Em quatro meses, o preço da dúzia de ovos brancos saltou 43,6% na capital paulista, tornando-se o item com maior variação da cesta básica, segundo pesquisa do Procon-SP. Mesmo com uma leve queda no último mês, os impactos ainda são sentidos no bolso do consumidor.
Ovo mais caro: valor sobe 43,6% em quatro meses, segundo Procon-SP
Preço do ovo branco sobe 43,6% em SP entre dezembro e abril, segundo levantamento do Procon-SP.
O ovo, tradicional alternativa proteica para muitas famílias brasileiras, se tornou um símbolo recente do aumento do custo de vida em São Paulo. De acordo com levantamento realizado pelo Procon-SP em parceria com o Dieese, o valor da dúzia de ovos brancos aumentou de R$ 10,02 em dezembro de 2024 para R$ 14,39 em abril de 2025, um salto de 43,6% no período. O produto lidera o ranking de alta de preços da cesta básica na capital paulista.
A notícia ganha ainda mais relevância em um contexto onde o alimento é considerado essencial para grande parte da população, especialmente diante da alta constante em carnes e outros itens de origem animal.
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Oscilações recentes: leve alívio em abril

Apesar do avanço expressivo ao longo de quatro meses, abril trouxe um pequeno alívio para os consumidores. A dúzia, que havia atingido R$ 15,18 em março, caiu para R$ 14,39 no mês seguinte – uma redução de 5,2%.
Ainda assim, o preço permanece significativamente acima do valor registrado em dezembro. Os dados reforçam a necessidade de atenção contínua à cadeia produtiva e aos fatores que influenciam diretamente os custos do alimento.
Por que o ovo ficou mais caro?
Especialistas apontam uma combinação de fatores para a disparada no preço dos ovos. Aumento no custo de produção, especialmente com alimentação das aves, energia elétrica e logística, além de uma demanda aquecida, contribuem para o cenário.
Com a alta nas carnes e outras proteínas, o consumo de ovos cresceu, impulsionando os preços. A instabilidade climática também interfere na produtividade e nos custos das granjas, ampliando os efeitos no valor final ao consumidor.
Cesta básica sobe, puxada pelos alimentos
A pesquisa do Procon-SP revelou que, entre março e abril de 2025, o custo médio da cesta básica subiu 0,31% na capital paulista. O valor passou de R$ 1.365,51 para R$ 1.369,81. O grupo de Alimentação foi o principal responsável por essa variação, registrando aumento de 0,15% no mês.
Além dos ovos, outros alimentos também tiveram forte impacto na inflação do período. A batata, por exemplo, subiu 16,58%, indo de R$ 6,09 para R$ 7,10 o quilo. Já o café em pó aumentou 7,69%, com o pacote de 500g passando de R$ 25,87 para R$ 27,86.
Clima e entressafra afetam oferta e preços
O caso da batata é emblemático. A entressafra somada às altas temperaturas prejudicou tanto a quantidade quanto a qualidade do tubérculo. O resultado foi uma oferta reduzida e preços mais elevados nos mercados.
O café, por sua vez, teve seu preço impactado por uma safra marcada por maturação irregular dos grãos, o que levanta dúvidas sobre a qualidade final do produto. Essa incerteza se refletiu nas gôndolas.
Produtos de limpeza e higiene também sobem
A inflação da cesta básica não ficou restrita aos alimentos. Os grupos de Limpeza e Higiene Pessoal também apresentaram aumento no período analisado.
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O segmento de Limpeza teve alta de 2,72%, puxada especialmente pelo sabão em pó, que encareceu 4,48%, e pela água sanitária, com aumento de 3,55%. Já o grupo de Higiene Pessoal subiu 0,48%, com destaque para o desodorante spray (6,44%) e o creme dental (2,79%).
Esses aumentos, embora menores em relação aos alimentos, também influenciam diretamente o orçamento doméstico.
Impacto no consumo das famílias

Com a elevação contínua dos preços dos alimentos e produtos essenciais, as famílias paulistanas enfrentam desafios cada vez maiores para manter o padrão de consumo. Itens antes considerados acessíveis, como o ovo, passam a pesar mais no bolso, especialmente para a população de baixa renda.
A pressão inflacionária sobre a cesta básica é um indicativo claro de que o custo de vida está em elevação, e que medidas de proteção ao consumidor e de controle de preços são cada vez mais urgentes.
Perspectivas: estabilização ou nova alta?
A pequena queda registrada no preço do ovo em abril pode sinalizar uma tendência de estabilização, mas especialistas alertam que ainda é cedo para afirmar que os preços se manterão em queda.
A cadeia produtiva de alimentos continua sensível a fatores climáticos, flutuações cambiais e ao cenário macroeconômico. Qualquer desequilíbrio pode refletir rapidamente nas gôndolas dos supermercados.
