Cobrar preços diferentes para pagamentos em Pix e em dinheiro é uma prática que passou a ser considerada abusiva com a publicação de uma Medida Provisória (MP) assinada pelo presidente Lula nesta quinta-feira, 16.
Essa decisão busca evitar que consumidores sejam penalizados por optar pelo Pix, um meio de pagamento cada vez mais popular no Brasil.
Especialistas alertam que a MP tem como objetivo proteger o consumidor e garantir a isonomia entre os meios de pagamento. Mas ainda há muitos detalhes que comerciantes e consumidores precisam entender para evitar problemas legais.
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O Que Diz a Nova Medida Provisória Sobre o Pix?

A Medida Provisória determina que pagamentos realizados via Pix devem ser tratados como pagamentos em dinheiro, proibindo a prática de oferecer descontos exclusivos para transações em espécie e penalizando quem cobra valores mais altos para o uso do Pix.
O Que Muda com a MP?
- Desconto exclusivo para dinheiro: Não é mais permitido justificar um preço menor apenas pelo pagamento em espécie.
- Paridade com o Pix: Transações via Pix devem ter o mesmo preço que pagamentos em dinheiro.
- Penalidades: Comerciantes que desrespeitarem a norma podem ser denunciados ao Procon.
Por Que a MP Foi Criada?
A regulamentação surge em um momento de crescente popularidade do Pix, que se consolidou como um dos principais meios de pagamento no Brasil. Segundo o Banco Central, mais de 140 milhões de brasileiros utilizam o Pix regularmente.
No entanto, práticas abusivas começaram a surgir, como:
- Cobrança de preços diferentes para pagamentos via Pix e dinheiro.
- Falta de transparência na comunicação de preços para diferentes meios de pagamento.
“O objetivo da MP é garantir que o Pix continue sendo uma opção prática e acessível, sem penalizar o consumidor que prefere usá-lo”, explica o advogado Anderson Leite, especialista em Direito do Consumidor.
A Diferença Entre Pix e Cartão de Crédito
Enquanto a MP iguala o Pix ao pagamento em dinheiro, a Lei nº 13.455/2017 permite que comerciantes repassem os custos das taxas das maquininhas de cartão para os consumidores.
O Que Diz a Lei?
A lei estabelece que:
- Comerciantes podem cobrar preços diferentes com base nos custos de cada meio de pagamento, como cartões de crédito.
- A diferenciação de preços deve ser informada previamente ao consumidor, de forma clara e visível.
Pix Não Tem Taxa para Pessoa Física
O Pix, por sua vez, não possui custos operacionais significativos para a maioria das transações, especialmente para pessoas físicas. Isso reforça a lógica de que ele deve ser tratado como pagamento em dinheiro.
O Que Dizem os Especialistas Sobre a MP?
Evitar Abusos Contra o Consumidor
“O Pix é uma das ferramentas mais inclusivas criadas pelo Banco Central, e sua ampla aceitação depende de regulamentações como essa. Penalizar o consumidor pelo uso do Pix é injusto e vai contra o propósito da ferramenta”, destaca Anderson Leite.
Regras para Comerciantes
Segundo Lorenzo de Carpena F. Corrêa de Barros, advogado especializado em Direito Tributário, a legislação permite a cobrança da “famosa taxa da maquininha” para pagamentos com cartão, mas o mesmo não pode ser aplicado ao Pix.
“A Lei nº 13.455/2017 permite que os comerciantes repassem os custos de operação do cartão, mas o Pix, por ser um meio de pagamento com custos reduzidos ou inexistentes, deve seguir outra lógica.”
Como o Consumidor Pode Denunciar Abusos?
Consumidores que identificarem práticas abusivas, como diferenciação de preços entre Pix e dinheiro sem aviso prévio, podem recorrer ao Procon.
Passo a Passo para Denunciar
- Reúna Provas
- Tire fotos do local, especialmente se não houver avisos claros sobre a política de preços.
- Guarde notas fiscais e comprovantes de pagamento.
- Entre em Contato com o Procon
- A denúncia pode ser feita presencialmente ou por meio de canais online disponibilizados pelo órgão local.
- Relate o Caso com Detalhes
- Explique o ocorrido e anexe as provas reunidas.
Golpes Envolvendo o Pix: Um Alerta Adicional

Além das práticas abusivas, o Pix também tem sido alvo de golpes e fraudes. Segundo o ministro Fernando Haddad, a recente onda de fake news sobre o Pix gerou confusão, fazendo com que alguns comerciantes aproveitassem a situação para cobrar mais pelo uso da ferramenta.
Golpes Comuns com Pix
- Cobrança Indevida de Taxas
- Alguns estabelecimentos alegam que o Pix tem custos extras, o que não é verdade.
- Falsos Descontos
- Oferecem preços reduzidos em dinheiro, mas elevam os valores para transações via Pix.
Como se Proteger?
- Sempre pergunte sobre as políticas de preços antes de pagar.
- Verifique se os valores correspondem ao informado.
- Denuncie irregularidades ao Procon ou ao Banco Central.
Impacto da MP para Consumidores e Comerciantes
Benefícios para o Consumidor
- Maior transparência nos preços.
- Garantia de que o Pix continue sendo um meio de pagamento acessível.
Desafios para Comerciantes
- Adaptação às novas regras, especialmente em relação à comunicação clara com os clientes.
- Necessidade de evitar práticas discriminatórias no tratamento dos meios de pagamento.
Considerações finais
A nova Medida Provisória sobre o Pix é um marco para proteger o consumidor e garantir a igualdade entre os meios de pagamento. Com ela, práticas abusivas, como cobrar mais caro no Pix ou oferecer descontos exclusivos para dinheiro, passam a ser proibidas, trazendo mais segurança e transparência para as transações.
Enquanto os comerciantes precisam se adequar às novas regras, os consumidores devem estar atentos e denunciar irregularidades para que a legislação seja efetivamente cumprida.
O Pix, que já revolucionou os pagamentos no Brasil, continua a ser uma ferramenta poderosa para facilitar transações, mas com a garantia de que será usado de forma justa para todos.
