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Primeiro lote de SAF da Petrobras usa óleo de soja certificado

Petrobras conclui venda do primeiro lote de combustível sustentável de aviação produzido com óleo de soja certificado na Reduc.

Melissa BarbosaPor Melissa Barbosa6 min de leitura
Petrobras

A Petrobras concluiu a produção e a comercialização do primeiro lote de combustível sustentável de aviação (SAF, na sigla em inglês para Sustainable Aviation Fuel) fabricado com óleo de soja certificado. A iniciativa marca mais um passo da estatal brasileira na busca por soluções de menor impacto ambiental para o setor aéreo, um dos segmentos mais desafiadores da transição energética global.

O lote produzido soma 3.800 metros cúbicos e foi fabricado na Refinaria Duque de Caxias (Reduc), localizada no Rio de Janeiro. O óleo de soja utilizado como matéria-prima foi fornecido pela Bunge, enquanto a comercialização ocorreu por meio da Vibra, responsável pela distribuição ao mercado de aviação.

A operação representa um avanço relevante para o desenvolvimento do mercado brasileiro de combustíveis renováveis e reforça a posição do país como potencial fornecedor de soluções sustentáveis para a indústria aérea mundial.

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O que é o combustível sustentável de aviação?

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Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

O combustível sustentável de aviação, conhecido internacionalmente como SAF, é uma alternativa ao querosene de aviação convencional derivado do petróleo. Sua principal característica é a utilização de matérias-primas renováveis capazes de reduzir as emissões de gases de efeito estufa ao longo do ciclo de vida do combustível.

Dependendo da tecnologia empregada e da matéria-prima utilizada, o SAF pode proporcionar reduções significativas nas emissões de carbono quando comparado aos combustíveis fósseis tradicionais.

Entre as matérias-primas mais utilizadas globalmente estão:

  • Óleos vegetais;
  • Gorduras residuais;
  • Óleos de cozinha usados;
  • Resíduos agrícolas;
  • Biomassa;
  • Resíduos urbanos;
  • Matérias-primas de origem florestal.

No caso da Petrobras, a produção ocorreu a partir de óleo de soja certificado, um dos insumos renováveis mais abundantes no Brasil.

Como o combustível foi produzido

A produção do lote ocorreu por meio da tecnologia de coprocessamento, um método que permite integrar matérias-primas renováveis ao processo convencional de refino de petróleo.

Na prática, o óleo vegetal é processado juntamente com frações derivadas do petróleo dentro da estrutura já existente da refinaria. Isso reduz a necessidade de investimentos em novas plantas industriais e acelera a introdução de combustíveis renováveis no mercado.

Segundo a Petrobras, o combustível produzido possui 1% de conteúdo renovável em sua composição. Embora o percentual ainda seja relativamente baixo, ele representa uma etapa inicial importante para a ampliação futura da participação de matérias-primas renováveis na produção de combustíveis de aviação.

Por que o coprocessamento é considerado estratégico?

O coprocessamento vem ganhando espaço no setor de energia por apresentar algumas vantagens relevantes:

  • Aproveitamento da infraestrutura já existente;
  • Menor custo de implementação;
  • Redução gradual da pegada de carbono;
  • Facilidade de escalabilidade;
  • Maior rapidez para atender exigências regulatórias futuras.

Essa estratégia tem sido adotada por refinarias em diferentes países como forma de acelerar a descarbonização sem comprometer a segurança energética.

A importância da certificação do óleo de soja

Um dos pontos destacados pela Petrobras foi a utilização de óleo de soja certificado para comprovar critérios de sustentabilidade.

A certificação busca assegurar que a matéria-prima utilizada não esteja associada a práticas que provoquem desmatamento ilegal, conversão de áreas ambientalmente sensíveis ou impactos socioambientais relevantes.

Essa preocupação é cada vez mais importante no mercado internacional, especialmente diante das exigências de companhias aéreas, investidores e reguladores.

O que a certificação garante?

Entre os critérios normalmente avaliados pelos programas de certificação estão:

  • Rastreabilidade da produção;
  • Conformidade ambiental;
  • Proteção de áreas de preservação;
  • Boas práticas agrícolas;
  • Cumprimento de normas trabalhistas;
  • Redução de riscos associados à expansão agrícola sobre novas áreas.

Esses requisitos aumentam a credibilidade do combustível sustentável perante os mercados internacionais.

