Na última sexta-feira (8), o Secretário Nacional de Trânsito, Adrualdo de Lima Catão, revelou que a Uber demonstrou interesse em colaborar com o Ministério dos Transportes para facilitar o processo de aulas práticas para obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH).
Parceria Uber e governo pode facilitar aulas práticas da CNH; saiba mais
Uber oferece apoio para aulas práticas da CNH com instrutores autônomos; autoescolas pedem diálogo para modernizar processo com segurança.
A proposta faz parte do projeto “CNH Para Todos”, que visa tornar as autoescolas facultativas, reduzir custos e desburocratizar o processo de habilitação.
Enquanto o governo estuda a flexibilização do sistema tradicional, as autoescolas pedem mais diálogo e garantias para que o processo não prejudique a qualidade da formação dos futuros condutores.
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O que prevê a proposta “CNH Para Todos”?

A iniciativa, liderada pelo Ministro dos Transportes Renan Filho, pretende permitir que o candidato à CNH tenha a opção de realizar aulas práticas fora das tradicionais autoescolas.
Assim, além das autoescolas, instrutores autônomos certificados poderão ministrar as aulas práticas de direção, ampliando o acesso e potencialmente reduzindo o custo final para o aluno.
Curso teórico gratuito e aulas práticas flexíveis
De acordo com o Secretário Adrualdo Catão, o curso teórico será oferecido gratuitamente pela Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) via plataforma digital. Na parte prática, o candidato poderá optar pelo número de horas necessárias e escolher entre:
- Autoescolas tradicionais
- Instrutores autônomos credenciados
Além disso, o veículo utilizado para as aulas não precisará mais estar adaptado, abrindo a possibilidade para o uso de carros particulares ou veículos dos instrutores.
Como a Uber entraria nessa proposta?
Segundo Catão, a Uber se propõe a atuar como um elo entre alunos e instrutores autônomos.
A plataforma do aplicativo teria um sistema para cadastrar instrutores certificados, com nomeação e certificação visíveis para que o candidato possa verificar a autenticidade do profissional antes de contratar.
Essa parceria visa:
- Modernizar o processo de habilitação
- Torná-lo mais acessível e barato
- Desburocratizar o acesso aos instrutores autônomos
- Criar mais oportunidades no mercado de trabalho para profissionais certificados
A resposta da Uber
Em nota oficial, a Uber negou ter apresentado uma proposta formal ao Ministério dos Transportes. A empresa confirmou, no entanto, que discutiu em reunião técnica o uso da tecnologia para facilitar o acesso dos brasileiros à CNH, mas reforçou que ainda não há um acordo firmado.
Reações das autoescolas e especialistas
Preocupação com segurança e fiscalização
Ygor Valença, presidente da Federação Nacional das Empresas de Autoescolas (Feneauto), manifestou preocupação quanto ao modelo intermediado por aplicativos.
Para ele, o aumento do número de instrutores autônomos dificulta a fiscalização e pode aumentar o risco para os alunos e para o trânsito em geral.
Qualidade do ensino e adaptação dos veículos
Roberta Torres, especialista em educação no trânsito, alerta que a ausência da obrigatoriedade de veículos adaptados com controle duplo pode comprometer a segurança durante as aulas práticas.
Além disso, ela destaca que a falta de um padrão rigoroso para instrutores autônomos pode resultar em ensino deficiente e riscos à segurança viária.
Condições de trabalho dos instrutores
Ygor Valença também destacou o risco de precarização do trabalho dos instrutores autônomos, comparando com a situação enfrentada por entregadores de aplicativos. Enquanto as autoescolas oferecem carteira assinada, benefícios e garantias, os instrutores autônomos estariam desprotegidos.
Impacto da proposta nas autoescolas
Mesmo sem a formalização da mudança, o anúncio já causou impactos negativos para os Centros de Formação de Condutores (CFCs). Conforme relatado por Valença, autoescolas já registram queda nas matrículas e demissões de instrutores devido à incerteza do futuro do modelo tradicional.
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Por que as autoescolas são burocráticas e caras?
Os CFCs precisam cumprir rigorosos requisitos legais para funcionar, como:
- Infraestrutura mínima: salas, banheiros, motopistas
- Equipamentos obrigatórios: carros adaptados com controles para instrutores
- Corpo técnico: número mínimo de funcionários e diretores certificados
- Sistemas de segurança, biometria e controle
Esses padrões, exigidos por leis e órgãos reguladores, resultam em altos custos operacionais, refletidos no preço final da habilitação.
Autoescolas defendem diálogo para modernização
Entidades como Feneauto e Sindicfc reforçam que não são contra a modernização ou uso de tecnologias, como ensino à distância (EAD) e simplificação da jornada para habilitação.
O ponto central é que essas mudanças devem ser feitas com transparência e diálogo aberto entre governo, autoescolas e demais atores envolvidos.
Até o momento da publicação, os pedidos de reunião formal das autoescolas com o Ministério dos Transportes e Senatran foram negados, aumentando a tensão no setor.
O que está em jogo para os futuros condutores?

A flexibilização e modernização do processo de habilitação podem representar avanços importantes:
- Redução de custos e burocracia para os candidatos
- Maior democratização do acesso à CNH, especialmente em regiões remotas
- Aumento das oportunidades de trabalho para instrutores autônomos
Por outro lado, as preocupações com a segurança no trânsito e a qualidade da formação exigem que a implementação seja feita com critérios rigorosos, fiscalização eficaz e proteção aos profissionais envolvidos.
Considerações finais
A possível parceria entre Uber e governo para facilitar aulas práticas da CNH é um movimento que reflete o desejo de modernizar e democratizar o processo de habilitação no Brasil.
Contudo, o equilíbrio entre inovação, segurança e qualidade do ensino é fundamental para que essa mudança seja positiva para todos os envolvidos — candidatos, instrutores, autoescolas e sociedade.
Acompanharemos o desenrolar das discussões e eventuais decisões do Ministério dos Transportes, e a reação do mercado às transformações anunciadas no setor de formação de condutores.
