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Bancários rejeitam proposta salarial e aprovam paralisação nacional de 24 horas

Bancários fazem paralisação nacional de 24 horas nesta quinta-feira. Saiba quais agências e serviços podem ser afetados e se o Pix funciona.

Bruna MachadoPor Bruna Machado··13 min de leitura
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Bancários de diferentes regiões do país confirmaram uma paralisação de 24 horas para esta quinta-feira, 20 de agosto de 2026. O movimento foi aprovado depois que a categoria rejeitou a proposta apresentada pela Federação Nacional dos Bancos, a Fenaban, durante a Campanha Nacional Unificada.

A mobilização poderá reduzir ou interromper o atendimento presencial em agências de bancos públicos e privados. A adesão, porém, deve variar conforme a cidade, a instituição financeira e as decisões tomadas por cada sindicato.

Serviços digitais, como Pix, aplicativos e internet banking, tendem a continuar disponíveis. O principal impacto esperado é para quem precisa conversar com um funcionário, resolver pendências cadastrais, retirar cartões, apresentar documentos ou realizar operações que dependem do caixa da agência.

A paralisação ocorre após novas negociações realizadas nesta semana. Os bancos retiraram algumas propostas rejeitadas pelos trabalhadores, mas ainda não apresentaram um índice de reajuste salarial, o que levou os sindicatos a manterem o protesto.

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A paralisação dos bancários está confirmada?

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Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

Sim. A paralisação nacional está mantida para esta quinta-feira, 20 de agosto.

As assembleias realizadas em diferentes estados rejeitaram a proposta da Fenaban por ampla maioria. No resultado nacional divulgado pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro, a Contraf-CUT, 97% dos participantes rejeitaram a proposta, enquanto cerca de 90% aprovaram a paralisação.

Em São Paulo, 97,66% dos votantes foram contra a proposta e 89,34% apoiaram a interrupção das atividades. Na Paraíba, a rejeição chegou a 96,48%, e 95,02% aprovaram o movimento.

No Rio de Janeiro, 1.760 dos 1.808 participantes rejeitaram a proposta, e 1.709 votaram pela paralisação.

Esses resultados demonstram apoio expressivo entre os trabalhadores que participaram das assembleias. Isso não significa, contudo, que todas as agências do Brasil ficarão fechadas.

Cada sindicato organiza o movimento em sua base territorial. A abertura de uma agência dependerá da adesão dos funcionários e das medidas adotadas pela instituição.

Por que os bancários decidiram parar?

O principal motivo é a falta de uma proposta econômica considerada satisfatória.

Na sétima rodada da Campanha Nacional Unificada, realizada em 13 de agosto, a Fenaban não apresentou um índice de reajuste para salários, pisos, vales e demais verbas da categoria.

Os bancos também sugeriram inicialmente um modelo com reajustes diferentes conforme a faixa salarial. A proposta dividia os trabalhadores entre salários menores, intermediários e maiores.

Outra possibilidade colocada na mesa era o congelamento do piso pago aos novos contratados. Também foram discutidos reajustes diferentes para os vales-alimentação e refeição conforme o tamanho ou a localização da cidade.

A categoria avaliou que o modelo poderia enfraquecer a Convenção Coletiva de Trabalho nacional, que estabelece direitos comuns aos bancários de diferentes instituições e regiões.

Depois da forte rejeição nas assembleias, a Fenaban retirou as propostas de reajuste por faixas, congelamento do piso e diferenciação dos vales por localidade. Apesar do recuo, nenhum índice econômico foi apresentado na reunião de 18 de agosto.

A Contraf-CUT informou que a paralisação foi mantida porque continuam sem definição temas como salários, Participação nos Lucros e Resultados, pisos e benefícios. Contraf-CUT

Todas as agências bancárias ficarão fechadas?

Não é possível afirmar que todas as agências ficarão fechadas.

A paralisação foi convocada nacionalmente, mas a adesão ocorre localmente. Em uma mesma cidade, algumas unidades podem ficar sem atendimento, enquanto outras funcionam com equipe reduzida.

Também podem existir diferenças entre bancos públicos, bancos privados, financeiras e instituições digitais.

No Distrito Federal, por exemplo, o Sindicato dos Bancários informou que os trabalhadores do Banco de Brasília, o BRB, não participariam da paralisação. Bancários de outras instituições da região foram convocados para o movimento.

