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Entidade americana apoia pescado brasileiro contra nova tarifa

Pescados brasileiros podem sofrer tarifa de até 37,5% nos EUA. Entenda impactos para exportações, tilápia e produtores nacionais.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes5 min de leitura
Entidade americana apoia pescado brasileiro contra nova tarifa

O setor brasileiro de pescados entrou no radar das negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos diante da possibilidade de novas tarifas sobre produtos nacionais. Caso as medidas propostas pelo governo americano sejam aplicadas, os pescados brasileiros poderão enfrentar uma cobrança adicional que elevaria a tarifa total para até 37,5% no mercado dos Estados Unidos.

A defesa do produto brasileiro será realizada durante uma audiência pública nos EUA, marcada para o próximo dia 6, com apoio da maior associação de pescados americana, a National Fisheries Institute (NFI). O objetivo é mostrar que a produção brasileira não representa uma ameaça direta aos produtores locais e, ao contrário, ajuda a complementar a oferta de pescado consumida pelos americanos.

A Associação Brasileira das Indústrias de Pescado (Abipesca) afirma que o argumento central será demonstrar que o Brasil fornece produtos que os Estados Unidos não conseguem produzir em quantidade suficiente, especialmente a tilápia.

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

Por que os pescados brasileiros podem ser afetados pelas tarifas

A possível elevação das tarifas faz parte de um movimento mais amplo envolvendo produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos.

Em junho, o governo americano anunciou medidas tarifárias sobre mercadorias brasileiras, envolvendo diferentes justificativas apresentadas durante as negociações comerciais.

Entre os setores atingidos está o pescado, que passou a ser tratado como parte das discussões envolvendo a relação comercial entre os dois países.

Para o setor brasileiro, porém, o pescado não deveria estar entre os produtos afetados, pois não disputa diretamente espaço com a produção americana.

Segundo representantes da indústria, a cadeia brasileira atua principalmente como fornecedora complementar, atendendo uma demanda que a produção interna dos Estados Unidos não consegue suprir.

Tilápia é principal exemplo usado na defesa brasileira

Um dos principais argumentos apresentados pela Abipesca envolve a tilápia.

O Brasil se tornou um fornecedor relevante para o mercado americano desse produto, especialmente porque os Estados Unidos possuem forte dependência de importações para atender ao consumo interno.

De acordo com o setor, a produção brasileira ajuda a diversificar os fornecedores americanos e reduzir a dependência de determinados mercados internacionais, especialmente da China, que lidera as vendas de pescado para os EUA.

A estratégia da defesa será mostrar que a aplicação de tarifas poderia prejudicar consumidores americanos ao reduzir a oferta e pressionar preços.

Associação americana alerta para impacto nos consumidores

A National Fisheries Institute (NFI) também apresentou argumentos contra a aplicação das tarifas sobre pescados importados.

Segundo a entidade, os estoques pesqueiros americanos já são explorados próximos dos limites considerados sustentáveis. Além disso, fatores ambientais e geográficos dificultam a substituição de produtos importados por produção doméstica.

A avaliação da associação é que uma tarifa maior poderia aumentar os custos para consumidores nos Estados Unidos.

O setor americano argumenta que a importação de pescado é necessária para manter variedade, disponibilidade e preços competitivos no mercado.

Brasil destaca padrões sanitários e ambientais

Outro ponto da defesa brasileira será relacionado às práticas de produção.

A Abipesca pretende reforçar que os pescados brasileiros seguem protocolos sanitários, trabalhistas e ambientais reconhecidos internacionalmente.

Segundo a entidade, a produção nacional não envolve trabalho infantil ou trabalho escravo e segue normas de controle aplicadas ao comércio internacional.

O setor também destaca que boa parte da produção brasileira tem características diferentes da pesca industrial em larga escala.

Muitas operações envolvem pequenas embarcações e produtores familiares, com menor impacto ambiental quando comparadas a modelos intensivos de exploração.

Estados Unidos são mercado estratégico para o pescado brasileiro

O mercado americano possui grande importância para a indústria brasileira de pescados.

Segundo dados apresentados pela Abipesca, cerca de 90% da tilápia exportada pelo Brasil tem como destino os Estados Unidos.

Considerando todas as espécies comercializadas internacionalmente, o país americano absorve aproximadamente metade das exportações brasileiras de pescado.

Essa concentração faz com que qualquer mudança tarifária tenha impacto direto sobre produtores, empresas exportadoras e trabalhadores ligados ao setor.

Brasil ainda busca reduzir dependência do mercado americano

Diante das incertezas comerciais, empresas brasileiras começaram a buscar novos compradores internacionais.

Nos últimos períodos, houve avanço das exportações para mercados como:

  • Singapura;
  • Taiwan;
  • Austrália;
  • Emirados Árabes Unidos;
  • Catar;
  • China.

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A estratégia é reduzir a dependência de um único destino e criar alternativas para a produção nacional.

A China, inclusive, passou a representar uma oportunidade maior para absorver parte do pescado brasileiro.

No entanto, especialistas do setor avaliam que substituir rapidamente o mercado americano é uma tarefa difícil.

Novos mercados não compensam totalmente perdas nos EUA

Apesar do crescimento das vendas para outros países, a indústria afirma que esses mercados ainda não conseguem substituir completamente os Estados Unidos.

Isso acontece porque o mercado americano possui grande escala de consumo e uma estrutura comercial já consolidada para receber produtos brasileiros.

A abertura de novos destinos exige tempo, construção de relacionamento comercial, adaptação logística e aprovação de fornecedores.

Por isso, a possibilidade de tarifas maiores preocupa empresas que esperavam crescimento nas exportações.

Expectativa de crescimento das vendas pode ser frustrada

No ano passado, o Brasil exportou aproximadamente US$ 370 milhões em pescados para os Estados Unidos.

O valor representou uma redução em relação ao ano anterior, quando as vendas ficaram cerca de US$ 100 milhões acima desse resultado.

Para este ano, a expectativa inicial do setor era alcançar aproximadamente US$ 500 milhões em exportações para o mercado americano.

A ameaça de novas tarifas, porém, pode dificultar esse avanço.

Setor tenta preservar produção e empregos

EUA
Imagem: Freepik

A indústria brasileira de pescados afirma que está trabalhando para evitar redução da produção e impactos no mercado de trabalho.

Após enfrentar desafios comerciais anteriores, o setor passou a investir em diversificação de destinos e fortalecimento da presença internacional.

A preocupação agora é equilibrar a manutenção das exportações para os Estados Unidos com a expansão de novos mercados.

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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