A Petrobras informou nesta segunda-feira (1º) que reduzirá em 14,2% o preço médio de venda do querosene de aviação (QAV) para as distribuidoras a partir de junho. A queda representa uma diminuição de R$ 0,93 por litro em comparação ao valor praticado no mês anterior.
Querosene de aviação fica R$ 0,93 mais barato após corte anunciado pela Petrobras
Petrobras reduz em 14,2% o preço do QAV em junho. Entenda os impactos para companhias aéreas, passagens e mercado de aviação.
A medida marca uma mudança de direção após uma sequência de reajustes positivos observados desde março e sinaliza um alívio importante para o setor aéreo, que enfrenta desafios relacionados aos custos operacionais e à volatilidade dos preços dos combustíveis.
O QAV é um dos principais componentes das despesas das companhias aéreas e costuma representar uma parcela significativa dos custos de operação. Por isso, qualquer alteração nos preços do combustível é acompanhada de perto por empresas, investidores e passageiros.
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O que motivou a redução do preço do QAV

Segundo a Petrobras, a diminuição dos preços reflete uma melhora no cenário internacional do petróleo e seus derivados.
A estatal destacou que a queda ocorre em razão da “atenuação do cenário de elevação das cotações internacionais”, que vinha sendo impulsionado pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio.
Nos últimos meses, conflitos e incertezas na região provocaram oscilações significativas nos preços do petróleo no mercado global. Como consequência, diversos combustíveis derivados também registraram altas, incluindo o querosene de aviação.
Com a redução das pressões sobre as cotações internacionais, abriu-se espaço para que a Petrobras promovesse um ajuste negativo em seus preços de venda.
Como funciona a definição dos preços do QAV
Diferentemente dos combustíveis automotivos, os preços do querosene de aviação seguem uma dinâmica própria.
Os reajustes realizados pela Petrobras ocorrem mensalmente, normalmente no início de cada mês, conforme previsto nos contratos firmados com as distribuidoras.
Na prática, a estatal leva em consideração fatores como:
- Cotação internacional do petróleo;
- Preço dos derivados no mercado global;
- Taxa de câmbio;
- Custos logísticos;
- Condições de mercado.
Essa metodologia faz com que os preços possam variar com frequência, acompanhando os movimentos da economia global.
Queda interrompe sequência de aumentos
O anúncio de junho interrompe um período de sucessivas altas observadas nos meses anteriores.
Desde março, o combustível vinha acumulando reajustes positivos influenciados principalmente pelo cenário externo e pela valorização de produtos energéticos em mercados internacionais.
Apesar da redução agora anunciada, o histórico recente mostra que o combustível ainda permanece em patamar elevado quando comparado ao início do ano.
Acumulado de 2026 ainda é de alta
De acordo com a Petrobras, mesmo após o corte de junho, o preço do querosene de aviação acumula aumento de 54,5% em 2026.
Em termos absolutos, isso representa um acréscimo de R$ 1,98 por litro em comparação ao valor vigente em dezembro de 2025.
Esse dado evidencia que a redução atual ajuda a aliviar parte das pressões sobre o setor, mas não elimina completamente os impactos dos reajustes acumulados ao longo dos últimos meses.
Qual o impacto para as companhias aéreas
A redução do preço do QAV tende a beneficiar diretamente as empresas aéreas que operam no Brasil.
Combustível é tradicionalmente um dos maiores custos das companhias, ao lado de despesas com manutenção, leasing de aeronaves, mão de obra e taxas aeroportuárias.
Quando ocorre uma queda relevante no preço do querosene de aviação, as empresas podem obter vantagens como:
- Redução dos custos operacionais;
- Melhora das margens financeiras;
- Maior previsibilidade orçamentária;
- Capacidade de ampliar rotas e frequências;
- Menor pressão sobre reajustes tarifários.
O efeito exato varia de acordo com a estratégia de cada companhia, além do percentual de combustível adquirido por meio de contratos de proteção financeira (hedge).