Por isso, o cliente deve consultar os canais oficiais de sua instituição antes de sair de casa. O aplicativo, o site ou a central telefônica podem informar se uma agência específica estará aberta.

Também é recomendável acompanhar as atualizações do sindicato dos bancários da cidade. A lista de unidades atingidas pode ser divulgada apenas durante a manhã, conforme a adesão dos funcionários.

Quais serviços podem ser afetados?

O atendimento presencial é o serviço com maior possibilidade de interrupção.

A paralisação pode afetar:

  • atendimento nos caixas das agências;
  • abertura ou encerramento de contas;
  • atualização de dados cadastrais;
  • retirada de cartões;
  • negociação presencial de dívidas;
  • entrega de documentos;
  • contratação de produtos que exigem assinatura;
  • orientação para clientes sem acesso digital;
  • atendimento relacionado a benefícios e pagamentos;
  • suporte presencial nos terminais de autoatendimento.

Mesmo quando os caixas eletrônicos estiverem disponíveis, pode haver menos funcionários para ajudar idosos, pessoas com deficiência ou clientes que não saibam realizar a operação.

Também existe a possibilidade de aumento nas filas das agências que funcionarem. Parte dos clientes pode procurar unidades próximas depois de encontrar uma agência fechada.

Pix, aplicativos e caixas eletrônicos vão funcionar?

O Pix deve continuar funcionando normalmente, desde que não ocorra uma falha técnica independente da paralisação.

O sistema é operado por infraestrutura tecnológica e funciona 24 horas por dia, todos os dias do ano, inclusive em fins de semana e feriados, conforme as regras do Banco Central. Banco Central

Aplicativos e internet banking também tendem a permanecer disponíveis para serviços como:

  • consulta de saldo e extrato;
  • transferências por Pix;
  • pagamento de contas;
  • pagamento de boletos;
  • recarga de celular;
  • bloqueio temporário de cartão;
  • consulta de fatura;
  • investimentos;
  • solicitação de segunda via;
  • agendamento de pagamentos.

Caixas eletrônicos e terminais da rede Banco24Horas também podem funcionar. No entanto, o acesso às salas de autoatendimento dentro das agências dependerá da unidade e das regras de segurança de cada banco.

A paralisação dos trabalhadores não significa desligamento automático dos sistemas digitais. Ainda assim, solicitações que dependam de análise humana podem demorar mais.

Um pedido de aumento de limite, liberação de transação bloqueada ou atualização cadastral, por exemplo, pode precisar da intervenção de um funcionário.

Pagamentos e transferências podem atrasar?

O Pix deve ser a alternativa mais previsível para transferências durante a paralisação, pois funciona de forma contínua.

Transferências agendadas e pagamentos feitos pelos canais digitais também devem ser processados conforme as regras da instituição e do tipo de operação.

A paralisação de 20 de agosto não é um feriado bancário. Portanto, não se deve presumir que boletos e contas com vencimento nessa data poderão ser pagos no dia seguinte sem juros.

Essa diferença é importante. Em um feriado bancário nacional, determinadas cobranças podem ser quitadas no próximo dia útil. Em uma paralisação, a data continua sendo considerada dia útil.

O consumidor deve procurar meios alternativos para pagar no vencimento:

  • aplicativo do banco;
  • internet banking;
  • caixa eletrônico;
  • correspondente bancário;
  • lotérica, quando o documento for aceito;
  • Pix por QR Code;
  • aplicativo da empresa que emitiu a cobrança.

Se não conseguir pagar por causa de uma falha comprovada nos canais oferecidos, o cliente deve guardar capturas de tela, protocolos e mensagens de erro. Esses registros podem ajudar em uma eventual contestação de multa ou juros.

Quem recebe INSS, salário ou benefício será prejudicado?

Créditos programados diretamente em conta tendem a ocorrer normalmente, pois o processamento não depende do atendimento presencial da agência.

Isso inclui, em regra:

  • salários depositados por empresas;
  • aposentadorias e pensões;
  • benefícios sociais;
  • transferências automáticas;
  • débitos previamente agendados.

O problema pode aparecer quando o beneficiário depende do atendimento presencial para sacar, desbloquear o cartão, cadastrar uma senha ou resolver uma inconsistência.