O papel do SAF na descarbonização da aviação

A aviação comercial responde por uma parcela relevante das emissões globais de dióxido de carbono (CO₂). Diferentemente de outros setores, a eletrificação de aeronaves de grande porte ainda enfrenta limitações tecnológicas importantes.

Por esse motivo, organismos internacionais e empresas do setor enxergam o SAF como uma das principais alternativas para reduzir emissões nas próximas décadas.

A Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) considera o combustível sustentável uma peça fundamental para que o setor alcance a meta de emissões líquidas zero até meados do século.

Enquanto novas tecnologias, como hidrogênio e aeronaves elétricas, ainda estão em desenvolvimento, o SAF permite uma redução gradual das emissões utilizando a infraestrutura aeroportuária já existente.

O potencial do Brasil no mercado de combustíveis sustentáveis

O Brasil possui características que o colocam em posição privilegiada para se tornar um dos principais produtores globais de combustíveis sustentáveis.

Entre os fatores que favorecem essa posição estão:

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  • Liderança mundial na produção de soja;
  • Forte cadeia do agronegócio;
  • Experiência consolidada com biocombustíveis;
  • Disponibilidade de biomassa;
  • Infraestrutura industrial desenvolvida;
  • Conhecimento acumulado com etanol e biodiesel.

Especialistas apontam que o país reúne condições para se tornar um importante exportador de SAF nos próximos anos, especialmente para mercados que vêm ampliando exigências ambientais, como Europa e América do Norte.

Oportunidades para a economia brasileira

A expansão da produção de combustíveis sustentáveis pode gerar diversos benefícios econômicos:

  • Atração de investimentos industriais;
  • Geração de empregos qualificados;
  • Ampliação das exportações;
  • Fortalecimento do agronegócio;
  • Desenvolvimento tecnológico;
  • Diversificação da matriz energética.

Além disso, o crescimento desse mercado pode impulsionar novas oportunidades para produtores rurais e empresas ligadas à cadeia de energia renovável.

Petrobras amplia estratégia de transição energética

Nos últimos anos, a Petrobras tem anunciado iniciativas voltadas à redução das emissões e ao desenvolvimento de produtos de menor intensidade de carbono.

A produção e venda do primeiro lote de combustível sustentável de aviação feito com óleo de soja certificado se insere nesse contexto de transformação do setor energético.

Embora o petróleo continue sendo o principal negócio da companhia, a crescente demanda global por combustíveis renováveis pressiona empresas do setor a diversificar suas operações e investir em soluções alinhadas às metas climáticas internacionais.

O que esperar dos próximos anos

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Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

O mercado de SAF ainda está em fase inicial no Brasil, mas a tendência é de crescimento acelerado.

Com o avanço das regulamentações ambientais, metas de descarbonização e compromissos assumidos por companhias aéreas em todo o mundo, a demanda por combustíveis sustentáveis deve aumentar significativamente ao longo da próxima década.

Nesse cenário, a experiência adquirida pela Petrobras na produção do primeiro lote comercial com óleo de soja certificado pode servir como base para projetos maiores e para a ampliação da participação brasileira em um mercado que tende a movimentar bilhões de dólares nos próximos anos.

Conclusão

A venda do primeiro lote de combustível sustentável de aviação produzido com óleo de soja certificado representa um marco para a Petrobras e para o desenvolvimento do SAF no Brasil. A iniciativa demonstra a capacidade da indústria nacional de integrar matérias-primas renováveis ao processo de refino, ao mesmo tempo em que atende às crescentes demandas por soluções de menor impacto ambiental.

Com abundância de recursos agrícolas, experiência em biocombustíveis e potencial para expansão industrial, o Brasil surge como um dos países mais promissores para liderar a produção de combustíveis sustentáveis destinados à aviação, um setor que busca alternativas viáveis para reduzir sua pegada de carbono nas próximas décadas.

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Melissa Barbosa

Autor

Melissa Barbosa

Melissa Barbosa é Redatora SEO e Designer no portal Seu Crédito Digital. Estudante de Jornalismo, possui sólida experiência em Marketing de Conteúdo, com foco em estratégias de SEO, comunicação digital e identidade visual. Apaixonada pelo universo da informação e da criatividade, une técnica e sensibilidade para transformar dados e tendências em conteúdos relevantes, que ajudam o público a entender melhor o cenário econômico, os benefícios sociais e os serviços digitais que impactam o dia a dia do brasileiro.

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