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Bancos centrais podem trocar dólares por ouro, prevê investidor

Ouro ultrapassa US$ 5.300 e investidores veem risco no dólar e nos títulos dos EUA diante do déficit e da política externa americana.

Jessica CassanaPor Jessica Cassana6 min de leitura
ouro

O ouro atingiu US$ 5.300 por onça no mês passado, renovando máximas históricas e reacendendo um debate antigo, mas cada vez mais atual: o futuro do dólar como principal ativo de reserva global. O movimento ocorre em meio à política externa agressiva dos Estados Unidos, liderada pelo presidente Donald Trump, e ao avanço de um déficit fiscal considerado insustentável por órgãos oficiais americanos.

A combinação entre incerteza geopolítica, ameaças tarifárias e deterioração das contas públicas levou investidores e bancos centrais a reforçarem a busca por ativos considerados mais seguros, com destaque para o metal precioso. Para alguns gestores de peso em Wall Street, esse movimento pode marcar uma transição estrutural no sistema financeiro global.

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Ouro em alta e fuga para segurança

A escalada do ouro acontece em um momento de crescente aversão ao risco. Investidores globais têm reagido às tensões comerciais e diplomáticas dos EUA, além da percepção de fragilidade fiscal do país.

O Escritório de Orçamento do Congresso (CBO) estima que o déficit americano alcançou US$ 1,9 trilhão, patamar classificado como insustentável no médio e longo prazo. Esse cenário pressiona a credibilidade do dólar e dos títulos do Tesouro dos EUA, tradicionalmente vistos como o ativo mais seguro do mundo.

Na prática, o mercado começa a questionar se os Treasuries continuarão ocupando sozinhos esse papel.

A visão de David Einhorn sobre a mudança global

Um dos alertas mais contundentes veio de David Einhorn, fundador da Greenlight Capital. Em entrevista recente à CNBC, Einhorn afirmou que os bancos centrais estão mudando gradualmente sua estratégia de reservas.

Segundo ele, o ouro está deixando de ser apenas uma proteção pontual para assumir um papel estrutural.

“Os bancos centrais ao redor do mundo estão comprando ouro. Enquanto há alguns anos era principalmente títulos do Tesouro”, afirmou o investidor.

Para Einhorn, a instabilidade da política comercial americana tem incentivado países a buscar alternativas ao dólar para liquidar comércio internacional, fortalecendo o apelo do metal precioso como reserva de valor.

O dólar ainda domina — mas com sinais de desgaste

Apesar do discurso mais alarmista, os dados mostram que o dólar segue dominante. Segundo informações do Federal Reserve da Filadélfia, em julho de 2025 a moeda americana ainda representava cerca de 58% das reservas cambiais globais.

No entanto, há sinais claros de erosão gradual. Na primeira metade do ano passado, bancos centrais venderam mais de US$ 48 bilhões em títulos do Tesouro. Ao mesmo tempo, embora as compras de ouro tenham diminuído em 2025 em relação ao pico observado entre 2022 e 2024, o estoque global de ouro em reservas permanece elevado, de acordo com o World Gold Council.

O movimento sugere diversificação, não abandono imediato do dólar, mas com implicações relevantes para o sistema financeiro internacional.

Ouro como termômetro de confiança, não de inflação

Einhorn é conhecido por uma leitura pouco convencional do mercado de ouro. Para ele, o metal não reage apenas à inflação, mas principalmente à confiança na política fiscal e monetária.

Em entrevistas anteriores, o gestor deixou claro que não defende um retorno ao padrão-ouro. Ainda assim, vê o metal como um instrumento de proteção contra má gestão econômica, especialmente em momentos de expansão fiscal sem contrapartidas claras.

Essa visão ganhou força com as projeções do CBO, que indicam que a relação déficit/PIB dos EUA pode atingir 6,7% até 2036, caso o ritmo atual de gastos seja mantido.

Política monetária e apostas em cortes de juros

Outro fator que sustenta a tese do ouro é a expectativa de flexibilização monetária. Einhorn acredita que o Federal Reserve fará mais cortes de juros do que o mercado atualmente precifica.

“Acho que uma das melhores apostas agora é apostar em mais cortes este ano do que o esperado”, afirmou. Para o investidor, até o fim do ano, o número de cortes pode ser significativamente maior do que os dois atualmente projetados.

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Mesmo após um relatório de empregos mais forte em janeiro, que reduziu temporariamente as apostas em novos cortes, Einhorn mantém sua convicção, apostando em mudanças na condução do Fed e maior tolerância a estímulos monetários.

O chamado “Efeito Einhorn”

A influência de David Einhorn no mercado não é trivial. O investidor construiu sua reputação ao identificar fragilidades antes que elas se tornassem evidentes para o mercado.

Em 2002, ganhou notoriedade ao apostar contra a Allied Capital. Em 2007, repetiu o movimento ao alertar sobre os riscos do Lehman Brothers, meses antes do colapso que marcou a crise financeira global. Essas apresentações públicas, seguidas de fortes quedas nas ações, deram origem ao termo “Efeito Einhorn”, usado para descrever o impacto imediato de suas análises nas decisões de investidores.

Hoje, ao apontar riscos estruturais no dólar e nos Treasuries, o gestor volta a chamar atenção para possíveis desequilíbrios de longo prazo.

O que isso significa para investidores e países

A alta do ouro e o debate sobre reservas globais não indicam uma substituição imediata do dólar, mas sinalizam uma mudança gradual de comportamento. Para países emergentes, o aumento das reservas em ouro funciona como proteção cambial e política. Para investidores, reforça o papel do metal como instrumento de diversificação em cenários de instabilidade.

Mesmo após uma leve correção, com o ouro recuando para a faixa de US$ 5.100 por onça, o patamar segue historicamente elevado, refletindo um ambiente global de cautela.

Considerações finais

O avanço do ouro para níveis recordes reflete mais do que uma simples movimentação especulativa. Ele traduz a crescente desconfiança em relação à sustentabilidade fiscal dos EUA, à previsibilidade de sua política externa e ao papel exclusivo do dólar como reserva global.

Embora o dólar ainda seja dominante, a fala de investidores como David Einhorn mostra que o sistema financeiro internacional pode estar entrando em uma fase de transição silenciosa, na qual o ouro volta a ocupar um espaço central como ativo de proteção e confiança.

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INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Jessica Cassana

Autor

Jessica Cassana

Jéssica Cassana é especialista em benefícios sociais e atua como redatora no portal Seu Crédito Digital. Com linguagem acessível e conteúdo direto ao ponto, compartilha orientações práticas sobre o Bolsa Família, CadÚnico, CRAS, Caixa Tem e demais programas do governo. Sua missão é ajudar os leitores a entender e acessar seus direitos com mais autonomia, segurança e clareza.

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