Operação Sem Desconto revelou uma das maiores fraudes previdenciárias da história recente do Brasil, com impacto direto na vida de milhões de aposentados e pensionistas.
O caso evidencia não apenas a fragilidade dos sistemas de controle do INSS, mas também a necessidade urgente de transparência, tecnologia e fiscalização nas relações entre o setor público e entidades privadas.
A continuidade das investigações e a devolução dos valores serão decisivas para a reconstrução da confiança no sistema previdenciário brasileiro. Para os segurados, a principal lição é manter vigilância constante sobre seus benefícios e denunciar qualquer irregularidade.
A PF segue apurando a participação de mais envolvidos e novas fases da operação podem ser deflagradas nos próximos meses.
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