O peso argentino voltou a se desvalorizar no fim de setembro, em um movimento que expôs novamente a fragilidade da economia do país. Após alguns dias de alívio proporcionado pelo anúncio de apoio dos Estados Unidos, a moeda despencou mais de 6% em um único pregão, antes de encerrar com queda de 1,4%, cotada a 1.380,0 pesos por dólar.
Peso argentino em queda livre: governo de Milei vende dólares para estabilizar
O peso argentino voltou a cair e forçou o governo de Javier Milei a vender dólares para conter a pressão cambial. Entenda os motivos!
A magnitude da perda chamou a atenção dos investidores. Foi a maior baixa intradiária desde o início de setembro, e obrigou a administração de Javier Milei a intervir no mercado à vista, vendendo dólares das reservas internacionais.
O papel da intervenção do governo

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Venda de dólares em dia de forte pressão
O Banco Central argentino atuou diretamente para conter a disparada da moeda americana. Não há informações oficiais sobre o montante vendido, já que o Ministério da Economia e a autoridade monetária não comentaram as operações. Ainda assim, o movimento foi interpretado pelo mercado como sinal de fragilidade.
Reação negativa dos investidores
Analistas ressaltam que a venda de dólares em um dia de forte liquidez pode ser vista como falta de confiança na capacidade de estabilização. Esse tipo de intervenção é interpretado como medida emergencial, em vez de parte de uma política consistente de câmbio.
Contexto recente da valorização e reversão
Breve alívio após apoio dos Estados Unidos
Na semana anterior, o peso havia registrado recuperação expressiva, com alta superior a 10%. A reação positiva veio após o secretário do Tesouro norte-americano anunciar um pacote de US$ 20 bilhões para apoiar a economia argentina. Além disso, a redução temporária de impostos sobre exportações trouxe entrada de US$ 7 bilhões em poucos dias.
Retorno da pressão sobre a moeda
Apesar desses fatores, a tendência de desvalorização voltou rapidamente. O cenário mostra que medidas pontuais não foram suficientes para sustentar a moeda, principalmente diante da incerteza política e das dúvidas em relação à estratégia econômica do governo Milei.
Fatores que alimentam a desvalorização
Eleições legislativas no horizonte
A proximidade das eleições legislativas de meio de mandato, marcadas para outubro, gera apreensão entre investidores. A derrota do governo em votações locais, como ocorreu em Buenos Aires, aumentou a percepção de fragilidade política.
Ausência de clareza na política cambial
A falta de informações detalhadas sobre os rumos da política cambial e sobre o pacote de apoio dos Estados Unidos intensifica a desconfiança. A estratégia de controles de capitais, retomada de forma parcial em abril, também amplia a volatilidade, já que reduz a previsibilidade do mercado.
Reservas em foco
Embora o governo tenha aproveitado o alívio da semana anterior para recomprar dólares e reforçar reservas, as intervenções sucessivas sugerem dificuldades em conter a demanda por moeda estrangeira.
Impactos sobre ativos financeiros
Títulos argentinos em queda
Os títulos em dólar com vencimento em 2035 caíram mais de 1,8 centavo, chegando a cerca de 53 centavos por dólar. Foi uma das piores performances entre mercados emergentes no dia. Esses papéis já acumulam quatro quedas consecutivas, configurando a sequência mais longa em dois meses.
Diferença entre câmbio oficial e paralelo
Outro fator de preocupação é o aumento da diferença entre a taxa oficial e a paralela, que atingiu o maior nível desde abril. Essa disparidade reflete a pressão criada pelas restrições impostas pelo governo ao acesso ao dólar.
O papel dos Estados Unidos e da China
Apoio de Washington
O apoio norte-americano trouxe algum alívio momentâneo, mas especialistas destacam que o pacote de US$ 20 bilhões não resolve os desequilíbrios estruturais da economia argentina. O mercado entende que a medida tem caráter temporário, enquanto os problemas fiscais e cambiais persistem.
Relação com Pequim
Mesmo diante das negociações com Washington, Milei indicou que manterá o acordo de swap cambial com a China. Essa estratégia busca garantir maior fôlego nas reservas e diversificar as fontes de financiamento externo.
Desafios políticos e econômicos para Milei
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Pressão sobre o governo
A instabilidade cambial reforça a percepção de que o governo enfrenta dificuldades para conduzir a política econômica. A perda de apoio em votações locais acentua a preocupação com a capacidade de Milei de aprovar reformas e sustentar sua agenda liberalizante.
Expectativas para o pós-eleição
Analistas avaliam que o comportamento do câmbio e dos ativos dependerá da correlação de forças após as eleições legislativas. O mercado aguarda maior clareza sobre quem controlará o Congresso e quais ajustes de política econômica serão implementados.
Possíveis mudanças no gabinete
O próprio presidente sinalizou a intenção de promover mudanças em sua equipe após as eleições de outubro. Essa movimentação pode indicar ajustes de rumo, mas também aumenta a incerteza no curto prazo.
Perspectivas para o peso argentino

Visão de médio prazo
Estratégias de bancos internacionais apontam que a tendência de médio prazo para o peso segue sendo de desvalorização. O regime atual, baseado em intervenções pontuais e medidas temporárias, não oferece sustentação sólida para a moeda.
FAQ – Perguntas frequentes
Por que o peso argentino voltou a cair?
A moeda voltou a se desvalorizar devido à falta de clareza sobre a política cambial, à pressão das eleições legislativas e à desconfiança em relação à sustentabilidade do apoio externo.
O governo Milei tem dólares suficientes para intervir?
As reservas foram reforçadas recentemente, mas o uso contínuo para conter a demanda pressiona a posição do Banco Central e limita a capacidade de defesa no médio prazo.
Qual o impacto do pacote dos EUA?
O pacote de US$ 20 bilhões trouxe alívio momentâneo, mas não resolve os desequilíbrios fiscais e cambiais. O mercado vê a medida como temporária.
Considerações finais
O desfecho das eleições de outubro será determinante para o futuro da política econômica argentina. A capacidade do governo de manter governabilidade e credibilidade internacional será testada, e o comportamento do câmbio continuará a ser o termômetro mais sensível desse processo.
