Na noite de quinta-feira(19), o Senado Federal aprovou, em dois turnos, a proposta de emenda à Constituição (PEC) 54/2024. A PEC faz parte do pacote de medidas do governo para controlar o crescimento das despesas obrigatórias, como as relacionadas a pessoal e programas sociais.
PEC do corte prevê restrição do abono do PIS/Pasep; entenda
O Senado aprovou a PEC 54/2024, que prevê cortes de gastos do governo, mudanças no abono do PIS/Pasep e prorrogação da DRU
O texto aprovado inclui mudanças significativas no abono salarial do PIS/Pasep, alterações no financiamento da educação básica e a prorrogação da Desvinculação de Receitas da União (DRU). Com a aprovação no Senado, a PEC segue agora para promulgação pelo Congresso Nacional.
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O Que Está em Jogo: Medidas de Controle Fiscal
A PEC 54/2024 faz parte do esforço do governo em equilibrar as contas públicas e evitar um aumento descontrolado nas despesas do Estado. A principal razão para a criação dessa proposta é limitar a expansão de gastos obrigatórios, garantindo que o governo consiga manter suas contas em dia sem comprometer a saúde fiscal do país.

Alterações no Abono Salarial do PIS/Pasep
O abono salarial do PIS/Pasep é um benefício pago anualmente aos trabalhadores que atendem a critérios de renda. Atualmente, esse abono é calculado com base na variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acrescido do PIB do ano anterior. No entanto, a PEC 54/2024 propôs uma mudança significativa nesse cálculo.
Como Ficará o Abono?
A partir de 2026, o valor do abono será corrigido apenas pela variação do INPC, sem o ganho real do PIB, que era aplicado até então. Além disso, o abono salarial será concedido apenas aos trabalhadores que ganharem até dois salários mínimos, o que equivale a R$ 2.640 (em 2023). A expectativa do governo é de que, até 2035, esse valor se aproxime de um salário mínimo e meio.
Fundeb: Alterações no Financiamento da Educação Básica
Outro ponto importante da PEC é a modificação das regras do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), que financia a educação pública do ensino infantil ao médio no Brasil. Atualmente, os estados e municípios recebem complementação federal para garantir o valor mínimo por aluno.
O Que Mudou?
A PEC determina que, até 2026, o Fundeb deve garantir no mínimo 23% dos recursos estaduais para a educação. A novidade, entretanto, está na possibilidade de redirecionar parte da complementação da União para a manutenção de matrículas em tempo integral nas escolas públicas. Inicialmente, a proposta indicava que até 20% dos recursos poderiam ser usados para esse fim.
Porém, durante a tramitação da PEC na Câmara dos Deputados, esse limite foi reduzido para 10% em 2025 e, nos anos seguintes, no mínimo 4% deverá ser destinado às matrículas em tempo integral, até que as metas do Plano Nacional de Educação sejam atingidas.
Exclusões Importantes
Os senadores decidiram excluir do texto a possibilidade de utilizar recursos do Fundeb para financiar o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) ou o Programa Saúde nas Escolas (PSE). A justificativa foi de que essas destinações não estavam previstas originalmente no fundo, que tem como foco a melhoria da qualidade educacional.
DRU: Prorrogação até 2032
A Desvinculação de Receitas da União (DRU) é um mecanismo que permite ao governo federal flexibilizar a execução orçamentária, permitindo o uso de 20% dos recursos federais vinculados a fundos ou despesas específicas.
A PEC 54/2024 propôs a prorrogação dessa medida até 2032, permitindo que o governo continue a ter flexibilidade para usar parte desses recursos em áreas como saúde e educação, dentro dos limites do arcabouço fiscal.
O Que Isso Significa?
A DRU permite que o governo redirecione recursos de áreas como saúde, educação e seguridade social para outras despesas, desde que respeitado o limite de 20% do total das receitas.
A principal fonte de recursos da DRU são as contribuições sociais, mas a PEC agora também inclui recursos provenientes de taxas, contribuições de intervenção no domínio econômico (CIDE) e receitas patrimoniais da União.
Exceções da DRU
A PEC estabelece que alguns recursos não poderão ser desvinculados, como aqueles relacionados ao Fundo Social do Pré-Sal, e royalties e participação especial de áreas de exploração de petróleo que sejam destinados exclusivamente à educação e saúde pública.
Além disso, a DRU não poderá afetar transferências obrigatórias para estados e municípios, como aquelas definidas por regras constitucionais.
Supersalários e Limitações no Poder Executivo
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Outro ponto importante da PEC é o tratamento dos “supersalários”, ou seja, salários de servidores públicos que ultrapassam o teto constitucional, que atualmente é de R$ 44 mil mensais.
A proposta do governo era que esses casos fossem regulamentados por meio de uma lei complementar, mas os senadores aprovaram que a regulamentação poderá ser feita por lei ordinária, que exige um quórum menor para aprovação.
O Impacto da Mudança
A principal alteração proposta é que o Executivo terá mais liberdade para conceder subsídios e benefícios de natureza financeira a servidores, desde que isso se enquadre nos limites estabelecidos pelo arcabouço fiscal. Em outras palavras, o governo poderá reduzir certos benefícios financeiros para controlar a execução orçamentária sem ultrapassar os limites de gastos previstos.
O Papel do Congresso Nacional na Promulgação
Agora que a PEC foi aprovada pelo Senado, o próximo passo é sua promulgação pelo Congresso Nacional. Isso ocorre quando a proposta é formalmente ratificada e se torna parte da Constituição brasileira. O Congresso deve formalizar a aprovação nas próximas sessões, garantindo que as mudanças previstas na PEC 54/2024 entrem em vigor.

Expectativas para o Futuro
A aprovação da PEC 54/2024 representa uma mudança significativa no direcionamento das políticas fiscais do Brasil. O governo agora terá maior controle sobre seus gastos obrigatórios e a execução orçamentária, o que, segundo os especialistas, pode ajudar a garantir a estabilidade fiscal do país no futuro.
Reações e Desafios Futuros
Apesar do apoio expressivo da maioria dos senadores, a PEC não foi unânime. Parte dos senadores e deputados manifestou preocupações sobre os impactos sociais das mudanças, especialmente no que diz respeito à restrição do abono salarial e ao financiamento da educação.
Além disso, a prorrogação da DRU e as limitações impostas à gestão dos recursos destinados à educação básica geraram debates sobre a distribuição equitativa dos recursos públicos.
No entanto, o governo se mostrou confiante de que a implementação da PEC ajudará a controlar os gastos públicos e contribuirá para o equilíbrio fiscal, que tem sido uma das prioridades da administração atual.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
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