A Petrobras está desenvolvendo uma nova estratégia de contratação que pode transformar o cenário do trabalho informal no Brasil. A estatal anunciou que pretende atrair motoristas de aplicativo, como Uber e 99, para atuarem em empresas terceirizadas prestadoras de serviço à companhia. A iniciativa visa ampliar o quadro de trabalhadores com vínculos formais e direitos assegurados, em um momento em que a informalidade ainda domina grande parte do mercado de trabalho.
Petrobras quer atrair motoristas de aplicativo para terceirizadas
Petrobras quer atrair motoristas de aplicativo para vagas em empresas terceirizadas, oferecendo estabilidade e acesso a direitos trabalhistas.
A proposta da Petrobras é oferecer a esses profissionais mais estabilidade, melhores condições de trabalho e inclusão no regime de Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), por meio de funções como transporte corporativo e serviços logísticos. O plano, que deve ser implementado gradualmente, tem potencial para impactar milhares de pessoas em todo o país.
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Entendendo a proposta da Petrobras
Combate à informalidade
De acordo com representantes da empresa, a medida é parte de um esforço maior da estatal em fomentar empregos com carteira assinada, seguindo as diretrizes do governo federal para redução da informalidade. Atualmente, cerca de 39% da força de trabalho brasileira atua sem vínculo formal, conforme dados do IBGE.
A Petrobras, como uma das maiores contratantes de serviços terceirizados no país, quer usar esse poder para criar oportunidades de formalização para trabalhadores que hoje vivem sob o regime autônomo ou de microempreendedor individual (MEI), muitas vezes com pouca ou nenhuma proteção social.
Integração com empresas terceirizadas
A estatal não fará a contratação direta desses motoristas, mas incentivará as empresas parceiras — que prestam serviços como transporte de funcionários, manutenção, segurança e logística — a dar prioridade a candidatos oriundos de plataformas de transporte por aplicativo. A companhia também pretende oferecer treinamentos e apoio para requalificação desses trabalhadores.
Perfil dos motoristas de aplicativo
Quem são esses profissionais?
A maioria dos motoristas de aplicativo no Brasil atua sem vínculo formal. Muitos abandonaram antigos empregos com carteira assinada em busca de flexibilidade e renda mais imediata, mas enfrentam atualmente desafios como aumento do custo de vida, precarização, ausência de férias remuneradas e contribuição irregular ao INSS.
Pesquisas apontam que mais de 70% desses motoristas trabalham mais de 9 horas por dia, e boa parte deles deseja migrar para vagas com maior estabilidade e previsibilidade de renda.
Por que atrair esse público?
Ao focar nesse perfil, a Petrobras tenta ocupar uma lacuna deixada pelas plataformas, que não oferecem vínculo empregatício, e pelos programas públicos de geração de emprego, que ainda enfrentam dificuldades em alcançar a massa informal do país. A estatal também vê nos motoristas de aplicativo uma força de trabalho experiente, adaptável e com familiaridade com logística urbana — características valorizadas em setores operacionais.
Quais funções seriam oferecidas?
As vagas em empresas terceirizadas que podem absorver esses trabalhadores incluem:
- Motorista de frota corporativa
- Condutor de veículos leves ou pesados
- Apoio logístico e entrega de peças e documentos
- Motorista para transporte de equipamentos
- Serviços gerais em áreas administrativas e operacionais
Muitas dessas funções já existem em contratos vigentes da Petrobras com empresas privadas, e a expectativa é que haja uma ampliação nos próximos meses.
Benefícios para os trabalhadores
Registro em carteira
A principal vantagem para os motoristas é a formalização. Com isso, os trabalhadores passam a ter:
- Contribuição ao INSS
- Direito a aposentadoria
- Férias remuneradas
- 13º salário
- FGTS
- Vale-transporte e vale-refeição (dependendo da empresa contratante)
Previsibilidade de renda
Enquanto motoristas de app enfrentam variação de ganhos diários, os empregos nas terceirizadas oferecem salários fixos e, em alguns casos, bonificações por desempenho, além de jornada regular.
