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Votação da PEC da escala 6×1 é adiada após pedido de vista

Pedido de vista adia votação da PEC da escala 6x1 na Câmara. Texto prevê jornada de 40 horas semanais sem redução salarial.

Helena SerpaPor Helena Serpa5 min de leitura
6x1

A votação da PEC que prevê o fim da escala 6×1 e a redução da jornada semanal de trabalho foi adiada nesta segunda-feira, 25, após um pedido de vista apresentado pelo deputado federal Mauricio Marcon. A medida interrompeu temporariamente a análise do parecer na comissão especial da Câmara dos Deputados.

A proposta ainda precisa passar por votação na comissão especial, pelo plenário da Câmara e posteriormente pelo Senado Federal para entrar em vigor.

Como ficará a jornada?

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Regra atualRegra prevista na PEC
44 horas semanais40 horas semanais
Escala 6×1 permitidaDuas folgas semanais obrigatórias
Uma folga semanalDois descansos remunerados
Redução negociada em acordosRedução prevista na Constituição

Etapas

EtapaPrazo após promulgação da PECJornada semanal
Primeira etapa da reduçãoAté 2 mesesRedução de 44 para 42 horas semanais
Segunda etapa da reduçãoAté 12 meses após a primeira faseRedução definitiva para 40 horas semanais

Duas folgas semanais

Um dos pontos centrais da PEC é o encerramento gradual da tradicional escala 6×1, comum em setores como comércio, supermercados, telemarketing, alimentação, logística e serviços.

A nova regra deverá entrar em vigor 60 dias após a promulgação da emenda constitucional.

Empresas terão período de adaptação

O período de transição foi um dos temas mais debatidos durante as negociações da proposta.

Entidades empresariais argumentaram que a mudança imediata poderia elevar custos operacionais, pressionar pequenas empresas e impactar contratações. Após negociações, o governo federal concordou com uma implementação gradual.

A avaliação de representantes do setor produtivo é que empresas precisarão reorganizar escalas, ampliar equipes e investir em produtividade para manter operações funcionando com menos horas trabalhadas.

Especialistas em relações trabalhistas apontam que setores com funcionamento contínuo, como hospitais, transporte e varejo, devem sentir os maiores impactos operacionais.

Acordos coletivos terão peso decisivo

O texto da PEC também fortalece o papel das negociações coletivas entre empresas e sindicatos.

Segundo o relatório, convenções e acordos incompatíveis com as novas jornadas perderão validade automaticamente após 60 dias da promulgação da emenda.

Na prática, isso deve obrigar empresas e sindicatos a renegociarem escalas, jornadas e sistemas de compensação.

Jornadas especiais poderão continuar

A PEC permite exceções mediante convenção coletiva de trabalho.

Nesses casos, jornadas diferenciadas poderão ser autorizadas desde que exista compensação capaz de garantir, na média mensal, dois dias de repouso semanal remunerado.

O texto ainda estabelece que pelo menos um dos dias de descanso deverá ocorrer dentro do período máximo de uma semana de trabalho.

Quem ficará fora?

CritérioExigência
EscolaridadeDiploma de nível superior
Salário mensalA partir de 2,5 vezes o teto do INSS

Com base no teto atual do INSS, o valor corresponde a aproximadamente R$ 21,1 mil mensais.

Para esse grupo, não haverá aplicação obrigatória de controle de jornada nem das novas regras de descanso semanal.

PEC ainda enfrenta resistência no Congresso

Apesar do avanço acelerado da tramitação na Câmara, a proposta encontra resistência de parlamentares ligados ao setor produtivo e de parte dos economistas.

Empresários afirmam que a redução da jornada sem corte salarial pode aumentar custos trabalhistas e reduzir competitividade, principalmente em empresas de menor porte.

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Já economistas defendem que mudanças desse porte precisam ser acompanhadas por:

  • aumento da produtividade;
  • qualificação profissional;
  • modernização tecnológica;
  • melhorias logísticas;
  • investimentos em infraestrutura.

Parte dos especialistas também avalia que a mudança pode gerar novos postos de trabalho caso empresas precisem ampliar equipes para compensar a redução da carga horária.

Tramitação foi acelerada na Câmara

O texto foi enviado para análise da Comissão de Constituição e Justiça em fevereiro e avançou rapidamente até a comissão especial.

Sessões extras foram convocadas para acelerar prazos e permitir votação ainda no primeiro semestre.

Casa legislativaVotos necessários
Câmara dos Deputados308 deputados
Senado Federal49 senadores

Debate ganha força

A discussão sobre redução da jornada de trabalho voltou ao centro do debate político e econômico brasileiro em meio ao crescimento de discussões globais sobre qualidade de vida, saúde mental e equilíbrio entre vida pessoal e profissional.

Países europeus vêm realizando experiências com semanas de quatro dias de trabalho e jornadas reduzidas sem perda salarial. No Brasil, defensores da proposta afirmam que o modelo atual da escala 6×1 provoca desgaste físico e emocional, principalmente em setores de baixa remuneração.

Por outro lado, entidades empresariais defendem cautela e argumentam que mudanças estruturais exigem planejamento para evitar impactos sobre preços, produtividade e geração de empregos.

Considerações finais

O adiamento da votação da PEC do fim da escala 6×1 mostra que o tema ainda enfrenta forte disputa política e econômica dentro do Congresso Nacional. Mesmo assim, a proposta avançou rapidamente nos últimos meses e já mobiliza trabalhadores, sindicatos, empresários e especialistas em relações trabalhistas.

Se aprovada, a mudança representará uma das maiores alterações nas regras de jornada de trabalho no Brasil desde a Constituição de 1988, com impacto direto sobre empresas, negociações coletivas e rotina de milhões de trabalhadores brasileiros.

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Helena Serpa

Autor

Helena Serpa

Jornalista mineira, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Apaixonada por linguagem simples e comunicação acessível, atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, onde produz conteúdos sobre finanças pessoais, cidadania, programas sociais, direitos do consumidor e outros temas relevantes para o dia a dia dos brasileiros. Sua escrita busca informar com clareza, contribuir com a inclusão digital e empoderar leitores a tomar decisões mais conscientes sobre dinheiro e serviços públicos.

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