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Pai ou mãe podem deserdar os filhos?

Pais podem deserdar filhos em casos específicos previstos na lei, como ofensas graves ou crimes contra os pais. Entenda as condições.

Gabriela Ferraz CamargoPor Gabriela Ferraz Camargo3 min de leitura
partilha de bens de uma herança

deserdação é um tema que suscita muitas dúvidas e especulações. No direito brasileiro, existem circunstâncias específicas nas quais os pais têm o direito legal de deserdar um filho, ou seja, excluir o mesmo de receber a herança. É um processo que envolve não apenas sentimentos e relações familiares, mas também uma série de exigências legais.

Por ser um procedimento que interfere diretamente nas expectativas de direito à herança, muitos questionam sobre os detalhes e as regras que circundam essa possibilidade. Entender as normas e situações em que a deserdação é permitida pode esclarecer muitas confusões comuns que surgem tanto para pais quanto para os filhos.

O que a legislação diz sobre deserdação?

partilha de bens de uma herança
Imagem: Andrey_Popov / Shutterstock.com

No Código Civil brasileiro, a possibilidade de deserdar um herdeiro está claramente especificada. Esta ação está condicionada à existência de causas previamente definidas por lei.

Estes motivos estão inseridos no contexto visando proteger o testador de ataques ou infrações graves aos seus direitos fundamentais e de personalidade.

Quando é possível deserdar o filho?

  • Artigo 1814 do Código Civil: prevê a deserdação por motivos como envolvimento em tentativa de homicídio do próprio beneficiário, cônjuge ou descendentes, além de acusações caluniosas graves;
  • Artigo 1962 do Código Civil: amplia as causas incluindo ofensa física, injúria grave, relações inapropriadas com o padrasto ou madrasta, e desamparo de ascendente incapacitado.

Estas condições refletem situações extremamente graves que justificam a decisão de privar um herdeiro de sua parte na herança. Ressalta-se que a exclusão apenas afeta a parte livre do patrimônio que o testador poderia dispor em vida através de testamento, não afetando a legítima.

Após o falecimento, para que a deserdação entre em efeito legal, é necessário que os demais herdeiros ou interessados iniciem um processo para comprovar judicialmente os motivos alegados pelo testador para deserdar o herdeiro. Caso contrário, a deserdação pode ser considerada nula, e o herdeiro deserdado continua tendo direito à sua parte da herança.

É essencial também estar ciente que o herdeiro deserdado tem o direito de contestar a deserdação, em um prazo de dois anos, a partir da abertura do testamento. Esta é uma janela vitalícia para que ele possa defender sua elegibilidade para receber a herança.

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Para casos controversos que não se enquadram diretamente nas categorias legais, mas que carregam similar gravidade, o Superior Tribunal de Justiça pode avaliar e permitir a deserdação, demonstrando a flexibilidade do sistema jurídico para contemplar vários aspectos humanos e éticos na tomada de decisão.

Imagem: Andrey_Popov / Shutterstock.com

Gabriela Ferraz Camargo

Autor

Gabriela Ferraz Camargo

Gabriela Ferraz Camargo é bacharel em Direito pela Universidade Paulista (UNIP) e atualmente cursa Publicidade e Propaganda na ESAMC (Escola Superior de Administração, Marketing e Comunicação). No portal Seu Crédito Digital, atua como redatora com foco em temas de interesse público, programas sociais, consumo e cotidiano. Sua formação multidisciplinar contribui para a criação de conteúdos claros, úteis e bem estruturados, que ajudam os leitores a tomar decisões mais conscientes no dia a dia.

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