Uma proposta em análise no Congresso Nacional pode transformar completamente a forma como o IPVA é calculado no Brasil. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 3/2026 avançou na Câmara dos Deputados após aprovação da admissibilidade pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ).
Projeto que altera o cálculo do IPVA pelo peso do veículo avança na Câmara
PEC aprovada na CCJ propõe mudar o cálculo do IPVA, usando o peso do veículo como base e limitando o imposto a 1% do valor do bem.
A medida sugere abandonar o modelo atual, baseado principalmente no valor de mercado do veículo, e criar uma nova lógica de cobrança considerando o peso de fábrica do automóvel como principal referência.
Caso seja aprovada em todas as etapas de tramitação, a mudança poderá afetar milhões de proprietários, especialmente aqueles que possuem veículos modernos, híbridos, elétricos ou modelos de maior valor agregado.
É importante destacar que a proposta ainda não está em vigor. A aprovação na CCJ representa apenas uma etapa inicial e significa que o texto pode continuar sendo analisado pelo Legislativo.
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O que muda com a PEC 3/2026?
Atualmente, o IPVA é calculado pelos estados utilizando como referência o valor venal do veículo, normalmente baseado em pesquisas de mercado, como a Tabela Fipe.
Na prática, quanto maior o valor do automóvel, maior tende a ser o imposto pago pelo proprietário, considerando a alíquota definida pelo estado.
A PEC propõe uma alteração desse modelo.
Com a nova regra, o cálculo deixaria de considerar prioritariamente o preço de mercado e passaria a utilizar o peso de fabricação do veículo como critério principal.
A proposta também estabelece um limite: o IPVA não poderia ultrapassar 1% do valor do bem.
Como funciona o cálculo do IPVA atualmente?
Hoje, cada estado possui autonomia para definir:
- a alíquota do imposto;
- as regras de cobrança;
- possíveis isenções ou benefícios fiscais.
Geralmente, o cálculo segue uma fórmula simples:
Valor venal do veículo × alíquota estadual = IPVA devido
As alíquotas costumam variar entre aproximadamente 1% e 4%, dependendo do estado e do tipo de veículo.
Por exemplo, um carro avaliado em R$ 100 mil em uma região com alíquota de 4% pode gerar um IPVA de cerca de R$ 4 mil.
Com a mudança proposta, esse sistema deixaria de ser o principal parâmetro.
Por que a proposta pode afetar carros elétricos e híbridos?
Os veículos eletrificados estão entre os modelos que podem sentir maior impacto caso a PEC avance.
Carros elétricos e híbridos geralmente possuem baterias de grande porte, componentes que aumentam significativamente o peso total do veículo.
Como a nova regra usaria o peso como referência, modelos mais pesados poderiam ter uma cobrança maior dentro da nova lógica.
Atualmente, muitos estados oferecem incentivos fiscais para estimular a compra de veículos de menor emissão, incluindo reduções ou isenções de IPVA para elétricos e híbridos.
Uma eventual mudança constitucional poderia alterar a forma como esses benefícios seriam aplicados no futuro.
Veículos pesados podem pagar mais?
Essa é uma das principais discussões envolvendo a proposta.
Com o peso como critério, veículos maiores e mais robustos poderiam ter uma tributação diferente da atual.
Na prática, um carro de alto valor, mas relativamente leve, poderia pagar menos imposto do que um veículo mais antigo, pesado e utilizado como ferramenta de trabalho.
Esse cenário representa uma mudança importante de lógica: o imposto deixaria de acompanhar diretamente o preço do automóvel e passaria a considerar uma característica física do veículo.
Quem apresentou a PEC do IPVA?
A proposta foi apresentada pelo deputado federal Kim Kataguiri (União-SP).
O texto passou pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara, que avaliou apenas os aspectos relacionados à constitucionalidade e à possibilidade jurídica da tramitação.
Essa etapa não significa aprovação definitiva.
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Antes de qualquer mudança entrar em vigor, a PEC ainda precisa passar por outras fases de análise dentro da Câmara e, posteriormente, pelo Senado Federal.
Quais serão os próximos passos da proposta?
Após a aprovação da admissibilidade na CCJ, o texto deverá ser analisado por uma comissão especial.
Nessa fase, os parlamentares deverão discutir pontos como:
- impacto na arrecadação dos estados;
- efeitos sobre municípios;
- autonomia financeira dos governos estaduais;
- possíveis regras de transição;
- consequências para diferentes categorias de veículos.
Como envolve alteração constitucional, a aprovação exige um processo mais rigoroso do que uma lei comum.
A PEC pode reduzir o IPVA dos brasileiros?
Um dos principais argumentos favoráveis à proposta é a possibilidade de redução do imposto para parte dos proprietários.
O limite máximo de 1% do valor do veículo poderia representar economia para quem atualmente paga alíquotas maiores em estados onde a cobrança chega a percentuais mais elevados.
Estados como São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, que possuem grandes frotas e alíquotas relevantes, poderiam sentir impactos caso a regra fosse aprovada.
Por outro lado, a mudança também levanta debates sobre a perda de arrecadação pública e como os estados compensariam uma eventual redução de receita.
Estados poderiam continuar oferecendo benefícios para veículos menos poluentes?

A proposta também abre espaço para que estados criem incentivos relacionados à sustentabilidade.
Entre as possibilidades estão descontos para veículos:
- elétricos;
- híbridos;
- com menor emissão de poluentes;
- que utilizem tecnologias consideradas mais eficientes.
Esse ponto acompanha uma tendência mundial de estimular uma frota mais sustentável.
No Brasil, a expansão dos veículos eletrificados aumentou a discussão sobre políticas públicas para incentivar a transição energética no setor automotivo.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
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