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Carlos Mauad assume como CEO do PagBank com mandato para acelerar o crédito

PagBank anuncia Carlos Mauad como CEO e estima R$ 25 bi em crédito até 2029, marcando nova fase de foco na rentabilidade.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes6 min de leitura
Ibovespa

O PagBank deu início a uma nova fase estratégica ao divulgar, junto ao seu balanço do terceiro trimestre de 2025, mudanças significativas em sua alta liderança. A partir de janeiro de 2026, Carlos Mauad assume o cargo de CEO no lugar de Alexandre Magnani, enquanto Gustavo Sechin será o novo CFO, substituindo Artur Schunck. Ambos os executivos anteriores passam a integrar o conselho de administração da companhia.

Essas movimentações não são meras trocas de cadeiras: elas simbolizam a consolidação de uma estratégia que vem sendo desenhada desde 2023, quando o então PagSeguro adotou de vez o nome PagBank, mirando uma atuação cada vez mais robusta como instituição financeira e não apenas como empresa de pagamentos.

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O novo CEO: Carlos Mauad assume com missão clara no crédito

Perfil técnico e histórico bancário

Carlos Mauad, que estava como COO (Chief Operating Officer) desde setembro de 2024, era apontado como o sucessor natural de Magnani. Antes disso, comandou o Magalubank, braço financeiro do Magazine Luiza, e teve papel de destaque no Banco Carrefour, liderando uma transformação estratégica. Sua trajetória também inclui passagens por Citi e Smiles.

“A chegada de Mauad foi parte de um plano maior de transformação. Ele tem o perfil exato para consolidar o banco e acelerar a vertical de crédito”, comenta uma fonte próxima ao PagBank.

Foco: banking com rentabilidade

Ao contrário de Magnani, cuja expertise era voltada para meios de pagamento, Mauad é especialista na gestão de portfólios bancários com risco de crédito. Isso se alinha à atual prioridade do PagBank: monetizar sua base de clientes comerciantes por meio de crédito.

Novo CFO: Gustavo Sechin reforça perfil bancário da diretoria

Substituição de “prata da casa” sinaliza foco no futuro

A substituição de Artur Schunck, que estava no PagBank desde 2015 e há cinco anos como CFO, surpreendeu parte do mercado. Mas a escolha de Gustavo Sechin indica uma mudança de perfil: de um executivo mais voltado ao varejo para um profissional com visão bancária consolidada.

Sechin tem passagem pelo Santander, Banco Votorantim, ABN Amro e pela área de pagamentos com a Getnet, o que o credencia a lidar com as exigências de um banco digital em crescimento.

“Ele traz uma cabeça de CFO de banco, e menos de CFO de varejo”, avalia uma fonte do setor.

Estratégia clara: tornar o PagBank um banco lucrativo

De fintech de pagamentos para banco digital completo

A reformulação da marca PagBank em 2023 foi o primeiro passo visível dessa virada estratégica. Desde então, a empresa vem adicionando ao seu portfólio produtos bancários como contas digitais, serviços financeiros e agora crédito.

Mas a rentabilização ainda era um desafio, sobretudo no crédito, que representa o principal motor de lucros em bancos tradicionais e digitais.

Meta ambiciosa: R$ 25 bilhões em crédito até 2029

Projeção foi destaque em guidance recente

Em setembro, o PagBank divulgou seu guidance de longo prazo. O principal número que chamou atenção do mercado foi a meta de alcançar uma carteira de crédito de R$ 25 bilhões até o final de 2029.

Para atingir esse objetivo, a nova gestão precisará:

  • Aumentar a base de tomadores de crédito com bom perfil de risco;
  • Refinar algoritmos de análise de crédito com uso de dados de transações;
  • Expandir os canais de concessão de crédito via app e maquininhas;
  • Controlar a inadimplência em um cenário macroeconômico ainda desafiador.

Concorrência acirrada pressiona a transição

Mercado de pagamentos saturado e disputa com gigantes

A pressão competitiva no setor de pagamentos está entre os principais motivadores dessa transição. Com nomes como Mercado Pago, Stone, SumUp e bancos digitais tradicionais, o espaço para crescer apenas com maquininhas e TPV (Total Payment Volume) se tornou limitado.

Segundo relatório recente do BTG Pactual, PagBank e Stone “não estão ganhando participação de mercado” e, para atrair investidores de longo prazo, precisam rentabilizar suas plataformas bancárias.

“Os balanços se fortaleceram, mas essa oportunidade ainda não está precificada no valuation”, disseram analistas do BTG.

Resultados do 3º trimestre de 2025

Carteira de crédito cresce quase 30%, mas TPV recua

Os dados operacionais e financeiros do terceiro trimestre, divulgados simultaneamente ao anúncio da nova gestão, mostram:

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  • Carteira de crédito: R$ 4,2 bilhões (+29,9% em relação ao 3T24)
  • TPV (Volume Total de Pagamentos): R$ 129,8 bilhões (-4,7%)
  • Lucro líquido: R$ 571 milhões (estável)
  • Receita líquida: R$ 3,41 bilhões (+14,4%)
  • Base de clientes: 33,7 milhões (+5,1%)

Apesar da queda no TPV, o avanço no crédito já começa a refletir a mudança de foco.

Mercado reage: ações caem no dia, mas acumulam valorização

As ações do PagBank encerraram o dia do anúncio com queda de 4,93%, cotadas a US$ 9,44. O movimento pode ser atribuído à cautela dos investidores diante das mudanças, mas o papel acumula valorização de 50,7% em 2025, com valor de mercado atual de US$ 2,75 bilhões.

Desafios da nova gestão

Consolidar o crédito sem comprometer o balanço

Mauad e Sechin terão o desafio de:

  • Expandir o crédito com responsabilidade, mantendo inadimplência sob controle;
  • Integrar crédito aos demais produtos, criando sinergias com contas digitais e maquininhas;
  • Elevar o cross-sell na base de clientes;
  • Convencer o mercado de que o PagBank é mais do que um adquirente de pagamentos.

A execução será chave para que a empresa continue competitiva em um cenário de margens apertadas.

O que esperar do PagBank nos próximos anos

Projeções e foco no médio e longo prazo

Se bem-sucedido, o plano do PagBank pode:

  • Tornar a empresa uma das principais plataformas bancárias digitais do país;
  • Reduzir dependência de receitas transacionais (TPV e adquirência);
  • Atrair investidores institucionais focados em crescimento com rentabilidade;
  • Consolidar sua marca como banco, o que ainda gera dúvidas no mercado e entre consumidores.

A expectativa é que 2026 seja um ano de transição acelerada, com aumento de desembolsos de crédito, novas parcerias e mais inovação de produto.

Imagem: Alison Nunes Calazans / shutterstock.com

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Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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