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Nova fase de operação da PF e CGU investiga fraudes em benefícios previdenciários

Nova fase da Operação Sem Desconto investiga fraudes bilionárias em aposentadorias e pensões do INSS entre 2019 e 2024.

Helena SerpaPor Helena Serpa4 min de leitura
INSS

A nova fase da Operação Sem Desconto, deflagrada nesta quarta-feira (27) pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União, ampliou as investigações sobre um esquema nacional de descontos indevidos aplicados em aposentadorias e pensões do INSS. As apurações indicam que os desvios podem chegar a R$ 6,3 bilhões entre os anos de 2019 e 2024.

A nova fase da operação cumpre 31 mandados de busca e apreensão, além de medidas cautelares como monitoramento eletrônico e bloqueio de bens.

Como funcionava?

Leia mais: Calendário da 2ª parcela do 13º do INSS vai até 8 de junho

As investigações apontam que aposentados e pensionistas tinham valores descontados diretamente dos benefícios previdenciários sob a justificativa de mensalidades associativas.

Na prática, muitos beneficiários sequer sabiam que haviam sido vinculados a associações de aposentados. Os descontos apareciam nos extratos do benefício como cobranças autorizadas, embora não existisse consentimento válido.

Valores eram retirados mensalmente

Os descontos normalmente aconteciam de forma recorrente e atingiam principalmente aposentados que recebiam valores menores, dificultando a percepção imediata das cobranças indevidas.

Em muitos casos, os beneficiários só percebiam o problema após meses ou anos de descontos acumulados.

Estados e associações investigadas

A operação ocorre no Distrito Federal e nos estados de São Paulo, Pernambuco e Paraíba.

Em Brasília, duas associações estão entre os principais alvos investigados:

  • UNIBAP
  • ABENPREV

Já em São Paulo, nove mandados foram cumpridos envolvendo quatro entidades:

Associação investigadaEstado
AmarSão Paulo
Master PrevSão Paulo
AASPSão Paulo
ANDAPPSão Paulo

Quais crimes são investigados?

A operação apura uma série de crimes ligados à administração pública e ao sistema previdenciário brasileiro.

Entre os principais delitos investigados estão:

  • Organização criminosa;
  • Estelionato previdenciário;
  • Lavagem de dinheiro;
  • Ocultação patrimonial;
  • Dilapidação de patrimônio;
  • Fraudes contra beneficiários do INSS.

Segundo investigadores, o objetivo das medidas cautelares também é impedir a movimentação de recursos que possam ter origem ilícita.

Identificar descontos indevidos

Especialistas em direito previdenciário orientam aposentados e pensionistas a verificarem regularmente o extrato de pagamento do benefício no aplicativo e site Meu INSS.

Entre os principais sinais de irregularidade estão:

  • Cobranças de associações desconhecidas;
  • Descontos com siglas não reconhecidas;
  • Redução inesperada no valor recebido;
  • Mensalidades sem autorização assinada.

Passo a passo

O segurado pode acessar:

  1. Aplicativo Meu INSS;
  2. Área de Extrato de Pagamento;
  3. Histórico de créditos do benefício;
  4. Relação de descontos ativos.

Caso identifique irregularidades, o aposentado pode solicitar exclusão do desconto e registrar reclamação junto ao INSS.

O que fazer?

Ao identificar descontos indevidos, o beneficiário deve agir rapidamente para evitar novos prejuízos financeiros.

As principais orientações são:

Solicitar exclusão imediata do desconto

O pedido pode ser feito diretamente no Meu INSS ou pela Central 135.

Registrar denúncia formal

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As denúncias podem ser encaminhadas para:

  • Ouvidoria do INSS;
  • Controladoria-Geral da União;
  • Polícia Federal;
  • Ministério Público Federal.

Guardar documentos e extratos

É importante salvar comprovantes bancários, extratos previdenciários e protocolos de atendimento para eventual ação judicial.

Impacto da fraude para aposentados e pensionistas

O caso acendeu alerta nacional sobre a vulnerabilidade de aposentados diante de fraudes financeiras vinculadas ao sistema previdenciário.

Especialistas apontam que muitos idosos acabam não percebendo pequenos descontos mensais, principalmente quando existem dificuldades no acesso digital ou desconhecimento sobre consultas no Meu INSS.

Além dos prejuízos financeiros individuais, o escândalo também aumenta a pressão sobre mecanismos de controle interno do INSS e sobre a fiscalização de entidades autorizadas a realizar descontos associativos.

INSS reforça monitoramento após operação

Após a repercussão da Operação Sem Desconto, o INSS intensificou procedimentos de fiscalização relacionados aos descontos em folha de pagamento de aposentadorias e pensões.

O órgão também vem ampliando auditorias internas para revisar autorizações associativas e identificar possíveis inconsistências em cadastros de beneficiários.

A expectativa é que novas fases da investigação ocorram nos próximos meses, já que os investigadores consideram que o esquema possuía atuação interestadual e estrutura financeira complexa.

Considerações finais

A nova fase da Operação Sem Desconto revela a dimensão de um dos maiores esquemas de fraudes previdenciárias já investigados no país. As apurações apontam que bilhões de reais podem ter sido retirados irregularmente de aposentados e pensionistas do INSS ao longo de vários anos.

O avanço das investigações envolvendo associações, operadores financeiros, ex-servidores e agentes públicos reforça a necessidade de fiscalização rigorosa sobre descontos aplicados em benefícios previdenciários.

Para aposentados e pensionistas, o momento também serve como alerta sobre a importância de acompanhar regularmente os extratos do benefício e denunciar qualquer cobrança não autorizada.

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Helena Serpa

Autor

Helena Serpa

Jornalista mineira, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Apaixonada por linguagem simples e comunicação acessível, atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, onde produz conteúdos sobre finanças pessoais, cidadania, programas sociais, direitos do consumidor e outros temas relevantes para o dia a dia dos brasileiros. Sua escrita busca informar com clareza, contribuir com a inclusão digital e empoderar leitores a tomar decisões mais conscientes sobre dinheiro e serviços públicos.

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