Na terça-feira, 20 de maio de 2025, a Polícia Federal deflagrou duas grandes operações simultâneas para desmantelar esquemas sofisticados de lavagem de dinheiro que utilizavam criptomoedas como principal instrumento para disfarçar a origem de recursos ilícitos. As operações ocorreram em estados do Nordeste e Sul do Brasil e revelaram cifras que ultrapassam os R$ 200 milhões.
Polícia Federal desarticula esquemas de lavagem de dinheiro com criptomoedas que movimentaram R$ 200 milhões no Brasil
Polícia Federal realiza operações no Sul e Nordeste contra esquemas de lavagem de dinheiro com criptomoedas que movimentaram mais de R$ 200 milhões.
Entre os alvos está uma mulher considerada uma das maiores estelionatárias do país, atualmente presa no Maranhão, além de uma família suspeita de liderar uma quadrilha especializada em crimes financeiros em Balneário Camboriú (SC).
Ambas as organizações criminosas utilizaram criptoativos como meio para lavar recursos provenientes de atividades como tráfico de drogas, furtos a caixas eletrônicos, fraudes bancárias e cibercrimes internacionais.
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Primeira operação mira fraudes contra a Caixa e lavagem via cripto
A primeira das duas investigações em curso é centrada em uma mulher que, segundo a Polícia Federal, está entre as maiores estelionatárias do Brasil. Mesmo detida em um presídio maranhense, ela é suspeita de continuar coordenando um esquema de lavagem de dinheiro que, apenas nos últimos anos, teria movimentado cerca de R$ 110 milhões.
De acordo com as autoridades, o dinheiro envolvido era oriundo de diversas atividades criminosas, incluindo fraudes cibernéticas contra a Caixa Econômica Federal, furtos qualificados a terminais eletrônicos e o tráfico de drogas.
Criptomoedas como ferramenta para dificultar rastreamento financeiro
O uso de criptomoedas não era aleatório. Segundo os investigadores, ativos como o Bitcoin (BTC) e o Ethereum (ETH) eram empregados para ofuscar o rastro do dinheiro ilícito, convertendo recursos oriundos do crime em carteiras digitais descentralizadas, dificultando a identificação dos beneficiários finais.
Além disso, a movimentação financeira via criptoativos permitia que parte dos valores fosse enviada para o exterior, usando plataformas de negociação internacionais que não exigem autenticação bancária convencional.
Carros de luxo, joias e documentos foram apreendidos
Durante os cumprimentos dos mandados judiciais, a PF apreendeu itens de alto valor como veículos importados, joias e documentos que podem ser fundamentais para a continuidade das investigações. O material recolhido será periciado para comprovar a conexão com o esquema criminoso.
Segunda operação investiga quadrilha familiar em Santa Catarina

A segunda operação da PF teve como foco uma quadrilha familiar estabelecida em Balneário Camboriú (SC). O grupo é acusado de ter lavado cerca de R$ 100 milhões por meio da aquisição e revenda de imóveis de alto padrão, financiados com valores convertidos em criptomoedas.
Investigação teve início após roubo de criptoativos de cidadão de Singapura
As apurações começaram após uma denúncia internacional envolvendo o roubo de aproximadamente US$ 1,5 milhão em criptoativos de um cidadão de Singapura. A partir da cooperação com autoridades estrangeiras, a PF conseguiu mapear as operações de conversão e reinserção dos recursos no sistema econômico brasileiro.
A origem do grupo estaria na cidade de Ponta Grossa (PR), de onde expandiram suas atividades para o litoral catarinense. Com o lucro ilícito, os integrantes compravam propriedades de luxo em nomes de laranjas, dificultando a identificação patrimonial.
Assim como no primeiro caso, o uso de criptomoedas foi determinante para mascarar a origem dos recursos. Ao transformar dinheiro obtido de forma ilícita em ativos digitais, o grupo conseguia fazer pagamentos sem acionar alertas de instituições financeiras tradicionais.
PF intensifica combate ao uso ilícito de criptomoedas
Com a popularização dos criptoativos e a falta de regulação específica em alguns setores, criminosos têm se aproveitado da natureza descentralizada e, em certa medida, anônima dessas tecnologias para realizar lavagem de dinheiro, evasão de divisas e financiamento de atividades ilícitas.
A Polícia Federal reforça que o uso de criptomoedas não é crime em si, mas seu uso indevido, sem declaração à Receita Federal e vinculado a atividades criminosas, pode configurar diversos delitos financeiros.
Cooperação internacional é chave para rastrear transações digitais
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O rastreamento de criptomoedas exige ferramentas tecnológicas de ponta e parcerias com agências internacionais, exchanges e empresas de blockchain analytics.
As recentes operações contam com apoio de plataformas especializadas na análise forense de carteiras digitais, o que tem possibilitado avanços significativos na identificação de transações suspeitas.
Regulamentação e transparência como caminhos para coibir crimes
As operações recentes reforçam a urgência de um marco regulatório robusto para o setor de ativos digitais no Brasil. A falta de normativas claras ainda é um obstáculo para o combate eficiente a fraudes e esquemas de lavagem de dinheiro.
O Projeto de Lei 4.401/2021, que regula o mercado de criptomoedas no país, já foi aprovado no Congresso Nacional, mas ainda precisa de regulamentações complementares para ampliar a eficácia na prevenção de abusos.
Exchanges devem cumprir deveres de diligência e relatórios ao Coaf
Com a regulamentação em vigor, corretoras de criptoativos passam a ter obrigações semelhantes às instituições financeiras, incluindo a identificação de clientes, monitoramento de transações suspeitas e envio de relatórios ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
Considerações finais

As operações deflagradas pela Polícia Federal evidenciam o avanço do uso de tecnologias digitais por organizações criminosas. Apesar de seu potencial revolucionário para o sistema financeiro global, as criptomoedas também podem ser usadas para fins ilícitos quando não há fiscalização eficaz.
O Brasil está diante do desafio de equilibrar inovação tecnológica com mecanismos de controle e transparência. Para especialistas, o caminho passa por educação financeira, regulamentação adequada e integração entre os setores público e privado.
Com a intensificação das investigações e maior colaboração internacional, espera-se que o uso de criptomoedas em esquemas de lavagem de dinheiro seja cada vez mais identificado e combatido com eficiência pelas autoridades brasileiras.
