A quinta-feira (13) começou com desdobramentos de um dos maiores escândalos recentes envolvendo o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A Polícia Federal (PF), em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU), prendeu o ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, em nova fase da Operação Sem Desconto, que investiga uma organização criminosa responsável por realizar descontos não autorizados em aposentadorias e pensões.
Alessandro Stefanutto, ex-chefe do INSS, é preso em operação da Polícia Federal
Ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, é preso pela PF em nova fase da operação Sem Desconto, veja!
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A nova etapa da Operação Sem Desconto
Prisões e medidas cautelares
Na fase atual, foram cumpridos 10 mandados de prisão preventiva, além de 63 mandados de busca e apreensão e diversas outras medidas cautelares em 15 estados, incluindo o Distrito Federal e o Rio Grande do Sul. A ação investiga crimes como:
- Inserção de dados falsos em sistemas públicos;
- Estelionato previdenciário;
- Corrupção ativa e passiva;
- Organização criminosa;
- Lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio.
Prisão de Stefanutto
Alessandro Stefanutto já havia sido afastado do cargo de presidente do INSS em abril de 2025, durante a primeira fase da operação, mas nesta nova etapa acabou sendo preso preventivamente. A prisão marca o ponto mais alto das investigações até agora, revelando o envolvimento direto de servidores de alto escalão em práticas fraudulentas contra milhões de beneficiários da Previdência Social.
Entenda o esquema de descontos ilegais
Descontos associativos sem consentimento
A investigação revelou que aposentados e pensionistas do INSS estavam sendo vítimas de descontos indevidos em seus benefícios, supostamente vinculados a associações e entidades de classe. Essas entidades prometiam benefícios como:
- Auxílio funerário;
- Atendimento odontológico e psicológico;
- Consultoria jurídica;
- Acesso a colônias de férias e academias.
Entretanto, muitos segurados sequer sabiam que estavam vinculados a essas associações e nunca autorizaram os descontos, que eram aplicados diretamente em suas aposentadorias, violando a legislação e a proteção de dados pessoais.
Venda de dados e participação de intermediários
O golpe envolvia o vazamento de dados de aposentados, que eram repassados a corretores e associações fraudulentas. A partir disso, os nomes eram vinculados a entidades sem consentimento, permitindo a aplicação dos descontos.
A dimensão do esquema chamou atenção: segundo a CGU e a PF, o prejuízo estimado aos beneficiários já ultrapassa R$ 6,3 bilhões, afetando especialmente idosos de baixa renda, que dependem integralmente dos valores recebidos do INSS.
Servidores afastados e envolvidos
Durante a primeira fase da operação, em abril, cinco servidores públicos foram afastados:
- Vanderlei Barbosa dos Santos – Diretor de Benefícios e Relacionamento com o Cidadão;
- Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho – Procurador-Geral do INSS;
- Geovani Batista Spiecker – Coordenador-Geral de Suporte ao Atendimento ao Cliente;
- Jucimar Fonseca da Silva – Coordenador-Geral de Pagamentos e Benefícios;
- Um agente da PF lotado no aeroporto de Congonhas (SP), cujo nome não foi divulgado.
A investigação também apurou que entre 2023 e 2024, o operador conhecido como “Careca do INSS”, identificado como Antônio Carlos Camilo Antunes, teria movimentado R$ 9,3 milhões para pessoas ligadas a servidores do instituto. Ele foi preso em setembro.
O perfil de Alessandro Stefanutto
Trajetória profissional
Stefanutto assumiu a presidência do INSS em 11 de julho de 2023, nomeado com a promessa de modernizar e acelerar os processos internos da autarquia. Sua posse, em Brasília, foi acompanhada por servidores e autoridades.
Antes disso, ele já havia atuado:
- No Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP);
- Como técnico da Receita Federal;
- Na Consultoria Jurídica do Ministério da Ciência e Tecnologia;
- Como Procurador-Geral do INSS entre 2011 e 2017;
- E como Diretor de Finanças e Logística do INSS até julho de 2023.
Stefanutto é filiado ao PSB (Partido Socialista Brasileiro) e tinha como missão enfrentar a fila de espera de mais de 1,7 milhão de requerimentos no INSS. Contudo, seu nome passou a ser ligado à maior fraude previdenciária dos últimos anos.
Afastamento e queda
Com a deflagração da primeira fase da Operação Sem Desconto, Stefanutto foi afastado preventivamente e, posteriormente, exonerado. Agora, com sua prisão preventiva decretada, o cerco jurídico se intensifica para o ex-presidente e outros investigados no esquema.
Impactos e desdobramentos
Fraude bilionária e crise de confiança
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O escândalo levanta sérias preocupações sobre os mecanismos de fiscalização interna do INSS e a fragilidade na proteção de dados de milhões de segurados. A estimativa de R$ 6,3 bilhões em prejuízos representa um rombo histórico nas contas públicas e reforça a urgência de reformular os sistemas de segurança e controle.
Além do dano financeiro, há uma perda de credibilidade institucional, principalmente junto à população mais vulnerável, que depende do benefício previdenciário como principal — muitas vezes única — fonte de renda.
Ações da CGU e Ministério da Previdência
A CGU reforçou que continuará monitorando todos os contratos firmados com entidades conveniadas ao INSS, além de recomendar a suspensão de repasses e o bloqueio de novos cadastros de associações até a conclusão da apuração.
O Ministério da Previdência Social informou que acompanha de perto a operação e já trabalha em uma reestruturação das regras de autorização de desconto em folha, buscando criar um sistema mais transparente e rastreável.
O que muda para os aposentados
Como identificar descontos indevidos
Os beneficiários devem estar atentos aos seus extratos de pagamento, disponíveis pelo aplicativo Meu INSS ou pelo site oficial. Caso identifiquem valores cobrados por associações às quais não se filiaram, é possível registrar uma denúncia na ouvidoria ou solicitar o cancelamento do desconto diretamente.
A quem recorrer
Para quem se sentir lesado, as principais alternativas são:
- Ouvidoria do INSS – pelo número 135 ou pelo site;
- Procon – especialmente se o caso envolver instituições privadas;
- Justiça Federal – em casos mais graves, com comprovação de danos materiais e morais.
Próximos passos da investigação
Com o avanço da nova fase da operação, as autoridades esperam novas prisões e aprofundamento das análises sobre o envolvimento de empresas, servidores e entidades privadas. A expectativa é de que o material apreendido — documentos, computadores, contratos e mensagens — revele o rastro completo do esquema e seus beneficiários ocultos.
Imagem: Kebec Nogueira/Metrópoles
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