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Parkinson pode nascer no corpo antes de atingir o cérebro, diz novo estudo

Descubra como o Parkinson pode ter início nos rins antes de afetar o cérebro. Saiba mais sobre essa nova descoberta. Leia agora!

Ellen D'AlessandroPor Ellen D'Alessandro5 min de leitura
Parkinson

A doença de Parkinson, um distúrbio neurológico crônico e progressivo que compromete o sistema motor, é amplamente conhecida por afetar diretamente o cérebro.

A perda de neurônios produtores de dopamina é a explicação tradicional para os sintomas característicos da enfermidade, como tremores, rigidez muscular e lentidão dos movimentos.

Contudo, um estudo recente publicado na renomada revista científica Nature Neuroscience desafia essa compreensão convencional. Pesquisadores da Universidade de Wuhan, na China, descobriram que os primeiros sinais da doença podem não estar no cérebro, mas sim nos rins.

O foco do estudo foi a proteína alfa-sinucleína (α-Syn), já conhecida por seu papel no desenvolvimento do Parkinson. De acordo com os cientistas, essa proteína pode se acumular nos rins antes de migrar para o cérebro, sugerindo uma possível origem periférica da doença.

A pesquisa abre novas possibilidades para o diagnóstico precoce, prevenção e tratamento da doença, indicando que órgãos fora do sistema nervoso central podem desempenhar um papel mais ativo do que se imaginava no surgimento de distúrbios neurodegenerativos.

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O que é o Parkinson? Entenda a doença

Parkinson
Imagem: Freepik

Características e sintomas principais

A doença de Parkinson é uma das condições neurológicas mais comuns entre idosos. Ela é progressiva, sem cura conhecida, e os seus sintomas se intensificam ao longo do tempo. Entre os principais estão:

  • Tremores em repouso;
  • Rigidez muscular;
  • Lentidão de movimentos (bradicinesia);
  • Dificuldade de equilíbrio e coordenação;
  • Alterações na fala e escrita.

Embora os sintomas motores sejam os mais visíveis, o Parkinson também pode afetar funções cognitivas, emocionais e autonômicas, como o sono e o funcionamento intestinal.

Causa clássica: a perda de dopamina no cérebro

A explicação mais aceita até hoje para a origem da doença era a degeneração de neurônios na substância negra do cérebro, responsável por produzir dopamina. A falta desse neurotransmissor compromete diretamente a comunicação entre as células nervosas, resultando nos sintomas já citados.

Nova descoberta: o papel dos rins no Parkinson

O que diz o estudo da Universidade de Wuhan?

O estudo, conduzido por uma equipe multidisciplinar de cientistas chineses, examinou a distribuição da proteína alfa-sinucleína em diferentes tecidos do corpo humano e em camundongos geneticamente modificados para estudar doenças neurodegenerativas.

A alfa-sinucleína, quando alterada, forma aglomerados conhecidos como corpos de Lewy — marca registrada do Parkinson e de outras demências. Os cientistas descobriram que esses aglomerados podem começar a se formar nos rins antes de atingirem o cérebro.

A equipe encontrou acúmulo anormal da proteína nos rins de 10 entre 11 pacientes com Parkinson e demência por corpos de Lewy. Em paralelo, também foram observadas disfunções semelhantes em 17 de 20 pacientes com doença renal crônica, mesmo que estes não apresentassem sintomas neurológicos.

Esses resultados sugerem que os rins podem ser o local inicial da disfunção proteica que leva ao Parkinson, funcionando como um “berço” silencioso para o início da doença.

Como a alfa-sinucleína chega ao cérebro?

Um possível trajeto da proteína tóxica

Os pesquisadores sugerem que, uma vez acumulada nos rins, a alfa-sinucleína pode ser transportada até o cérebro por meio da corrente sanguínea ou por conexões do sistema nervoso periférico, como o nervo vago — estrutura já estudada anteriormente por seu papel na transmissão de sinais entre o corpo e o cérebro.

Esse caminho, se confirmado, ampliaria significativamente a visão sobre como doenças neurológicas se iniciam, apontando para a possibilidade de que a disfunção começa fora do cérebro.

Metodologia do estudo: o que foi feito?

Testes em camundongos

O estudo utilizou camundongos geneticamente modificados para superexpressar a proteína alfa-sinucleína nos rins. Com o passar do tempo, os pesquisadores observaram o transporte da proteína até o cérebro dos animais, o que resultou em sintomas semelhantes ao Parkinson.

Análise de tecidos humanos

Foram examinadas amostras de tecido renal e cerebral de pessoas falecidas diagnosticadas com Parkinson ou demência de corpos de Lewy. O acúmulo de alfa-sinucleína nos rins apareceu em quase todos os casos.

Em paralelo, tecidos de pacientes com doença renal crônica — mas sem distúrbios neurológicos diagnosticados — também apresentaram alterações proteicas, sugerindo uma relação precoce e ainda silenciosa da doença.

Implicações da descoberta para a medicina

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Diagnóstico precoce pode ser possível

Se confirmado que a alfa-sinucleína começa a se acumular nos rins antes de afetar o cérebro, testes renais simples poderiam futuramente funcionar como métodos de rastreio precoce para o Parkinson. Isso poderia mudar radicalmente a forma como a doença é diagnosticada.

Novos tratamentos e terapias podem surgir

Além do diagnóstico, o tratamento também poderia ser transformado. Intervenções que impeçam o acúmulo da proteína nos rins — ou que bloqueiem sua migração para o cérebro — podem oferecer novas formas de combater ou retardar o desenvolvimento do Parkinson.

Doença renal como fator de risco?

Outro ponto levantado pelo estudo é a relação entre doenças renais crônicas e alterações na alfa-sinucleína. Isso sugere que problemas renais não apenas refletem disfunções sistêmicas, mas podem estar associados diretamente ao desenvolvimento de doenças neurológicas.

Limitações do estudo e próximos passos

Parkinson
Imagem: Freepik

Amostra limitada e necessidade de estudos maiores

Como o estudo utilizou apenas 11 amostras humanas com Parkinson e 20 com doença renal crônica, o número é pequeno para se tirar conclusões definitivas. Além disso, nem todos os mecanismos observados em camundongos são reproduzidos em humanos.

Estudos longitudinais e em larga escala

Para validar essas descobertas, serão necessários estudos longitudinais, com acompanhamento de pacientes ao longo do tempo, além de pesquisas clínicas com amostras maiores e diversificadas.

Conclusão: um novo olhar sobre o Parkinson

A possibilidade de que o Parkinson possa ter início nos rins muda radicalmente a compreensão da doença.

A visão tradicional, centrada exclusivamente no cérebro, pode estar incompleta. A nova pesquisa chinesa oferece um modelo alternativo, mais abrangente, que inclui outros órgãos como peças-chave na origem da neurodegeneração.

Se confirmadas por futuros estudos, essas descobertas podem representar um marco na história da medicina, permitindo detectar e tratar a doença antes que o cérebro seja afetado de forma irreversível.

Imagem: Erfan Rg / Unsplash

Ellen D'Alessandro

Autor

Ellen D'Alessandro

Ellen D'Alessandro é redatora no portal Seu Crédito Digital. Tem 24 anos e cursa Letras – Português e Alemão na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Apaixonada por leitura e séries de TV, alia sua formação acadêmica ao trabalho com produção de conteúdo informativo sobre direitos sociais, economia e temas que impactam o dia a dia do cidadão brasileiro.

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