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Petroleiras no radar: como cortes de juros afetam os investimentos no Brasil

O setor de petroleiras no Brasil atrai cada vez mais atenção dos investidores a cada movimentação da Selic. A relação entre a taxa de juros e o desempenho das ações de óleo e gás é clara, mas ainda subestimada por parte do mercado. Estudos recentes indicam que ciclos de cortes de juros historicamente favorecem empresas […]

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Imagem de máquinas da indústria petroleira operando. Ao fundo, um céu no final do dia e ilustração de gráficos. - lucro de petroleiras

O setor de petroleiras no Brasil atrai cada vez mais atenção dos investidores a cada movimentação da Selic. A relação entre a taxa de juros e o desempenho das ações de óleo e gás é clara, mas ainda subestimada por parte do mercado.

Estudos recentes indicam que ciclos de cortes de juros historicamente favorecem empresas do setor, elevando a atratividade de ações e distribuindo dividendos consistentes. Entender esses movimentos é fundamental para quem busca oportunidades sólidas de investimento.

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Imagem: Freepik

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Ciclos de afrouxamento monetário

Desde 2005, o Brasil registrou cinco ciclos importantes de redução da Selic. Em todos, o desempenho das ações de empresas de óleo e gás foi positivo, tanto 6 quanto 12 meses após o início da queda.

O destaque foi em 2009, logo após a crise do subprime. Com a Selic reduzida de 13,75% para 8,75%, o setor apresentou valorização média de 41,19% em seis meses e 85,35% em um ano. Empresas com grande peso no índice, como Petrobras, lideraram a recuperação.

PeríodoTaxa inicialTaxa final
15/09/05 – 16/04/0819,75%11,25%
22/01/09 – 28/04/1013,75%8,75%
01/09/11 – 18/04/1312,5%7,25%
20/10/16 – 18/03/2114,25%2%
03/08/23 – 19/09/2413,75%10,5%

Desempenho antes e depois dos cortes

Antes das reduções da Selic, o setor apresentava resultados variados. Por exemplo, em 2009 houve queda significativa antes do corte, mas a recuperação após o início do ciclo foi intensa. Em 2016, o ganho em 12 meses chegou a 52,39%, reforçando o efeito positivo da política monetária sobre as petroleiras.

Data Corte12 meses antes6 meses antes12 meses depois6 meses depois
15/09/200539,35%8,93%13,17%12,87%
22/01/2009-32,02%-34,06%85,35%41,19%
01/09/20114,39%-16,97%4,71%10,22%
20/10/201670,49%23,96%52,39%28,23%
03/08/202349,81%37,60%6,26%18,34%

Por que cortes de juros favorecem o setor de óleo e gás

Redução do custo de capital

De acordo com Paulo Cunha, CEO da iHUB Investimentos, juros mais baixos reduzem o custo de capital e beneficiam empresas com planos de expansão ou endividamento elevado. Esse efeito aumenta o retorno esperado e favorece companhias que dependem de investimentos robustos em infraestrutura.

Aumento do apetite por risco

Ciclos de queda da Selic elevam o apetite por risco dos investidores, o que é positivo para setores cíclicos e ligados a commodities. Em um cenário de juros mais baixos, investidores buscam retorno em ações, favorecendo companhias de petróleo.

Reprecificação de ativos reais

Além disso, a redução da taxa básica leva à reprecificação de ativos reais, valorizando empresas com geração de caixa sólida e distribuição consistente de dividendos. Essas características fazem com que petroleiras se tornem investimentos mais atrativos frente à renda fixa.

Fatores adicionais que influenciam o setor

Cenário internacional

O preço do petróleo é um dos principais fatores que impactam o desempenho das petroleiras. Com o barril atualmente em US$ 66,50, existe a expectativa de queda para US$ 50 até o fim de 2026, devido ao aumento da produção da Opep+.

Bruce Barbosa, da Nord Investimentos, alerta que, mesmo com cortes de juros, a valorização do setor pode ser limitada se a demanda permanecer estável. Estratégias de produção e controle de oferta da Opep+ influenciam diretamente o retorno das ações.

Políticas da Opep+

O aumento da produção da Opep+ pode ter motivações políticas e econômicas, como o controle da inflação nos EUA ou punição a países que excedem a cota de produção. Essas ações impactam diretamente os preços do petróleo e, consequentemente, o desempenho das petroleiras brasileiras.

Empresas em destaque e suas estratégias

Petrobras

A gigante estatal continua sendo referência no setor, graças ao seu tamanho, capacidade de geração de caixa e elevado dividend yield. A empresa combina estabilidade com retorno consistente, atraindo investidores conservadores e institucionais.

3R Petroleum

A companhia em crescimento consolida ativos maduros, beneficiando-se do menor custo de capital. O potencial de valorização é elevado, especialmente em cenários de maior interesse do mercado por ações de risco.

PetroRio

Com foco em eficiência operacional e campos offshore, a PetroRio se destaca em cenários de maior apetite por risco. O crescimento da produção, incluindo os campos Wahoo e Peregrino, projeta perspectivas de valorização no médio prazo.

Estratégias recomendadas pelos especialistas

Investidores devem priorizar empresas com crescimento de produção robusto e lifting cost elevado. Quando o petróleo cai, essas companhias se aproximam do limite de custo, preservando margens e garantindo competitividade.

Perspectivas para investidores

Próximo ciclo de cortes da Selic

O mercado projeta que o Copom iniciará a redução da Selic no início do próximo ano. Esse movimento tende a favorecer o setor, mas o efeito final depende também de fatores internacionais, preço do petróleo e políticas de oferta da Opep+.

Investimento criterioso

Investir em petroleiras exige análise criteriosa. É recomendado diversificar a carteira, acompanhar indicadores macroeconômicos e observar fundamentos das empresas, como margens, endividamento e dividendos.

Oportunidades de longo prazo

Historicamente, o setor de óleo e gás apresenta valorização consistente após ciclos de queda de juros. Empresas sólidas, com geração de caixa estável e crescimento sustentável, oferecem oportunidades seguras para investidores de longo prazo.

petrobras
Imagem: atlascompany – Freepik

O setor de petroleiras no Brasil continua sendo uma das oportunidades mais relevantes em ciclos de queda de juros. O histórico mostra valorização consistente das ações, especialmente das companhias consolidadas, como Petrobras, 3R Petroleum e PetroRio.

No entanto, é essencial considerar fatores externos, como preço do petróleo, política da Opep+ e cenário internacional. Investidores criteriosos, que diversificam a carteira e acompanham indicadores macroeconômicos, têm maior chance de aproveitar o potencial de valorização do setor.

A combinação de análise macroeconômica, fundamentos sólidos das empresas e estratégia de investimento é o caminho para resultados consistentes e seguros. O momento sugere que cortes de juros continuarão a influenciar positivamente as petroleiras, tornando o setor uma alternativa estratégica no mercado financeiro brasileiro.

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