Atenção especial deve ser dada aos idosos e às pessoas que não utilizam aplicativos. Se o dinheiro já estiver disponível, o saque poderá ser feito em terminal eletrônico com cartão e senha, desde que o equipamento esteja funcionando e abastecido.

Quem precisa ir ao caixa interno deve verificar antecipadamente se a agência estará aberta.

A paralisação é uma greve por tempo indeterminado?

Não. O movimento anunciado para 20 de agosto é uma paralisação de advertência com duração prevista de 24 horas.

Isso significa que, até o momento, a orientação é interromper as atividades apenas nesta quinta-feira. Não foi anunciada uma greve nacional por tempo indeterminado.

A paralisação de advertência é usada para pressionar os empregadores durante uma negociação. Ela demonstra a capacidade de mobilização da categoria sem necessariamente interromper os serviços por vários dias.

As negociações devem continuar. A Fenaban informou que faria uma reunião com representantes do setor em 21 de agosto para alinhar uma proposta global, com retomada da mesa de negociação prevista para o dia 24.

Caso não haja acordo, os sindicatos poderão convocar novas assembleias. Somente depois dessas deliberações será possível saber se haverá outras paralisações ou uma greve mais longa.

O que os bancários reivindicam?

A pauta foi construída na Campanha Nacional Unificada de 2026, processo que reúne trabalhadores de bancos públicos e privados.

Entre as reivindicações estão:

  • reajuste salarial com ganho acima da inflação;
  • valorização do piso da categoria;
  • aumento da Participação nos Lucros e Resultados;
  • recomposição dos vales-alimentação e refeição;
  • criação de piso para trabalhadores de tecnologia;
  • preservação da Convenção Coletiva nacional;
  • manutenção dos empregos;
  • mais contratações;
  • combate ao fechamento de agências;
  • redução de metas abusivas;
  • enfrentamento ao assédio moral;
  • regras para o uso de algoritmos no acompanhamento dos funcionários;
  • igualdade de oportunidades;
  • proteção da saúde mental.

Na consulta nacional realizada antes da entrega da pauta, 93% dos participantes apontaram o aumento real de salários como prioridade.

A ampliação da PLR foi mencionada por 63%, enquanto 51% indicaram a necessidade de reajuste maior nos vales-alimentação e refeição.

O que é assédio algorítmico?

Assédio algorítmico é uma expressão usada para descrever cobranças e avaliações feitas com apoio de sistemas automatizados.

Nos bancos, softwares podem acompanhar vendas, tempo de atendimento, produtividade, metas, comportamento nos sistemas e resultados individuais.

A tecnologia, por si só, não caracteriza assédio. O problema aparece quando os dados são utilizados para pressão excessiva, exposição dos funcionários, punições automáticas ou cobranças sem considerar as condições reais de trabalho.

A categoria pede regras mais transparentes para o uso dessas ferramentas, além do direito de questionar decisões tomadas com base em algoritmos.

Esse tema ganhou espaço porque a digitalização transformou tanto os serviços oferecidos aos clientes quanto a rotina dos trabalhadores.

Qual é o papel da Fenaban na negociação?

A Fenaban representa os bancos nas negociações coletivas nacionais com os trabalhadores.

É importante não confundir a Fenaban com a Febraban.

A Fenaban participa da negociação trabalhista e da renovação da Convenção Coletiva da categoria. A Febraban atua como entidade representativa do setor financeiro em temas institucionais, regulatórios e de interesse do sistema bancário.

A proposta discutida com os bancários foi apresentada pela Fenaban.

Do outro lado da mesa está o Comando Nacional dos Bancários, coordenado pela Contraf-CUT e formado por representantes de sindicatos e federações.

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Além da negociação geral, Banco do Brasil e Caixa mantêm mesas específicas para tratar de temas próprios, como planos de saúde, carreira, funções, concursos e condições de trabalho.

Por que o atendimento presencial entrou na discussão?

Os sindicatos relacionam a mobilização ao fechamento de agências e à redução do número de empregados no setor.

Segundo os dados apresentados pela categoria, aproximadamente 88 mil postos de trabalho bancário foram eliminados entre 2015 e 2025. No mesmo período, cerca de 9,5 mil agências foram fechadas.

