O governo federal encaminhou nesta segunda-feira, 31 de agosto, ao Congresso Nacional a proposta de Orçamento para 2027, que prevê um salário mínimo de R$ 1.741 para o próximo ano. O projeto reúne as principais estimativas de arrecadação e despesas da União e ainda precisará passar pela análise dos parlamentares antes da definição do orçamento definitivo.
Outro ponto de destaque é a previsão de um aporte de R$ 6 bilhões nos Correios, empresa que enfrenta uma grave deterioração financeira. A proposta também considera uma perspectiva de resultado fiscal positivo para 2027, além do novo valor projetado para o salário mínimo.
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Salário mínimo de R$ 1.741 é uma das principais previsões

O PLOA de 2027 considera um salário mínimo de R$ 1.741. Se confirmado, o piso terá aumento de R$ 120 em relação aos R$ 1.621 vigentes em 2026, uma elevação de aproximadamente 7,4%.
É importante destacar que o valor apresentado no Orçamento ainda é uma projeção. O salário mínimo definitivo depende dos indicadores econômicos utilizados no cálculo e será oficialmente definido no fim de 2026.
A política de valorização considera a inflação medida pelo INPC e o crescimento real da economia, dentro dos limites estabelecidos pelo arcabouço fiscal. A previsão anterior, apresentada no Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO), era de R$ 1.717, mas a estimativa foi posteriormente elevada.
O reajuste tem importância que vai muito além dos trabalhadores que recebem o piso nacional. Benefícios previdenciários vinculados ao salário mínimo e o Benefício de Prestação Continuada (BPC) também são afetados pela atualização.
Na prática, uma alta do piso aumenta a renda de milhões de beneficiários, mas também eleva as despesas obrigatórias do governo. Por isso, o valor do salário mínimo é uma variável importante para o planejamento das contas públicas.
Correios devem receber R$ 6 bilhões em 2027
Outro destaque da proposta é a previsão de R$ 6 bilhões para os Correios. O recurso está relacionado ao processo de recuperação financeira da estatal e ao contrato do empréstimo de R$ 12 bilhões obtido pela empresa em 2025 com garantia da União.
A medida ocorre em um momento delicado para os Correios. No primeiro semestre de 2026, a estatal acumulou prejuízo de aproximadamente R$ 5,55 bilhões. No segundo trimestre, a perda líquida ficou em R$ 2,4 bilhões.
O aporte faz parte da estratégia para melhorar a liquidez da empresa e dar condições para a execução do plano de reestruturação. A intenção do governo é permitir que a estatal reorganize suas finanças, negocie com fornecedores e clientes e busque recuperar resultados positivos.
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Isso não significa, porém, que os Correios estarão financeiramente recuperados apenas com a transferência de recursos. A empresa ainda precisa avançar em medidas de redução de despesas, aumento de receitas e reorganização de suas obrigações.
Orçamento prevê resultado fiscal positivo

A proposta também apresenta uma meta de superávit primário de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB), equivalente a aproximadamente R$ 73,2 bilhões. Esse é o resultado considerado para as regras fiscais, com possibilidade de exclusão de determinadas despesas conforme a legislação.
Quando são consideradas também despesas que ficam fora do cálculo da meta fiscal, a estimativa de resultado positivo é menor, próxima de 0,1% do PIB. Essa diferença é importante porque mostra que o cenário fiscal continua pressionado mesmo diante da previsão formal de superávit.
A situação da dívida pública permanece como um dos principais desafios. Em julho de 2026, a dívida bruta do governo geral chegou a 82,5% do PIB, segundo dados divulgados pelo Banco Central.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital



