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Conselho da Petrobras aprova primeira fábrica dedicada a combustível renovável

Petrobras aprova US$ 1,2 bilhão para fábrica de combustíveis renováveis em Cubatão, com produção de bioquerosene e diesel verde.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes5 min de leitura
Conselho da Petrobras aprova primeira fábrica dedicada a combustível renovável

A Petrobras deu um novo passo em sua estratégia de transição energética ao aprovar um investimento de US$ 1,2 bilhão, equivalente a cerca de R$ 6 bilhões, para a implantação do projeto RPBC Biorrefino. A iniciativa marca a entrada da companhia em uma nova fase de produção de combustíveis renováveis em escala industrial.

O projeto será desenvolvido na Refinaria Presidente Bernardes (RPBC), localizada em Cubatão, no estado de São Paulo, e prevê a construção da primeira unidade da estatal dedicada exclusivamente à fabricação de combustíveis de menor emissão de carbono.

A nova estrutura terá capacidade para produzir até 15 mil barris por dia (bpd) de combustíveis renováveis, incluindo BioQAV, também conhecido como combustível sustentável de aviação, e diesel renovável.

A previsão é que a operação tenha início em 2030, enquanto a fase de contratação e assinatura dos contratos deve avançar após a aprovação dos investimentos, com expectativa de início das obras até o fim de 2026.

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Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

Projeto RPBC Biorrefino representa mudança na estratégia da Petrobras

O investimento faz parte do plano de negócios da Petrobras para o período de 2026 a 2030 e está inserido na carteira de projetos em implantação da companhia.

Segundo a empresa, a iniciativa está alinhada ao objetivo de ampliar sua participação em soluções de baixo carbono e acompanhar as transformações do setor energético mundial.

A proposta é aproveitar a estrutura já existente da RPBC para desenvolver uma plataforma voltada à produção de combustíveis renováveis, combinando a experiência da indústria de petróleo com novas tecnologias energéticas.

A Petrobras afirma que o projeto faz parte de uma estratégia de transição energética considerada justa, buscando reduzir emissões sem abandonar a segurança energética do país.

O que será produzido na nova fábrica da Petrobras?

A unidade de biorrefino terá foco principalmente em dois produtos:

BioQAV: combustível renovável para aviação

O BioQAV é uma alternativa ao querosene tradicional utilizado em aeronaves.

O setor de aviação é considerado um dos mais desafiadores para redução de emissões porque depende de combustíveis com alta densidade energética.

Por isso, combustíveis sustentáveis de aviação vêm ganhando espaço em políticas ambientais internacionais.

A produção nacional pode ajudar companhias aéreas brasileiras a cumprir metas ambientais e atender novas exigências globais.

Diesel renovável

O diesel renovável é produzido a partir de matérias-primas renováveis e busca reduzir a pegada de carbono em comparação ao combustível fóssil tradicional.

O produto pode contribuir para setores que dependem fortemente do transporte rodoviário, como logística, agricultura e indústria.

Investimento acompanha novas regras ambientais para combustíveis

A decisão da Petrobras ocorre em um momento de aumento das exigências ambientais no setor de transportes.

Um dos fatores considerados pela companhia é o avanço de regras internacionais e brasileiras voltadas à redução das emissões de gases de efeito estufa.

Entre elas está o Corsia, sigla em inglês para Esquema de Compensação e Redução de Carbono para a Aviação Internacional.

O programa é coordenado pela Organização da Aviação Civil Internacional (Oaci) e estabelece medidas para diminuir o impacto climático da aviação internacional.

A partir de 2027, a compensação de emissões de carbono passa a ser obrigatória em determinadas rotas internacionais que envolvem o Brasil.

Lei do combustível do futuro impulsiona mercado de energia limpa

Outro marco importante é a Lei nº 14.993/2024, conhecida como Lei do Combustível do Futuro.

A legislação criou programas voltados ao desenvolvimento de combustíveis sustentáveis e estabeleceu metas para redução das emissões no setor de transportes.

Entre os programas está o ProBioQAV, que determina uma redução gradual das emissões de gases de efeito estufa na aviação.

A regra prevê uma adoção progressiva de combustíveis sustentáveis de aviação:

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  • início com redução de 1% nas emissões a partir de 2027;
  • crescimento gradual;
  • objetivo de chegar a 10% em 2037.

A legislação também trata da expansão do diesel verde e de metas relacionadas às misturas de biodiesel no combustível utilizado no país.

Como o projeto pode impactar o mercado brasileiro?

A nova fábrica pode ampliar a participação do Brasil no mercado de combustíveis renováveis.

O país já possui uma matriz energética com forte presença de fontes renováveis, especialmente por meio do etanol e do biodiesel, mas novos investimentos buscam atender setores que ainda dependem de combustíveis fósseis.

A produção de BioQAV, por exemplo, pode abrir oportunidades para o Brasil em um mercado internacional que busca alternativas mais sustentáveis para a aviação.

Além disso, o projeto pode estimular cadeias produtivas relacionadas ao fornecimento de matérias-primas, tecnologia e serviços especializados.

Petrobras amplia atuação na transição energética

Durante décadas, a Petrobras esteve associada principalmente à exploração, produção e refino de petróleo. Com as mudanças no mercado global, a companhia passou a investir também em alternativas de menor emissão de carbono.

O projeto RPBC Biorrefino representa uma tentativa de diversificar a atuação da empresa e acompanhar uma tendência mundial de busca por combustíveis mais sustentáveis.

A transição energética, porém, envolve desafios como custos de produção, desenvolvimento tecnológico e competitividade dos novos combustíveis.

Quando começam as obras da nova fábrica?

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

Com a aprovação do investimento, a Petrobras deve avançar para a fase final de contratação e formalização dos contratos necessários para execução do projeto.

A previsão divulgada pela companhia é que as obras comecem até o fim de 2026.

A entrada em funcionamento está planejada para 2030, quando a unidade deverá iniciar a produção comercial de combustíveis renováveis na Refinaria Presidente Bernardes.

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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