A expansão dos canais digitais reduziu a necessidade de algumas operações presenciais, mas não eliminou a demanda pelas agências.

Idosos, moradores de locais com conexão limitada, pessoas sem familiaridade com aplicativos e clientes com problemas cadastrais continuam dependendo do atendimento humano.

O fechamento de unidades também pode sobrecarregar as agências restantes, especialmente em dias de pagamento de aposentadorias, salários e benefícios.

Como o cliente pode se preparar?

O melhor caminho é antecipar as operações que dependem de atendimento presencial.

Quem possui agendamento, assinatura de contrato, retirada de cartão ou entrega de documentos deve confirmar se o atendimento será mantido.

Também vale adotar estas medidas:

  1. pagar contas com antecedência, quando possível;
  2. verificar se o aplicativo está atualizado;
  3. testar a senha antes de precisar fazer uma operação urgente;
  4. conferir os limites do Pix;
  5. manter o cartão disponível para saques;
  6. localizar caixas eletrônicos ou correspondentes próximos;
  7. salvar os números oficiais de atendimento do banco;
  8. evitar clicar em links recebidos por mensagem;
  9. guardar protocolos e comprovantes;
  10. consultar a situação da agência antes do deslocamento.

A paralisação também pode ser aproveitada por golpistas. Mensagens prometendo desbloquear contas, liberar benefícios ou oferecer “atendimento emergencial” devem ser tratadas com desconfiança.

O banco não solicita senha completa, código de segurança do cartão ou transferência para uma “conta segura”.

O que acontece depois da paralisação?

A expectativa é que as negociações sejam retomadas na segunda-feira, 24 de agosto, depois de uma reunião interna do setor bancário.

O recuo da Fenaban nas propostas de faixas salariais e congelamento do piso mostrou que a mobilização já provocou mudanças na mesa. Entretanto, o principal ponto econômico — o índice de reajuste — continuava sem definição até a noite de 19 de agosto.

A paralisação desta quinta-feira pretende aumentar a pressão para que os bancos apresentem uma proposta completa.

Para o consumidor, o efeito mais provável é uma redução localizada no atendimento presencial durante um dia. Não há indicação, até o momento, de interrupção geral do sistema financeiro ou do Pix.

Quem possui uma operação urgente deve priorizar os canais digitais e confirmar o funcionamento da agência. Depois de quinta-feira, o atendimento tende a ser retomado, mas novas mobilizações dependerão do resultado das próximas negociações.

Perguntas frequentes

bancos
Imagem: everything possible/Shutterstock

Os bancos vão fechar nesta quinta-feira?

Algumas agências poderão ficar fechadas ou operar com equipe reduzida. A adesão varia conforme a cidade, o banco e a decisão dos trabalhadores de cada unidade.

A paralisação será em qual dia?

A paralisação está marcada para quinta-feira, 20 de agosto de 2026, com duração prevista de 24 horas.

O Pix vai funcionar durante a paralisação?

Sim. O Pix funciona 24 horas por dia, todos os dias do ano, e não depende do atendimento presencial das agências.

Aplicativos bancários continuarão funcionando?

A tendência é que aplicativos e internet banking funcionem normalmente. Operações que exigem análise de funcionários podem levar mais tempo.

Caixas eletrônicos estarão disponíveis?

Os terminais podem continuar funcionando, mas o acesso às salas de autoatendimento e o suporte presencial dependerão de cada agência.

Posso pagar uma conta no dia seguinte sem juros?

Não se deve presumir isso. A paralisação não é feriado bancário. O consumidor deve procurar canais alternativos para pagar na data de vencimento.

A paralisação é uma greve por tempo indeterminado?

Não. O movimento aprovado tem duração de 24 horas. Novas paralisações dependerão das negociações e de outras assembleias.

Por que os bancários decidiram parar?

A categoria cobra uma proposta de reajuste salarial, valorização de pisos, PLR e vales, preservação de direitos e melhores condições de trabalho.

Aposentadorias e salários serão depositados?

Créditos programados em conta tendem a ocorrer normalmente. O impacto pode acontecer para quem depende do caixa presencial para sacar ou resolver um bloqueio.

Todos os bancos participarão?

Não necessariamente. A participação depende da adesão dos empregados e das decisões dos sindicatos locais. Algumas instituições ou unidades podem funcionar.

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