Qualificação e experiência
O programa da Petrobras também prevê parcerias com instituições de ensino técnico e escolas profissionalizantes para treinar os candidatos em áreas como segurança, direção defensiva e atendimento corporativo.
Impactos para o setor de transporte por aplicativo

Uma ameaça às plataformas?
A possível migração de motoristas para o setor formal pode representar um desafio para empresas como Uber, 99 e outras. Com a crescente insatisfação dos condutores diante da queda na remuneração e aumento dos custos operacionais, muitos veem com bons olhos a ideia de sair da informalidade.
Plataformas que se recusam a oferecer qualquer tipo de vínculo formal ou benefício social podem, nos próximos anos, perder força entre seus prestadores de serviço, a menos que revejam seus modelos.
Redefinição do perfil de motorista
Outro impacto possível é a mudança no perfil médio dos condutores de aplicativo. À medida que os mais experientes e engajados migrarem para vagas mais seguras, as plataformas poderão contar com um número maior de motoristas temporários ou iniciantes, o que pode afetar a qualidade do serviço.
Visão do governo federal
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Apoio à formalização
A iniciativa da Petrobras está alinhada com a estratégia do governo federal de aumentar o número de trabalhadores formalizados no país. O Ministério do Trabalho tem incentivado empresas públicas e privadas a criarem programas de inclusão para profissionais informais, especialmente em setores onde há grande rotatividade ou falta de regulamentação, como no caso dos apps de transporte.
Expectativa de geração de empregos
Embora ainda não haja um número exato de vagas previstas, a expectativa é que milhares de motoristas possam ser absorvidos pelas empresas terceirizadas da Petrobras em todas as regiões do país, especialmente nas capitais e nos grandes polos industriais e logísticos onde a estatal atua.
Críticas e desafios
Concorrência com plataformas
Algumas entidades ligadas ao setor de aplicativos veem a medida com cautela, afirmando que o modelo autônomo é uma escolha de muitos motoristas e que o setor privado deve continuar oferecendo liberdade para quem prefere não ter vínculo empregatício. Por outro lado, especialistas lembram que o trabalho autônomo não deve ser sinônimo de ausência de direitos.
Capacidade de absorção
Há também dúvidas sobre a capacidade real das empresas terceirizadas de absorver grande parte desses profissionais, especialmente em regiões com menor atividade econômica. Além disso, muitos motoristas têm receio de abandonar a flexibilidade e enfrentar rotinas rígidas e salários inferiores ao que conseguem em dias de pico.
Adaptação cultural
Outro desafio está na transição entre um modelo de trabalho extremamente livre para um ambiente corporativo com hierarquia, horários fixos e exigências formais. Nem todos os motoristas se adaptam com facilidade a essa nova realidade.
Próximos passos
A Petrobras informou que está em diálogo com sindicatos, associações de trabalhadores e empresas contratadas para definir os critérios de seleção, rotas de capacitação e mecanismos de apoio à transição desses profissionais para o mercado formal.
As primeiras vagas devem começar a ser divulgadas em regiões onde a companhia mantém bases operacionais, como Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia e Espírito Santo. O plano, segundo fontes internas, é criar um banco de talentos exclusivo para candidatos vindos do setor de transporte por aplicativo.
Conclusão
A proposta da Petrobras de atrair motoristas de aplicativo para empresas terceirizadas representa uma nova abordagem no enfrentamento à informalidade no Brasil. Em vez de depender apenas de programas governamentais, a iniciativa mostra que empresas públicas também podem liderar movimentos de transformação social e trabalhista.
Se implementada com responsabilidade, a medida pode beneficiar milhares de trabalhadores, reduzir a dependência de empregos precários e abrir caminho para que outras estatais ou grandes companhias adotem estratégias semelhantes. Ao mesmo tempo, acende um alerta no setor de tecnologia: a precarização do trabalho já começa a gerar fuga de profissionais qualificados — e o mercado está atento a isso.