Empresas ainda enfrentam desafios
Apesar da redução anunciada pela Petrobras, o setor aéreo continua enfrentando desafios importantes.
Entre eles estão:
- Oscilações cambiais;
- Custos de manutenção elevados;
- Endividamento de algumas empresas;
- Crescimento da concorrência;
- Necessidade de renovação de frota.
Além disso, parte dos gastos das companhias é dolarizada, o que significa que a valorização do dólar pode compensar parte dos benefícios obtidos com a queda do combustível.
Passagens aéreas podem ficar mais baratas?
Uma das principais dúvidas dos consumidores é se a redução do QAV resultará em passagens mais baratas.
A resposta é: não necessariamente de forma imediata.
Embora o combustível tenha peso relevante nos custos das companhias aéreas, o valor das passagens é influenciado por diversos fatores, incluindo:
- Oferta e demanda;
- Taxa de ocupação dos voos;
- Concorrência entre empresas;
- Período do ano;
- Custos aeroportuários;
- Câmbio.
Em cenários de forte concorrência, reduções nos custos operacionais podem contribuir para promoções e tarifas mais competitivas. No entanto, não existe uma regra que obrigue as empresas a repassarem integralmente essa economia ao consumidor.
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Benefícios podem aparecer de forma gradual
Especialistas do setor costumam apontar que os efeitos das quedas no combustível tendem a aparecer de maneira gradual.
Isso acontece porque as empresas geralmente trabalham com planejamento de preços, compra antecipada de combustível e estratégias comerciais de médio prazo.
Portanto, eventuais impactos positivos nas tarifas podem ser percebidos ao longo dos próximos meses, dependendo das condições de mercado.
Mercado de aviação acompanha recuperação da demanda
A redução do QAV ocorre em um momento em que o setor aéreo brasileiro busca consolidar sua recuperação.
Nos últimos anos, a demanda por viagens voltou a crescer impulsionada pelo turismo, viagens corporativas e expansão de rotas domésticas.
Ao mesmo tempo, as companhias buscam equilibrar crescimento operacional com rentabilidade, especialmente diante da volatilidade dos custos.
Nesse contexto, qualquer redução relevante nos preços do combustível é vista como um fator positivo para o ambiente de negócios da aviação.
Petrobras já criou mecanismos para suavizar oscilações
Nos últimos anos, a Petrobras também anunciou iniciativas voltadas para reduzir os impactos das variações bruscas do querosene de aviação sobre as companhias aéreas.
Esses mecanismos buscam oferecer maior previsibilidade aos clientes e minimizar os efeitos de movimentos extremos do mercado internacional.
A estratégia ganhou importância diante dos episódios recentes de volatilidade global, que afetaram preços de energia em diversas regiões do mundo.
Perspectivas para os próximos meses

O comportamento do preço do QAV continuará dependendo principalmente das condições do mercado internacional de petróleo.
Entre os fatores que devem influenciar os próximos reajustes estão:
- Evolução dos conflitos geopolíticos;
- Decisões dos países produtores de petróleo;
- Crescimento da economia global;
- Nível de demanda por combustíveis;
- Variações cambiais.
Caso o cenário internacional permaneça mais estável, novas reduções ou manutenção dos preços podem ocorrer nos próximos meses. Por outro lado, eventuais tensões geopolíticas ou alta expressiva do petróleo podem voltar a pressionar os custos do combustível de aviação.
Conclusão
A decisão da Petrobras de reduzir em 14,2% o preço do querosene de aviação em junho representa um alívio importante para o setor aéreo brasileiro. A queda de R$ 0,93 por litro interrompe uma sequência de aumentos e reflete a melhora do cenário internacional após meses de pressão sobre as cotações de energia.
Embora o combustível ainda acumule alta de 54,5% em 2026 frente aos valores de dezembro de 2025, o ajuste tende a contribuir para a redução dos custos operacionais das companhias aéreas e pode favorecer um ambiente mais equilibrado para o mercado de aviação nos próximos meses.
INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:
