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Petrobras reduz preço da gasolina: combustível mais barato a partir de terça (3)

Petrobras anuncia corte de 5,6% no preço da gasolina nas refinarias. Veja os impactos para a inflação, os postos e os resultados da estatal.

Luiza NiewinskiPor Luiza Niewinski4 min de leitura
gasolina

Entrou em vigor nesta terça-feira (3) a nova redução no preço da gasolina vendida pela Petrobras às distribuidoras. O corte de 5,6%, anunciado na véspera, representa uma queda de R$ 0,17 por litro, fixando o valor médio nas refinarias em R$ 2,85. Trata-se da primeira redução nos preços do combustível desde outubro de 2023.

Segundo fontes da estatal ouvidas pela CNN, o longo intervalo sem cortes está diretamente relacionado à nova estratégia de precificação adotada pela companhia, que prioriza a chamada política de “abrasileirar” os preços dos combustíveis.

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O que muda com a nova política de preços da Petrobras

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Imagem: Freepik

Diferente do modelo anterior, que seguia mais rigidamente as cotações internacionais do petróleo e do câmbio, a atual política busca amortecer os impactos das oscilações globais sobre o consumidor brasileiro. Assim, quando os preços caem no exterior, a Petrobras retém parte da baixa; quando sobem, absorve parte da alta para evitar repasses imediatos.

Essa estratégia, contudo, vem sendo criticada por especialistas do setor por gerar defasagens nos preços internos em relação ao mercado internacional, o que pode afetar a competitividade e a lucratividade da empresa.

Impacto limitado nos postos de combustíveis

Apesar do corte anunciado nas refinarias, o efeito sobre os preços nas bombas ainda é incerto. Segundo estimativas da estrategista de inflação da Warren, Andréa Angelo, entre 30% e 35% da redução deverá ser repassada ao consumidor final em junho. Já o economista Fábio Romão, da LCA Consultores, prevê um repasse de até 50%.

“Esta queda de 5,6% na refinaria seria cerca de 2,56% nas bombas, afetando principalmente os meses de junho e julho”, avalia Romão.

A capacidade de repasse depende também da política individual de cada distribuidora e da concorrência entre postos, fatores que podem atrasar ou diluir o efeito da redução sobre o preço final ao consumidor.

Efeitos sobre a inflação: projeções revisadas

Ainda que parcial, o impacto da redução no preço da gasolina já aparece nas projeções para a inflação oficial. O Monitor Diário de Inflação da LCA revisou a previsão do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2025 de 5,5% para 5,3%.

Romão também revisou para baixo as projeções de inflação mensal, passando de 0,37% para 0,25% em junho e de 0,21% para 0,19% em julho. Segundo os analistas, a gasolina tem peso relevante na composição do IPCA, e qualquer variação significativa afeta diretamente o índice.

Críticas à medida: “não é o momento certo”

Apesar do alívio esperado para o consumidor, especialistas do setor energético apontam que o corte ocorre em um momento de alta do petróleo no mercado internacional. Para Pedro Rodrigues, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), a decisão não faz sentido sob a ótica da paridade internacional.

“Do ponto de vista de mercado, não faz o menor sentido a Petrobras anunciar essa redução de preço na gasolina agora. Já havia uma defasagem acumulada e o petróleo está em alta”, afirmou Rodrigues à CNN Money.

Efeitos nos resultados da Petrobras

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Imagem: Freepik

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O Citi classificou a decisão como negativa para os resultados financeiros da estatal. Segundo o banco, o corte pode reduzir a Receita e o Ebitda da Petrobras em até US$ 690 milhões por ano, considerando os volumes médios de comercialização.

“Na distribuição de combustíveis, vemos a medida como marginalmente positiva, pois pode reduzir a competitividade de pequenas distribuidoras. No entanto, também pode gerar perdas de estoque e pressionar as margens do segundo trimestre”, avaliou o banco em relatório.

Reação do mercado financeiro

Analistas do Goldman Sachs também demonstraram cautela, destacando que a Petrobras ainda pratica preços ligeiramente acima da paridade internacional, o que pode incentivar importações por parte de players independentes. Isso poderia gerar uma pressão adicional sobre a margem de lucros da estatal e desequilíbrios no mercado interno.

Além disso, distribuidoras podem sofrer perdas com o ajuste repentino, impactando seus estoques e margens no curto prazo.

Conclusão: consumidor ganha no curto prazo, mas cenário é de incerteza

O corte no preço da gasolina anunciado pela Petrobras representa um alívio imediato para parte dos consumidores e poderá ajudar a conter a inflação nos próximos dois meses. No entanto, a decisão não é unânime entre os analistas e especialistas do setor, que apontam riscos para a saúde financeira da estatal e para o equilíbrio do mercado de combustíveis.

A eficácia da nova política de preços ainda será testada diante de um cenário internacional volátil, com pressões de alta no petróleo e mudanças cambiais. Para o consumidor final, o impacto concreto dependerá do comportamento das distribuidoras e dos postos nos próximos dias.

Enquanto isso, o debate sobre o papel da Petrobras como empresa pública, sua função social e sua competitividade continua no centro da agenda econômica do país.

Luiza Niewinski

Autor

Luiza Niewinski

Luiza Niewinski é apaixonada por animais, fã de séries e entusiasta da informação. Está sempre atenta ao que acontece no Brasil e no mundo, com o objetivo de transformar notícias em conteúdo útil e acessível para o leitor. No portal Seu Crédito Digital, atua na produção de matérias sobre benefícios sociais, programas do governo, direitos do cidadão e temas do dia a dia que impactam diretamente a população.

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