Durante a celebração de Pentecostes realizada na Praça de São Pedro, no Vaticano, no dia 8 de junho de 2025, o Papa Leão XIV fez um dos discursos mais marcantes de seu pontificado. Em homilia direcionada a milhares de fiéis e ao mundo, ele lamentou a escalada de feminicídios em diversos países e alertou para os perigos da cultura de dominação, que afasta homens e mulheres do verdadeiro sentido de fraternidade.
Papa Leão XIV lamenta feminicídios e pede fim da cultura de dominação
Em homilia na Praça de São Pedro, o Papa Leão XIV lamenta feminicídios, faz apelo ao respeito e lembra que o Espírito Santo educa as paixões.
Pentecostes: a força transformadora do Espírito Santo
A missa de Pentecostes marca a descida do Espírito Santo sobre os apóstolos, evento que, segundo a tradição cristã, deu início à missão evangelizadora da Igreja. Para Leão XIV, é nesse momento que a fé cristã deve renovar sua essência de transformação e reconciliação. Ele destacou que o Espírito Santo é aquele que “cura as feridas da convivência humana” e que pode restaurar a harmonia nas relações marcadas por desequilíbrios de poder.
Uma homilia contra a violência de gênero
Dor pelas vítimas de feminicídio
O ponto mais tocante da homilia foi o momento em que o Papa lamentou os feminicídios que têm crescido em diversos países, incluindo o Brasil. “Sinto dor por cada mulher assassinada, por cada filha que não volta para casa, por cada mãe que chora a ausência”, afirmou Leão XIV. Suas palavras emocionaram os presentes e repercutiram fortemente nas redes sociais e veículos internacionais.
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Dominação como raiz da violência
Segundo o Papa, a cultura de dominação, especialmente exercida por homens sobre mulheres, é uma das causas estruturais da violência de gênero. Ele alertou que muitos relacionamentos afetivos são baseados no controle e na imposição de vontades, o que pode facilmente derivar para o abuso e, nos casos mais extremos, para o feminicídio.
Espírito Santo como educador das paixões humanas

Educação emocional e espiritual
Leão XIV utilizou a metáfora do Espírito Santo como um “educador das paixões humanas”. Em vez de reprimir sentimentos, a fé deveria ajudar a redirecioná-los para o bem comum, o cuidado com o outro e o amor não possessivo. “Quem ama, não domina; quem ama, liberta”, declarou, em um dos trechos mais citados da homilia.
O desafio de transformar a masculinidade
O Papa também apontou que há uma crise no modo como os homens são educados emocionalmente. Ele fez um apelo para que as famílias, escolas e igrejas revejam as formas como constroem a masculinidade, muitas vezes associada à força, ao controle e à insensibilidade. “Precisamos de homens que aprendam a chorar e a escutar”, disse.
A exclusão social como fermento da violência
Nacionalismos e isolamento
Além da questão de gênero, o Papa denunciou a crescente lógica de exclusão que domina a política global. Ele fez críticas ao nacionalismo extremado, ao racismo e à xenofobia. Em sua visão, o Espírito Santo não divide, mas une; não segrega, mas acolhe. A Igreja, segundo ele, deve ser espaço de inclusão e escuta, não de julgamento e rigidez.
Solidão em tempos de conexão
O Papa também abordou o paradoxo da era digital, em que as pessoas estão constantemente conectadas, mas se sentem cada vez mais solitárias. Ele alertou que a superficialidade das interações virtuais tem afastado os indivíduos da construção de vínculos afetivos verdadeiros. “O Espírito Santo nos convida à presença real, ao encontro com o outro em sua integralidade”, destacou.
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Apelo à ação da Igreja e dos fiéis
Igreja como lugar de cura
Leão XIV convidou a Igreja a assumir seu papel como promotora da cura das feridas humanas. Isso inclui combater toda forma de discriminação, inclusive de gênero, e acolher as vítimas de violência. Ele também cobrou uma postura mais ativa dos fiéis em suas comunidades, escolas e famílias.
Conversão prática
A homilia concluiu com um chamado à conversão prática, ou seja, que as palavras de fé se traduzam em ações concretas no cotidiano. O Papa pediu aos fiéis que questionem suas atitudes, que perdoem, mas também que não sejam omissos diante da injustiça. “O Espírito Santo nos incomoda para que não nos acomodemos diante do sofrimento alheio”, finalizou.
Repercussão internacional
As declarações do Papa foram reproduzidas por veículos internacionais como BBC, CNN, El País e Le Monde, que destacaram a firmeza e sensibilidade do discurso. Organizações que atuam na defesa das mulheres elogiaram a clareza com que Leão XIV apontou a responsabilidade das estruturas sociais na manutenção da violência de gênero.
Conclusão
A homilia do Papa Leão XIV durante a celebração de Pentecostes de 2025 representa um marco na luta contra os feminicídios e a violência de gênero. Ao colocar o Espírito Santo como força de transformação e educação das paixões humanas, o pontífice convoca fiéis, líderes religiosos, educadores e cidadãos a reverem suas posturas e assumirem o compromisso com a justiça e a reconciliação.
Mais do que uma mensagem espiritual, seu discurso foi um chamado ético: não basta crer, é preciso agir. E agir, para Leão XIV, começa por educar o coração, combater a dominação e construir uma cultura baseada no respeito e na dignidade de todos, especialmente das mulheres que mais sofrem com a violência cotidiana.
