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Peso argentino em queda livre: governo de Milei vende dólares para estabilizar

O peso argentino voltou a cair e forçou o governo de Javier Milei a vender dólares para conter a pressão cambial. Entenda os motivos!

Helena SerpaPor Helena Serpa5 min de leitura
Notas de dinheiro argentino Peso argentino

O peso argentino voltou a se desvalorizar no fim de setembro, em um movimento que expôs novamente a fragilidade da economia do país. Após alguns dias de alívio proporcionado pelo anúncio de apoio dos Estados Unidos, a moeda despencou mais de 6% em um único pregão, antes de encerrar com queda de 1,4%, cotada a 1.380,0 pesos por dólar.

A magnitude da perda chamou a atenção dos investidores. Foi a maior baixa intradiária desde o início de setembro, e obrigou a administração de Javier Milei a intervir no mercado à vista, vendendo dólares das reservas internacionais.

O papel da intervenção do governo

Pix  Peso argentino
Imagem: rarrarorro / Shutterstock.com

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Venda de dólares em dia de forte pressão

O Banco Central argentino atuou diretamente para conter a disparada da moeda americana. Não há informações oficiais sobre o montante vendido, já que o Ministério da Economia e a autoridade monetária não comentaram as operações. Ainda assim, o movimento foi interpretado pelo mercado como sinal de fragilidade.

Reação negativa dos investidores

Analistas ressaltam que a venda de dólares em um dia de forte liquidez pode ser vista como falta de confiança na capacidade de estabilização. Esse tipo de intervenção é interpretado como medida emergencial, em vez de parte de uma política consistente de câmbio.

Contexto recente da valorização e reversão

Breve alívio após apoio dos Estados Unidos

Na semana anterior, o peso havia registrado recuperação expressiva, com alta superior a 10%. A reação positiva veio após o secretário do Tesouro norte-americano anunciar um pacote de US$ 20 bilhões para apoiar a economia argentina. Além disso, a redução temporária de impostos sobre exportações trouxe entrada de US$ 7 bilhões em poucos dias.

Retorno da pressão sobre a moeda

Apesar desses fatores, a tendência de desvalorização voltou rapidamente. O cenário mostra que medidas pontuais não foram suficientes para sustentar a moeda, principalmente diante da incerteza política e das dúvidas em relação à estratégia econômica do governo Milei.

Fatores que alimentam a desvalorização

Eleições legislativas no horizonte

A proximidade das eleições legislativas de meio de mandato, marcadas para outubro, gera apreensão entre investidores. A derrota do governo em votações locais, como ocorreu em Buenos Aires, aumentou a percepção de fragilidade política.

Ausência de clareza na política cambial

A falta de informações detalhadas sobre os rumos da política cambial e sobre o pacote de apoio dos Estados Unidos intensifica a desconfiança. A estratégia de controles de capitais, retomada de forma parcial em abril, também amplia a volatilidade, já que reduz a previsibilidade do mercado.

Reservas em foco

Embora o governo tenha aproveitado o alívio da semana anterior para recomprar dólares e reforçar reservas, as intervenções sucessivas sugerem dificuldades em conter a demanda por moeda estrangeira.

Impactos sobre ativos financeiros

Títulos argentinos em queda

Os títulos em dólar com vencimento em 2035 caíram mais de 1,8 centavo, chegando a cerca de 53 centavos por dólar. Foi uma das piores performances entre mercados emergentes no dia. Esses papéis já acumulam quatro quedas consecutivas, configurando a sequência mais longa em dois meses.

Diferença entre câmbio oficial e paralelo

Outro fator de preocupação é o aumento da diferença entre a taxa oficial e a paralela, que atingiu o maior nível desde abril. Essa disparidade reflete a pressão criada pelas restrições impostas pelo governo ao acesso ao dólar.

O papel dos Estados Unidos e da China

Apoio de Washington

O apoio norte-americano trouxe algum alívio momentâneo, mas especialistas destacam que o pacote de US$ 20 bilhões não resolve os desequilíbrios estruturais da economia argentina. O mercado entende que a medida tem caráter temporário, enquanto os problemas fiscais e cambiais persistem.

Relação com Pequim

Mesmo diante das negociações com Washington, Milei indicou que manterá o acordo de swap cambial com a China. Essa estratégia busca garantir maior fôlego nas reservas e diversificar as fontes de financiamento externo.

Desafios políticos e econômicos para Milei

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Pressão sobre o governo

A instabilidade cambial reforça a percepção de que o governo enfrenta dificuldades para conduzir a política econômica. A perda de apoio em votações locais acentua a preocupação com a capacidade de Milei de aprovar reformas e sustentar sua agenda liberalizante.

Expectativas para o pós-eleição

Analistas avaliam que o comportamento do câmbio e dos ativos dependerá da correlação de forças após as eleições legislativas. O mercado aguarda maior clareza sobre quem controlará o Congresso e quais ajustes de política econômica serão implementados.

Possíveis mudanças no gabinete

O próprio presidente sinalizou a intenção de promover mudanças em sua equipe após as eleições de outubro. Essa movimentação pode indicar ajustes de rumo, mas também aumenta a incerteza no curto prazo.

Perspectivas para o peso argentino

Javier Milei cercado de profissionais da imprensa bitcoin
Imagem: Facundo Florit / shutterstock.com

Visão de médio prazo

Estratégias de bancos internacionais apontam que a tendência de médio prazo para o peso segue sendo de desvalorização. O regime atual, baseado em intervenções pontuais e medidas temporárias, não oferece sustentação sólida para a moeda.

FAQ – Perguntas frequentes

Por que o peso argentino voltou a cair?
A moeda voltou a se desvalorizar devido à falta de clareza sobre a política cambial, à pressão das eleições legislativas e à desconfiança em relação à sustentabilidade do apoio externo.

O governo Milei tem dólares suficientes para intervir?
As reservas foram reforçadas recentemente, mas o uso contínuo para conter a demanda pressiona a posição do Banco Central e limita a capacidade de defesa no médio prazo.

Qual o impacto do pacote dos EUA?
O pacote de US$ 20 bilhões trouxe alívio momentâneo, mas não resolve os desequilíbrios fiscais e cambiais. O mercado vê a medida como temporária.

Considerações finais

O desfecho das eleições de outubro será determinante para o futuro da política econômica argentina. A capacidade do governo de manter governabilidade e credibilidade internacional será testada, e o comportamento do câmbio continuará a ser o termômetro mais sensível desse processo.

Helena Serpa

Autor

Helena Serpa

Jornalista mineira, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Apaixonada por linguagem simples e comunicação acessível, atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, onde produz conteúdos sobre finanças pessoais, cidadania, programas sociais, direitos do consumidor e outros temas relevantes para o dia a dia dos brasileiros. Sua escrita busca informar com clareza, contribuir com a inclusão digital e empoderar leitores a tomar decisões mais conscientes sobre dinheiro e serviços públicos.

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