O recente ataque hackers aos sistemas do Banco Central do Brasil – considerado por alguns o maior da história nacional – provocou uma reação imediata no mercado P2P de criptomoedas.
Após “roubo do século”, vendas P2P de Bitcoin param no Brasil por receio de contas manipuladas
Com o ataque hacker de R$ 1 bilhão ao Banco Central via C&M Software, vendedores P2P de Bitcoin no Brasil suspenderam transações milionárias. Entenda o motivo.
Vendedores de Bitcoin passaram a recusar ofertas acima de R$ 50 milhões provenientes de clientes novos, diante de indícios de que parte dos recursos roubados, estimados em R$ 1 bilhão, poderia estar sendo lavado por meio de criptomoedas.
O movimento reflete o aumento do temor com origens ilícitas dos fundos, responsabilidade regulatória e as consequências para quem atua nesse nicho.
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O ataque ao Bacen — contexto e consequências
Como o ataque aconteceu
No final de junho, hackers aproveitaram uma fragilidade na C&M Software, provedora de conexão entre fintechs, bancos e o Banco Central. Com acesso aos sistemas da CMSW, os criminosos infiltraram-se em contas da BMP — empresa que gerencia reservas de instituições junto ao Bacen — e transferiram recursos de seis instituições financeiras reguladas, segundo apuração do Brazil Journal.
O valor estimado das perdas chega a R$ 1 bilhão, o que causou pânico no mercado de pagamentos e instabilidade em arranjos como o Pix.
O impacto imediato
O episódio teve repercussão rápida: a Polícia Federal e o próprio Bacen iniciaram investigações, enquanto fintechs afetadas passaram a monitorar as contas intermediadas. A atenção se voltou para saber se os hackers tentariam lavar o dinheiro via criptomoedas – o que, por sua vez, levou vendedores físicos e plataformas P2P a adotarem postura extremamente cautelosa.
Vendedores P2P de Bitcoin suspenderam grandes vendas por desconfiança de origem

Relato exclusivo de um P2P anônimo
Um vendedor brasileiro, que optou por manter sigilo, relatou ao Livecoins que, a partir de 28 de junho, começou a receber solicitações suspeitas de compra de grandes volumes – algumas até de R$ 50 milhões, com oferta de taxas de 5%.
Diante da suspeita de envolvimento de dinheiro roubado, muitos passaram a recusar novos clientes com grande liquidez, especialmente os que ofereciam quantias atípicas.
“Nunca tive problema com vendas de Bitcoin […] um amigo meu recebeu oferta de R$ 50 milhões do nada. Alertei sobre o ataque e ele suspendeu a venda para se preservar”, contou.
Medo de responsabilização penal
Além do risco de recebimento de recursos ilícitos, vendedores temem implicações criminais. A Lei 13.709 (LGPD) e outras legislações tornam obrigatório reportar transações suspeitas ao COAF e colaborar com investigações — o que pode gerar sobrecarga jurídica para quem só atua com vendas P2P.
Como as corretoras reagiram
Apuração interna e cooperação com autoridades
Livecoins contatou corretoras, inclusive Binance Brasil, para verificar se houve influxo de recursos suspeitos via Pix direto do ataque. As empresas reforçaram investigação interna e afirmaram que já cooperam com órgãos penais e de inteligência.
A Binance destacou em nota que já bloqueou mais de US$ 4,2 bilhões em tentativas de fraude e afirmou que prioriza a segurança do usuário por meio de compliance preventivo e atuação conjunta com instituições públicas.
Impacto no mercado institucional
As plataformas institucionais reforçam fluxos de monitoramento anti-lavagem (AML) e políticas KYC aprimoradas. Já no ambiente P2P, a crise reforça os riscos inerentes às operações sem banco intermediário – algo que leva à maior implantação de medidas como validação manual, limite de volume e alerta prévio ao COAF.
Riscos de lavagem por criptomoeda
Por que o Bitcoin é ponto de atenção
- Transações rápidas e pseudônimas;
- Suporte a carteiras sem exigência de identificação;
- Capacidade de converter R$ roubados em ativos digitais e evaporar rastros.
Compliance reforçado após o ataque
Desde 2023, o mercado de criptomoedas no Brasil avançou alinhado com padrões internacionais de compliance. O episódio do Bacen reforça a necessidade de:
- Exigir comprovantes de origem (Contratos, notas fiscais, etc.);
- Consultas a listas de risco;
- Monitoramento automatizado de padrões suspeitos.
Efeitos no mercado P2P e comportamento dos vendedores
Liquidez afetada por desconfiança
Consultas a populares bots de P2P mostram que volumes de venda acima de R$ 200 mil estão sendo suspensos em regiões como São Paulo, Rio de Janeiro e Sul do país — antes considerados hubs de liquidez.
Entrada de novos filtros
Muitos vendedores passaram a exigir:
- CPF/CNPJ verificado;
- Comprovante de residência;
- Histórico de transações verificado;
- Check prévio com COAF.
Essas exigências reduzem agilidade em vendas, mas aumentam a segurança.
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Perspectivas — volatilidade e oportunidades
Vendedores cautelosos podem recuperar credibilidade
Ao recusar grandes transações suspeitas, P2Ps estão consolidando imagem de responsáveis: este episódio pode fortalecer a reputação do mercado P2P se a crise for superada com transparência.
Risco de centralização tácita
Com a recusa de transações grandes, a liquidez tende a migrar para plataformas maiores (Binance, Mercado Bitcoin), acentuando uma centralização crescente. P2Ps podem se posicionar como nicho especializado em perfil de investidor de médio porte.
O que os usuários devem observar
Critérios de escolha de vendedor P2P
- Antecedência da conta (quanto tempo ativa);
- Volume comercializado normalmente;
- Reclamações e reputação pública;
- Disposição para solicitar identificação.
Procedimentos ao identificar risco
- Negar operações lhe parecerem muito grandes ou com urgência;
- Verificar manualmente origem dos fundos;
- Encaminhar qualquer irregularidade ao COAF.
O que vem agora — investigação e soluções em curso
Apuração tecnológica e policial
- PF analisando logs da CMSW e de fintechs afetadas;
- Cooperação internacional por possível uso de carteiras criptográficas.
Reguladores atentos
O Bacen pode revisar o ambiente Pix, exigindo mais verificação em pagamentos de alto valor e alterando limites por conta de risco sistêmico. Já o COAF pode intensificar cruzamento de dados com exchanges.
Considerações finais

O episódio de roubo de até R$ 1 bilhão do Banco Central impactou brasileiros que operam fora das plataformas institucionais. Vendedores P2P de Bitcoin, especialmente, adotaram postura cautelosa: recusam grandes transações por conta de suspeitas de origem ilícita. As corretoras maiores reforçam compliance e oferecem cooperação às autoridades.
A crise mostra que, mesmo em sistemas descentralizados, há necessidade de vigilância, validação e regras rígidas para preservar integridade, reputação e segurança. Para vendedores e compradores no mercado P2P, a lição é clara: transparência e compliance são mais valiosos do que rapidez, especialmente em momentos de turbulência.
