Na quinta-feira (26), o Pentágono apresentou uma coletiva de imprensa onde revelou detalhes inéditos sobre a preparação e execução dos bombardeios dos Estados Unidos contra três importantes instalações nucleares do Irã. A operação, considerada uma das mais secretas e complexas da história militar americana, envolveu um extenso planejamento, equipes especializadas e ajustes de última hora para lidar com fortificações iranianas.
Ataque dos EUA no Irã: verdade ou especulação sobre instalações nucleares?
Pentágono divulga detalhes da operação militar secreta dos EUA contra instalações nucleares iranianas, incluindo preparo, equipe e resistência iraniana.
O secretário de Defesa, Pete Hegseth, afirmou que os ataques representaram uma missão militar sem precedentes em termos de sigilo e complexidade. O general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto, foi o responsável por detalhar como a operação foi conduzida e o papel das equipes envolvidas.
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Preparação e planejamento minucioso
Segundo o general Caine, a missão exigiu o trabalho integrado de especialistas de diferentes ramos das Forças Armadas, além do uso intensivo de supercomputadores para projetar as bombas que atingiriam os alvos. Em certo momento, os especialistas se tornaram os maiores usuários do supercomputador dos Estados Unidos, dada a sofisticação das armas e a necessidade de simulações complexas.
Equipes envolvidas na operação
As tripulações que participaram da missão, que durou 37 horas, incluíram homens e mulheres com patentes que variavam de capitão a coronel. A maioria era formada por integrantes da ativa da Força Aérea e da Guarda Aérea Nacional do Missouri, muitos deles provenientes da Escola de Armas da Força Aérea, uma instituição de elite localizada no deserto de Nevada.
O general Caine destacou o aspecto humano da operação, revelando que as tripulações se despediram de suas famílias sem saber se voltariam. O retorno dos aviões ao Missouri foi marcado por um reencontro emocionante, com familiares aguardando com bandeiras e lágrimas.
Fortificações iranianas e adaptação dos EUA
A instalação nuclear de Fordow
Um dos maiores desafios para a missão foi a fortificação realizada pelo Irã na instalação nuclear de Fordow, situada no fundo de uma montanha. Dias antes dos ataques, os iranianos cobriram com concreto os dutos de ventilação, que eram o ponto de entrada das bombas antibunker americanas.
O general Caine comentou que os planejadores americanos tiveram que considerar essas camadas de concreto em seus cálculos, o que demandou ajustes de última hora no ataque. Mesmo assim, as bombas pesadas de 13.660 kg funcionaram conforme projetado em seu primeiro uso em combate, conforme ressaltado por Caine.
Demonstração em vídeo
Durante a coletiva, foi exibido um vídeo em câmera lenta mostrando como as bombas penetram um bunker, seguido por uma explosão intensa. O brilho alaranjado e a bola de fogo ilustraram a capacidade destrutiva das armas antibunker. O general destacou que ninguém estava dentro das instalações durante o ataque, por isso não há imagens reais do impacto dentro dos bunkers.
Questões ainda sem resposta sobre a eficácia dos ataques

Apesar da detalhada apresentação sobre a execução da missão, o Pentágono não apresentou novas evidências que comprovem o sucesso total dos ataques em destruir o programa nuclear iraniano. Tanto o secretário de Defesa quanto o general Caine direcionaram as perguntas sobre a extensão dos danos para as agências de inteligência dos EUA.
Avaliações iniciais contraditórias
Relatórios iniciais da Agência de Inteligência de Defesa indicam que os ataques podem ter apenas atrasado o programa nuclear do Irã em alguns meses, sem destruí-lo completamente. Já o diretor da CIA, John Ratcliffe, afirmou que as instalações foram destruídas e teriam que ser reconstruídas ao longo dos anos.
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Hegseth qualificou a operação como um “ataque historicamente bem-sucedido”, mas reconheceu que as avaliações sobre o impacto real ainda estão em andamento.
O mistério sobre as outras instalações
O foco da coletiva foi a instalação de Fordow. As outras duas instalações bombardeadas, Natanz e Isfahan, não foram mencionadas em detalhes, o que deixa dúvidas sobre o impacto total da operação.
O secretário de Defesa ressaltou que somente inspeções no local poderiam revelar o verdadeiro nível dos danos, mas que isso não seria possível no momento.
Reações políticas e controvérsias
O tom adotado por Hegseth durante a coletiva foi marcadamente político, com críticas à imprensa e defesa fervorosa das afirmações do presidente Donald Trump sobre o sucesso da missão.
Trump, por sua vez, minimizou questionamentos nas redes sociais, especialmente sobre relatos de veículos vistos nas instalações iranianas antes dos ataques, que poderiam indicar uma possível retirada de urânio enriquecido. O presidente afirmou que os carros eram de operários de concreto que tentavam cobrir os poços, negando a retirada de material nuclear.
Considerações finais sobre a operação
A divulgação dos detalhes pelo Pentágono oferece um raro olhar sobre a complexidade de uma operação militar secreta e o esforço humano e tecnológico empregado. Apesar disso, a eficácia da missão contra o programa nuclear iraniano permanece parcialmente nebulosa, dependendo de avaliações em curso das agências de inteligência.
As tensões entre os EUA e o Irã continuam elevadas, com implicações globais para a segurança e a diplomacia. O que está claro é que a operação marcou um ponto crítico na abordagem americana para conter o avanço nuclear iraniano.
